Rui Damião em 2025-10-13

A FUNDO

Mesa-Redonda

Servidores, armazenamento e virtualização como diferencial competitivo para o Canal

A infraestrutura de IT das organizações, onde se incluem os servidores, o armazenamento e a virtualização, representa hoje uma oportunidade de negócio e uma oportunidade estratégica para os Parceiros de Canal. Representantes da Fortinet, da HPE, da Huawei, da IBM, da NetApp, da QNAP, da Red Hat e da Toshiba partilham a sua visão sobre as oportunidades do mercado de servidores, armazenamento e virtualização para os Parceiros de Canal

Servidores, armazenamento e virtualização como diferencial competitivo para o Canal

Quais são as grandes tendências que verificam na infraestrutura de IT - como servidores, armazenamento e virtualização - e que podem impactar o mercado português a curto e médio prazo?

 

Luís Rilhó, Category & Commercial Manager Lead Compute Portugal, HPE

Luís Rilhó, Category & Commercial Manager Lead Compute Portugal, HPE: “Há um aumento de capacidade genérica na componente de armazenamento e de processamento desses componentes. Essa capacidade de processamento deve evoluir nos próximos tempos de forma significativa, até por causa do contexto da Inteligência Artificial [IA] que precisa de sistemas desenvolvidos para o efeito. Também há uma preocupação com a sustentabilidade dos data centers e a pegada deste tipo de soluções é bastante relevante e vai continuar a estar na ordem do dia”

Marco Vicente, Sales & Business Consultant, Toshiba: “Identificamos três tendências muito claras. Uma delas é o crescimento exponencial dos dados, agora muito por causa da inteligência artificial. Outra tendência é a eficiência energética que já não é apenas uma questão técnica. Outra é a consolidação de infraestruturas híbridas, onde o armazenamento em disco é a solução mais competitiva; se fizermos o cálculo do custo por terabyte, o HDD é mais eficiente”

O modelo híbrido é hoje a chave das vendas no mercado de infraestruturas IT. Como é que os fabricantes e Parceiros estão a posicionar as soluções para responder às exigências de clientes que procuram flexibilidade, performance e eficiência?

Rui Fialho, IT Solutions Manager, Huawei

 

Rui Fialho, IT Solutions Manager, Huawei: “Existe a cloud e empresas que têm a sua infraestrutura 100% na cloud, mas a maioria das empresas portuguesas tem uma maturidade de cloud relativamente baixa, seja cloud pública ou híbrida. Fala-se na capacidade de ter a sua própria cloud e infraestrutura interna e ter a capacidade de estender a sua infraestrutura para a cloud”

Sérgio Seabra, Senior Solutions Architect, Red Hat: “Devido ao nosso ADN ser open source, a esmagadora maioria da nossa tecnologia nasce para enfrentar qualquer dificuldade e desafio emergente. A nossa tecnologia é feita para ir ao encontro dos novos desafios e trespassar qualquer tipo de infraestrutura, seja on-premises ou na cloud, que é o que os clientes querem e preferem”

Luís Rilhó, HPE: “Os clientes procuram simplicidade e correr os seus ambientes onde faz sentido que eles corram. Tentamos tornar simples algo que é relativamente complexo. A cloud é uma experiência, não um destino; tentamos implementar com os clientes e Parceiros essa experiência, fornecendo soluções que podem ter ‘em casa’, e desenvolver as soluções dentro de portas nos seus data centers ou de forma híbrida, completamente aberta. Muitas vezes, estas soluções também aparecem com opções de CapEx”

Paulo Pinto, BDM Securing Cloud and Business Transformation, Fortinet: “Os clientes não querem escolher entre cloud ou on-premises. O compromisso da segurança é algo que não querem perder. É habitual ouvir falar de demasiado software e custo; os desafios dos fabricantes e Parceiros é esse: oferecer soluções que sejam escaláveis e seguras”

Marco Vicente, Toshiba: “Verificamos que o modelo híbrido é o mais favorável, mas no que diz respeito ao armazenamento o que verificamos é que os Parceiros utilizam tecnologia SSD para dados que têm de estar disponíveis praticamente no momento e o HDD para cold storage e para a escalabilidade. Os fabricantes têm de disponibilizar soluções que sejam efetivamente fiáveis para que estas infraestruturas funcionem com qualidade e com segurança”

Os workloads de analítica e BI são hoje centrais nas organizações, enquanto a adoção de agentes de IA começa a ganhar tração e está a expandir-se rapidamente. Como é que estão a evoluir as arquiteturas de servidores para responder a estas exigências, conciliando capacidade de processamento e eficiência energética?

