2026-6-19

A FUNDO

Mesa-Redonda

O papel crítico das redes empresariais no Canal de IT

As redes são um dos motores das organizações e, numa era em que a conectividade ganha uma especial importância, transformar esta complexidade em soluções simples, eficientes e rentáveis é o que distingue os Parceiros que lideram o mercado. D-Link, DDC Group, Extreme Networks, HPE, Ruijie Networks, TrendAI e Zyxel partilharam a sua visão do mercado de redes em Portugal e as oportunidades para os Parceiros de Canal

O papel crítico das redes empresariais no Canal de IT

O networking empresarial está a atravessar uma nova fase de transformação impulsionada pela Inteligência Artificial (IA), pela cloud e pela cibersegurança. O que mudou mais rapidamente neste mercado?

Nuno Rocha, Country Representative, Extreme Networks: “Há vários relatórios que a maior parte dos decisores de IT considera que as redes estão mais complexas e são cada vez mais críticas. As redes têm vindo a mudar, a sair do cabo e a passar para o wireless, mas o principal nas organizações é olhar para esta complexidade e torná-la mais simples”

O Canal está preparado para responder às novas exigências das redes preparadas para IA ou ainda existe um gap significativo?

 

Gonzalo Echeverría, Country Manager Iberia, Zyxel

Gonzalo Echeverría, Country Manager Iberia, Zyxel: “Creio que a maioria dos Parceiros ainda segue com uma mentalidade de revenda tradicional e isso é um problema no mercado atual. Devemos ser consultores e o Canal tem de mudar. A procura está a crescer mais rapidamente do que a capacidade do que o Canal para entregar um valor real aos seus clientes”

As redes empresariais deixaram de ligar apenas utilizadores e dispositivos tradicionais. Com a crescente integração de ambientes híbridos, as organizações estão preparadas para gerir infraestruturas cada vez mais críticas e distribuídas?

Bruno Espadinha, Country Lead Portugal, TrendAI: “Os dispositivos OT não foram pensados para ser seguros, alguns têm vulnerabilidades há mais de dez anos que nunca vão ser corrigidas. Quando se começa a fazer o inventário de dispositivos, os clientes descobrem 30% a 40% mais dispositivos que não tinham sido catalogados”

João Gorgulho, Country Manager, DDC Group

 

João Gorgulho, Country Manager, DDC Group: “As empresas estão a ficar mais conscientes do problema, mas não estão a preparar a situação. As empresas passaram anos a digitalizar processos, mas as redes acabaram por ficar para trás. O colapso não chega de forma iminente, mas sim em milissegundos, numa reunião que bloqueia”

Anselmo Trejo, Marketing and Communications Director, D-Link: “Temos visto uma migração muito grande, até por causa da IA. A procura está a subir e a eficiência é um driver para essa adoção. Ao ter uma rede distribuída com vários sites tem de se mudar para uma monitorização mais remota, em vez de local como tinha vinha a ser feita nos últimos anos”

O mercado global de WLAN continua a crescer e o Wi-Fi 7 começa a ganhar espaço nas estratégias de modernização. Estamos perante uma necessidade real?

 

Benito Guillán, Channel Sales Manager Iberia, Ruijie Networks

Benito Guillán, Channel Sales Manager Iberia, Ruijie Networks: “Acreditamos que o Wi-Fi 7 já está a ultrapassar a adoção inicial, mas ainda estamos um bocadinho lentos. Os fabricantes também têm um problema que é quando estamos a introduzir uma nova tecnologia, ainda estamos a colher os benefícios da geração anterior. O Wi-Fi 7 é o que deveriam adotar todas as empresas quando começam a olhar para o futuro”

Automação, observabilidade e IA estão a transformar as redes em plataformas com capacidade preditiva e de decisão. O que muda na forma como as equipas monitorizam e gerem as redes atualmente?

Paulo Rio, Network and Security Consulting, HPE: “O mercado ainda tem uma tendência de centrar a gestão numa base manual e muitas vezes reativa. Ainda estamos a começar e a acelerar; atingir uma rede autónoma, baseada em IA, vai demorar o seu tempo, mas já estamos num ponto muito avançado”

Benito Guillán, Ruijie Networks: “Estamos a desenvolver sistemas de IA que nos permitem adiantar a problemas que podemos ter na rede. A gestão da rede está a evoluir e temos de dar soluções preditivas. Os fabricantes e os Parceiros como consultores devem apresentar a possibilidade de aumentar os valores do OpEx adiantando-se a esses problemas”

Anselmo Trejo, Marketing and Communications Director, D-Link

 
Anselmo Trejo, D-Link: “Há quem prefira ter uma consola local que configura e nunca mais mexe. Os Parceiros podem trazer a monitorização e a previsão de falhas antes de elas acontecerem para os clientes. É preciso vender as redes como um serviço onde vendemos não só o hardware e a instalação, mas também toda a gestão das redes”

 

Nuno Rocha, Extreme Networks: “A IA já está presente há muito tempo nos vários fabricantes. A grande evolução é a interligação com os múltiplos pontos que pertencem à infraestrutura de rede. O que estamos a dar como novos passos é olhar para a correlação e a interligação de eventos”

As empresas continuam a olhar para o networking como um investimento isolado ou a dependência de serviços digitais já está a criar uma visão mais integrada?

