2018-11-27

A FUNDO

Canalys Channels Forum EMEA– O maior evento de Canal do Mundo

Otimismo, mas não tanto

O Canal europeu cresceu 14% no primeiro semestre de 2018. Para 2019 as previsões são de 5%. Saibas as razões desta desacelaração e prepare a sua empresa para as alterações que aí vêm

O Canalys Channels Forum EMEA é um dos três fóruns globais da Canalys, os quais, em conjunto, representam o maior evento de Canal do mundo. Barcelona acolheu no passado mês de outubro este evento de três dias. Mais de mil parceiros de toda a Europa responderam à chamada da Canalys e estiveram presentes para discutir o Canal de IT.

Otimismo moderado

Dificilmente vamos repetir o crescimento registado em 2018, que, de acordo com o CEO e analista da Canalys, Steve Brazier, foi de 14% na região EMEA no primeiro semetre de 2018. Para o ano de 2019 a previsão para a nossa região é de 5%. Algumas nuvens negras no horizonte – e não são cloud computing – não permitem voltar a pensar no ritmo de crescimento dos últimos trimestres, e são três os fatores que impendem uma maior aceleração em 2019:

1- Não há mais jovens talentos disponíveis

O número de estudantes que terminam as suas licenciaturas em áreas fundamentais para os Parceiros de tecnologia é na maioria dos países europeus exatamente o mesmo de há 10 anos. O fator da escassez de capital humano está a levar a um encolhimento da margem dos Parceiros nos projetos, pois dificilmente o aumento do custo médio dos salários é absorvido pelos clientes. O problema não é novo, mas em 2018 agravou-se para além do razoável em muitos países. Sem solução a curto prazo, esta escassez é um dos elementos mais determinantes para um abrandamento da transformação digital.

2 - Brexit

No mercado europeu, a não-definição da situação do Reino Unido num futuro relacionamento com a União Europeia está a levar à suspensão de novos projetos dos dois lados do Canal da Mancha. Para além de impactos macroeconómicos, há aspetos pouco referidos no negócio de IT que podem introduzir entropias insuspeitas, como os próprios circuitos de distribuição na Europa. Se um “hard Brexit” pode no médio/longo prazo até beneficiar alguns Parceiros continentais, em 2019 os impactos esperados deste cenário mais grave são todos negativos. O nível de incerteza é elevado, mas tudo indica que agora ele se vai prolongar bem para lá de março de 2019, com um arrastar de negociações sem data clara de término, o que só prolonga a indecisão sobre novos investimentos.

3 - EUA vs. China

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, com o IT no centro da disputa, pode rapidamente mudar os cenários a que nos habituámos na última década. Além da guerra das taxas aduaneiras, o bloqueio a produtos de redes e telecomunicações chinesas nos Estados Unidos, ou os casos de produtos ocidentais adulterados durante a assemblagem na China estão a levar a que a indústria e os grandes compradores institucionais e corporate deixem a habitual postura agnóstica perante a política que é vigente desde o fim da guerra fria, e passem a ter eles mesmo uma agenda política, com relevo para o nacionalismo e para a construção de alianças geopolíticas.

Nos Estados Unidos, empresas como a Cisco, Juniper e Ariesa já estão a beneficiar de preços mais altos pela saída de jogo dos players Chineses. Com a subida da tensão entre blocos geoestratégicos, na Europa, algumas empresas começam a colocar na mesa da decisão a origem dos Parceiros tecnológicos que escolhem, fator até agora totalmente irrelevante. No médio prazo é expectável que alguns vendors abram fábricas na Europa, e a produção regional pode vir a ser uma realidade em alguns tipos de produtos mais sensíveis. Aconteça o que acontecer, a intricada rede da fila de produção já está a alterar-se e os preços tanto de componentes eletrónicos como de produto acabado só podem ter uma tendência de subida de preços.

4 - Managed Services: Canal vs Consultoras

Não sendo uma realidade nova, a importância dos chamados Professional Services, que em Portugal designamos por grandes consultoras em clientes corporate e no setor público, constitui mais um desafio para o Canal. A Deloitte, EY, Accenture e KPMG estão cada vez mais presentes nas salas de espera dos clientes habitualmente fornecidos pelo Canal. Atingido de momento apenas o topo da pirâmide dos projetos, nenhum segmento do Canal está imune, porque os maiores Parceiros de Canal podem compensar algumas perdas para estas consultoras com projetos menores que habitualmente não focariam a atenção.

A razão do crescente interesse das consultoras no IT é o crescente relevo dos Managed Services, que proporcionam relações comerciais longas e um fluxo comercial mais previsível. Para conseguirem ganhar competências, existe um movimento generalizado na Europa de compra de pequenos Parceiros ultra especializados em segurança, IoT e cloud, apenas para mencionar algumas áreas.

Por outro lado, grandes Parceiros de Canal expressaram na Canalys que as consultoras podem ser simultaneamente concorrentes e clientes, porque não dispõem internamente dos recursos necessários e subcontratam ao Canal tradicional. 

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