 

Adrián Groba, Country Manager, QNAP

Adrián Groba, Country Manager, QNAP: “Há duas coisas importantes. A primeira é que é preciso ter um servidor preparado para inteligência artificial que tenha hardware, ao nível do chip, que esteja preparado para workloads de IA, ou GPU otimizadas para inteligência artificial. Outro tema está relacionado com a cloud privada e o processamento da informação, porque é preciso perceber onde é que a informação da IA está a ser processada, se é, por exemplo, nos Estados Unidos, ou se vamos fazer tudo na nossa rede e na nossa infraestrutura”

Manuel Prates, Systems Sales, IBM: “Tudo isto são novas aplicações e necessidades que os clientes têm e o que considero ser o maior desafio é olhar para as infraestruturas dos clientes de forma diferente, porque o paradigma é diferente. Por um lado, podemos otimizar aquilo que os clientes já têm, fazendo mais com menos e, para isso, libertar orçamento para investir nas novas áreas. Nestas novas áreas, os paradigmas são outros porque é consumido por outras pessoas e a forma como consomem infraestrutura tem de ser baseada muito em modelos as-a-Service”

Com a crescente complexidade da infraestrutura, como se pode garantir a segurança e resiliência end-to-end?

Paulo Pinto, BDM Securing Cloud and Business Transformation, Fortinet

 

Paulo Pinto, Fortinet: “Se a complexidade aumenta, temos de simplificar a utilização destas soluções. Temos de dar visibilidade centralizada e temos de partir desse princípio de simplificação, de visibilidade, de simplificação de processos. Não podemos ter soluções isoladas sob risco de colocar a infraestrutura em risco por falta de visibilidade e resposta”

Sérgio Seabra, Red Hat: “A questão da segurança é óbvia para todos, até a nível pessoal; ninguém deixa a porta de casa destrancada e tem de ser o mesmo nos data centers. Os fabricantes de hardware têm soluções de defesa para o perímetro ou o core; é esta simbiose entre toda esta cadeia que faz com que o sistema possa ser seguro ou não. A segurança deve começar sempre na base, nos sistemas operativos que dão suporte e têm de ser resilientes. Podemos ter os melhores sistemas do planeta, mas se o hardware tiver uma intrusão, isso não serve para nada; a segurança é muito importante”

Rui Fialho, Huawei: “Se, até agora, falámos de uma evolução calma das infraestruturas, quando falamos de segurança abordamos um tema que é uma emergência. As organizações têm de olhar para este tema com alguma perspetiva de preocupação, mas, ao mesmo tempo, de forma obrigatória para garantir que estamos resilientes e capazes para continuar o negócio porque os dados são o ativo mais valioso para as organizações. Antes de tudo, temos de pensar no backup e ter garantias de que um disaster recovery funciona”

Adrián Groba, QNAP: “Há alguns conceitos chave que é preciso reter. O primeiro é resiliência; temos de ter alta disponibilidade dos sistemas. A simplificação também, porque há uma dimensão da simplificação onde a parte da centralização permite também uma monitorização em tempo real do estado do hardware e dos processos. Depois, é importante ter o máximo controlo para tomar decisões mais rápidas em questões de segurança. A previsão daquilo que pode acontecer também é importante, por exemplo, do estado dos discos e quando é que podem falhar”

Henrique Silva, Senior Client Executive, NetApp: “A segurança tem de estar centralizada; todas as componentes da infraestrutura têm de estar centralizadas para serem seguidas em tempo real. Não podemos garantir a segurança em tudo, e, para isso, é preciso garantir níveis de resiliência onde fazer o backup tradicional já não é suficiente. As metodologias de backup têm de ser revistas e ajustadas; os interlocutores e a complexidade são diferentes e a resiliência e o backup têm de ser adaptadas a esta nova realidade”

Qual é o papel da virtualização nas arquiteturas híbridas atuais e futuras, face à crescente adoção de cloud pública e de modelos de containers?