João Gorgulho, DDC Group: “Está a evoluir, mas na maior parte dos casos essa evolução ainda é conduzida pela dor e não pela estratégia. Quando a rede falha no momento crítico, todos percebem que o networking é estratégico. Há uma mudança na pergunta que os clientes fazem; antes perguntavam quanto custava um switch e agora dizem que precisam de uma rede que lhes assegure as operações nos próximos anos”

Gonzalo Echeverría, Zyxel: “Há uma dependência de serviços digitais e a mudança a que temos vindo a assistir é estratégica. Qualquer organização que trate as redes de forma separada, em silos, vai ter um problema no futuro. As empresas que ainda compram o switch aqui e o firewall ali vão ter um modelo operacional que não é capaz de suportar o negócio”

O crescimento da IA está a impulsionar investimentos em capacidade de rede. Os clientes já preparam as suas infraestruturas para suportar workloads de IA?

 

Paulo Rio, Network and Security Consulting, HPE

Paulo Rio, HPE: “O investimento em redes em data center para suportar workloads de IA vai ser 50% do investimento mundial em switching. Em termos nacionais, o que estamos a assistir é a alguns verticais adotarem pequenas fábricas de IA tanto para treino como para inferência. Quando falamos de IA temos uma carga mais comum, o que chamamos de frontend, semelhante a um data center clássico; a grande diferença surge nas redes de backend para treinar os modelos de IA que precisa de muito mais capacidade e velocidade”

João Gorgulho, DDC Group: “As empresas mais avançadas com edifícios novos estão a preparar- se para a nova realidade. Há um equívoco de que a IA é só um problema de computação – e em parte é –, mas também é um problema de rede, de cablagem, de fibras, de toda a infraestrutura que faz os modelos funcionarem”

As redes geridas na cloud continuam a ganhar espaço nas organizações. Atualmente, o que está a pesar mais na decisão das empresas de avançarem para este modelo?

Anselmo Trejo, D-Link: “A gestão na cloud é uma necessidade para projetos multi-site e multi-tenant para ter, num único dashboard, os vários temas da rede, mas também para anteciparmos os problemas, os novos pontos de acesso que têm de ser implementados”

Paulo Rio, HPE: “A principal razão para os clientes que adotam este tipo de tecnologia não é só operacional, mas a capacidade de monitorizar e otimizar a rede através da cloud. O serviço é SaaS, alojado na cloud, o que traz consigo várias características assentes em plataformas que oferecem os mais elevados padrões e eficiência”

Nuno Rocha, Country Representative, Extreme Networks

 

Nuno Rocha, Extreme Networks: “A questão da cloud e a migração para a cloud têm acontecido a vários níveis. Há quem utilize a rede de forma tradicional, mas o que os clientes veem na cloud é o evoluir das ferramentas de gestão para vários domínios”

Benito Guillán, Ruijie Networks: “Quando temos de tentar convencer o cliente, temos de começar pelo dinheiro: redução de custos em termos operacionais. A cloud traz também uma forma mais fácil de gerir, uma simplificação na gestão que nos traz um custo de investimento mais reduzido”

A Diretiva NIS2 veio reforçar a importância da resiliência e proteção das infraestruturas. Como é que influencia os projetos de networking empresarial?

 

Bruno Espadinha, Country Lead Portugal, TrendAI

Bruno Espadinha, TrendAI: “A NIS2 está cada vez mais na ordem do dia, mas são excelentes notícias para os Parceiros e fabricantes, porque é o melhor argumento de venda. A segurança das infraestruturas está formalmente ao nível de administração. O que vemos em Portugal é que muitas organizações ainda encaram a NIS2 como um exercício de documentação, mas não mudam a arquitetura”

Paulo Rio, HPE: “Os clientes começam a ter uma preocupação com a visibilidade. Quem acede, como acede e os fluxos dos dados é muito importante porque é preciso mitigar a superfície de ataque. A reboque da visibilidade, têm surgido muitos requisitos onde as organizações se preocupam com a segmentação e com essas conexões laterais que não são desejadas”

A proteção das redes deixou de estar apenas associada ao perímetro tradicional. Como é que esta integração está a transformar a forma como as infraestruturas empresariais são desenhadas e geridas?