 

Sérgio Seabra, Senior Solutions Architect, Red Hat

Sérgio Seabra, Red Hat: “A virtualização está num ponto de inferência. Há um clash entre o mundo tradicional do IT – que se baseava em bare metal e depois em máquinas virtuais – e o mundo dos containers. Isto provoca um desfasamento entre muitas organizações que não estão preparadas para isto e outras que estão completamente voltadas para a frente. As máquinas virtuais vão continuar durante muito tempo; os containers estão mais virados para o mundo híbrido, também porque foram desenvolvidos com esse objetivo. É o momento claro das organizações olharem para onde é que vão evoluir e levar os seus workloads”

Luís Rilhó, HPE: “O tema da virtualização tem-nos acompanhado nos últimos anos. No passado, era tudo muito físico para todos os efeitos, e a virtualização permite-nos ter uma mobilidade entre ambientes muito facilitada, implementado de uma forma relativamente ‘simples’ clouds públicas, privadas ou híbridas. Na prática, a virtualização tem-nos ajudado a tirar partido dos recursos que temos. Hoje, vendem-se menos servidores, mas eles são maiores porque fazem mais coisas, são mais abrangentes. O mercado quer ver o mundo da virtualização mais aberto”

Paulo Pinto, Fortinet: “A virtualização, no início, era difícil porque era preciso muita capacidade computacional. As plataformas de virtualização evoluíram para serem portáteis. A velocidade dos negócios de hoje exige containers. Os containers vão evoluir muito as empresas, que já estão a tirar partido disto. O futuro das infraestruturas híbridas vai passar por combinar estas realidades, com a virtualização a estar presente onde fizer sentido, mas os containers vão ser motores de modernização”

Que papel é que a automação e a IA vão ter na proteção de ambientes híbridos e virtualizados, desde a prevenção até à deteção e resposta a ataques cada vez mais sofisticados?

Manuel Prates, Systems Sales, IBM

 

Manuel Prates, IBM: “Muitas vezes, nós, enquanto fabricantes, andamos à procura de qual é o melhor use case para utilizar as tecnologias de automação e inteligência artificial. A segurança é uma necessidade; uma empresa nunca está 100% segura e é uma questão de quando vão ser atacados. O que os fabricantes têm vindo a fazer é utilizar a inteligência artificial e automação de formas para detetar este tipo de ataques o mais depressa possível, minimizando ao máximo o tempo que leva entre o ataque e a reposição do serviço ou negócio”

Com o crescimento do volume de dados, quais são as inovações mais relevantes em armazenamento que podem ajudar as organizações a escalarem com eficiência e a prepararem-se para workloads de nova geração, incluindo IA e analytics?

 

Marco Vicente, Sales & Business Consultant, Toshiba

Marco Vicente, Toshiba: “O crescimento da produção de dados tem vindo a ser exponencial e trabalhamos numa indústria muito interessante. As evoluções também são desafios; a unidade que é falada é petabytes e o desafio é, no mesmo espaço físico, ter mais espaço para a capacidade. Acreditamos que nos próximos anos devemos estar a disponibilizar 40TB. A relação entre o watt e o terabyte também vai melhorar a eficiência energética. Com a inteligência artificial, os dados e a necessidade de armazenamento vai continuar a crescer exponencialmente”

Henrique Silva, NetApp: “O crescimento massivo de dados, e em particular dos dados não estruturados, levanta dificuldades acrescidas para os gerir. Temos de garantir aos clientes que podem colocar um qualquer workload onde quiserem e que esta movimentação de dados é fácil. Isto escala de tal forma que já existem projetos de imagens médicas ou inteligência artificial a gerar uma volumetria de dados de tal forma que levanta dificuldades em fazer um backup completo desse mesmo projeto. A IA vem-nos trazer vários tipos de dados – como texto, imagem e voz – e tudo tem de ser correlacionado posteriormente. Temos de evitar silos de dados”

Rui Fialho, Huawei: “Isto já é um dos principais desafios da atualidade, como gerir estes volumes de dados. Os fabricantes estão a conseguir dar resposta a estas evoluções, mas é difícil gerir o volume de dados que uma organização tem. Para analisar esses dados é preciso um grande poder de processamento para ajudar a trabalhar estes volumes de dados e tirar carga de outros componentes para extrair informação relevante para o negócio”

Que papel devem desempenhar as soluções de backup, armazenamento e virtualização na proteção contra ataques?