Nuno Rocha, Extreme Networks: “Hoje, não deixa de ser uma componente também importante a segurança do perímetro. O número de ataques tem crescido exponencialmente. É imperativo para quem olha para a segurança da sua empresa olhar para a rede de uma forma holística”

Bruno Espadinha, TrendAI: “O utilizador já não está no escritório, as aplicações já não estão nos data centers. Continuar a criar redes desta forma, baseado em VPN, é como fechar a porta de frente muito bem, mas deixar as janelas todas abertas”

Gonzalo Echeverría, Zyxel: “O Canal está a apostar na segurança avançada baseada na identidade. O zero trust é uma série de políticas dinâmicas. O zero trust aplicado a redes híbridas é parte do dia a dia das organizações. Não se pode deixar a segurança na mão dos utilizadores; é a organização que tem de ter políticas”

Com redes cada vez mais distribuídas e expostas, que papel pode a IA assumir na deteção de ameaças, proteção das infraestruturas e resposta a incidentes em tempo real?

Bruno Espadinha, TrendAI: “Os atacantes também estão a usar a IA e havia um desequilíbrio. O problema é que as redes são demasiado complexas e expostas para um humano acompanhar o ritmo; a IA muda esse paradigma. A IA avalia e monitoriza grandes quantidades de tráfego que nenhuma equipa humana consegue”

O hardware continua a ser um elemento central no networking, mas também enfrenta novas exigências ao nível da gestão, segurnaça e integração. Como é que o Canal se está a adaptar a esta evolução?

Gonzalo Echeverría, Zyxel: “O Canal, como sempre, está a evoluir e não pode parar. Os fabricantes têm de empurrar todos estes integradores, que antes eram resellers, porque o mercado precisa de MSP que entendam o negócio dos clientes. Os Parceiros são consultores para os clientes finais”

Num mercado cada vez mais competitivo, como é que os Parceiros se podem diferenciar para evitar uma lógica puramente centrada em preço?

João Gorgulho, DDC Group: “O Parceiro que entra numa reunião com uma folha de especificações e preço é uma commodity. Um Parceiro que entra numa reunião e pergunta se a rede do cliente está preparada para a próxima geração já se diferencia e começa a desenvolver uma relação”

Benito Guillán, Ruijie Networks: “É preciso dar um serviço. O preço ser caro ou barato depende do tempo que se poupa à empresa. Esse tempo é o valor mais importante que as empresas precisam. Um MSP tem como prioridade falar do que a empresa pode poupar em termos de processos e tempo de reação da rede”

Anselmo Trejo, D-Link: “A certificação e a formação especializada são muito importantes para os Parceiros que vão visitar o seu cliente. Tem de existir uma conversa comum entre o fabricante, o Parceiro e o cliente para solucionar os problemas da rede”

Que conselho daria aos Parceiros que se querem posicionar para a próxima geração de soluções de networking empresarial?

Anselmo Trejo, D-Link: “A nível de switching é preciso fazer uma migração para gigabit. A partir daí, a gestão de cloud é muito importante porque é muito mais fácil de utilizar do que a gestão local”

Benito Guillán, Ruijie Networks: “Como fabricante relativamente novo no mercado ibérico, queremos dar-nos a conhecer como marca em Portugal. Podemos ajudar na otimização da rede na cloud e estamos em todos os processos que os Parceiros precisem para apresentar uma proposta completa ao seu cliente”

Bruno Espadinha, TrendAI: “Temos de deixar de nos focar na venda de produtos e vender soluções que se traduzam em resultados diretos para o cliente final. Os clientes não querem mais falar de equipamentos e de produtos e querem saber se estão protegidos”

Gonzalo Echeverría, Zyxel: “Os Parceiros têm de deixar de ser instaladores. É preciso dominar a gestão cloud, a segurança e os serviços recorrentes. Apostamos em especialização real, em setores verticais e damos formação para cada”

João Gorgulho, DDC Group: “É importante desenvolver as melhores perguntas a fazer nos clientes, não ‘que equipamento precisam’, mas sim ‘o que precisam para o vosso negócio não parar’. A questão é se quando o cliente vai tomar uma decisão já estamos ou não na sala com ele”

Nuno Rocha, Extreme Networks: “Olhem para os clientes de forma diferente, pensem numa ótica de MSP e olhem para estes novos desafios como uma oportunidade. É preciso apostar na certificação e nas formações e não apenas a que os fabricantes oferecem”

Paulo Rio, HPE: “Os Parceiros devem olhar para o cliente numa perspetiva de Chief Officer e pensar na forma como as redes são definidas, olhar para as redes em como vai funcionar para os CIO, medir e monitorizar as necessidades da rede”

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