Henrique Silva, Senior Client Executive, NetApp

 

Henrique Silva, NetApp: “Temos de ter um repositório de dados seguro, que esteja alinhado com a área de segurança para que exista uma monitorização contínua. Queria realçar a implementação de medidas de boas práticas, como estratégias 3-2-1, criar um air gap que vem proteger a informação. Temos de olhar para o negócio, perceber os requisitos e ir ao encontro desses mesmos requisitos”

Manuel Prates, IBM: “Cyber vault baseado em backups é ótimo, mas o tema é quanto tempo vou demorar a recuperar esses backups. A empresa que sofreu um ciberataque e lançou o caos em alguns aeroportos europeus não repôs o seu serviço por completo uma semana depois de ter sido atacada, por exemplo. Os mecanismos de backup são importantes, claro, mas demoram o seu tempo a serem repostos. Para além destas tecnologias de cyber vault baseados em backups, é preciso fazer um assessment a perceber quais são os dados mais importantes para manter a empresa a funcionar”

Adrián Groba, QNAP: “A realidade é quando é que vamos ser atacados, não se. A imutabilidade é muito importante para as cópias de segurança e temos de garantir a integridade dos dados em tempo real. Também é preciso ter redundância e a alta disponibilidade, assim como a recuperação fácil. Os fabricantes e os Parceiros têm de estar alinhados e transparentes, sendo um benefício para todos, incluindo o cliente que adquire estes serviços”

Quais são os principais desafios e oportunidades para os Parceiros de Canal na venda e integração de soluções híbridas, de armazenamento e de segurança em ambientes cada vez mais complexos?

Paulo Pinto, Fortinet: “Os desafios nesta área existem pela complexidade tecnológica. Mesmo que se a domine, há uma complexidade por causa da interoperabilidade entre fabricantes e arquiteturas que os Parceiros vão ter de enfrentar. Depois, é preciso assegurar em toda a superfície de ataque e deve ser consistente em toda a infraestrutura. Há um crescimento de regulamentações em segurança e há um desafio de manter o compliance com estas regras. Tudo isto é um desafio, mas também uma oportunidade para os Parceiros”

Luís Rilhó, HPE: “Os clientes vão continuar a tentar fazer mais com menos. As soluções também não vão ficar mais simples e os Parceiros têm um papel fundamental a correr infraestruturas otimizadas, seguras e económicas, para além de fazer uma excelente integração com as várias ofertas disponíveis no mercado”

Rui Fialho, Huawei: “Os Parceiros são os trusted advisors dos clientes finais, que precisam de muita ajuda porque a informação continua a crescer e a ser mais complexa, mas também tem mais valor. Os Parceiros devem ajudar as empresas a estarem preparadas para o que pode acontecer; quando falamos de IT, não podemos ser otimistas porque as arquiteturas estão expostas e isso é um risco enorme para as organizações”

Manuel Prates, IBM: “Já falámos de inteligência artificial, segurança e proliferação de dados; é aqui que estão as melhores oportunidades de negócio para o futuro. Os Parceiros não devem ser conformistas perante um cliente; tentem ir mais fundo porque estes temas, falando com o cliente, trazem mais oportunidades de negócio, podendo vender serviços e valor acrescentado associado a estes temas”

Henrique Silva, NetApp: “A questão da inteligência artificial é um mar de oportunidades e a área da resiliência é fundamental para as organizações, onde a maior parte dos clientes não tem a sua infraestrutura ajustada às necessidades dos seus negócios. Todas as organizações estão a ser atacadas e é essencial que os Parceiros possam oferecer serviços de consultoria para identificar os pain points das empresas”

Adrián Groba, QNAP: “A centralização, aliada à simplificação, é uma oportunidade para os Parceiros. Depois, a compatibilidade entre fabricantes pode adicionar valor aos negócios. A monitorização, aliada à automação, permite prevenir ataques. Tudo isto são oportunidades para os Parceiros”

Sérgio Seabra, Red Hat: “Somos 100% negócio indireto em Portugal e dependemos dos Parceiros; todo o nosso modelo de negócio assenta nos Parceiros. O Canal tem uma grande oportunidade e desafio: este mercado é gigante e há muita oportunidade de negócio; por outro lado, isto é um contrarrelógio tecnológico e precisa de várias formações e certificações onde os Parceiros têm de ter interesse para endereçar o mercado”

Marco Vicente, Toshiba: “O desafio para os Parceiros é a orquestração de infraestruturas cada vez mais complexas, que combinam on-premises com cloud, ou que combinam com tecnologia SSD e HDD. Os Parceiros não podem ser só integradores técnicos, mas consultores estratégicos junto dos clientes finais”

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