Flávia Gomes em 2025-7-16
As soluções de Hybrid Cloud e Multicloud assumem um papel central na transformação digital das empresas, ao permitirem uma maior flexibilidade, resiliência e otimização dos recursos tecnológicos, essenciais para responder às exigências de um mundo empresarial cada vez mais distribuído e dinâmico. Numa mesa-redonda promovida pelo IT Channel, a Akamai, Fujifilm, IBM, IP Telecom, Red Hat e Schneider Electric partilharam a sua visão sobre a adoção de estratégias híbridas e multicloud, bem como os desafios e oportunidades que estas apresentam para os Parceiros e os clientes empresariais
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Como é que as empresas estão atualmente a olhar para as arquiteturas hybrid cloud e multicloud? O que mudou nos últimos dois, três anos em termos de prioridades? Filipe Frasquilho, Diretor de Serviços IT, IP Telecom: “Nestes últimos anos, todos sentimos as alterações geopolíticas, que têm indicado e levado a que as entidades tenham uma perceção e uma necessidade de conseguir garantir que os seus dados estão num local onde tenham confiança. Isso levanta a questão da soberania dos dados. Numa situação normal poderíamos dizer ‘Ok, se eu tiver os dados na União Europeia, consigo garantir todas as componentes legais’. No entanto, a grande maioria das entidades não são europeias, podendo levantar algumas questões legais” Anna Baldrís, Business Development Manager, Fujifilm: “Estamos a ver mudanças, desde a pandemia, nas prioridades de negócio, na segurança, na conformidade com as regulamentações e com a eficiência operacional. Muitas empresas anteriormente adotavam uma abordagem de cloud-first, e vemos uma transição para uma cloud muito mais pensada. Se falarmos de segurança, vemos muitas organizações a utilizar a cloud como uma estratégia de resiliência. Em termos de conformidade, vemos que as organizações têm uma preocupação com as certificações dos fornecedores de cloud, e vão ser muito mais exigentes” Como é que as abordagens hybrid cloud e multicloud estão a criar oportunidades para os Parceiros de Canal? Quais são as áreas que os Parceiros devem priorizar para gerar mais valor?
Paulo Machado, Principal, IBM Cloud Platform, IBM: “Começo pela orquestração que é necessária à medida que a complexidade aumenta. Se não tivermos uma capacidade de orquestração entre ambientes complexos, vamos encontrar problemas. Associada a isto, a monitorização, porque temos de ter visibilidade sobre o que é que está a acontecer. Depois temos a segurança e conformidade. Sabemos que os dados soberanos são um tema que preocupa os clientes, falamos de segurança de dados, mas também falamos de disaster recovery. Por fim, tem de existir um modelo de governação para gerir tudo e a gestão da mudança é crítica e fundamental” Mário Pimentel, Key Account Manager, Schneider Electric: “Os Parceiros de Canal poderão apostar em consultoria estratégica em cloud híbrida, ou seja, vão ajudar os clientes a definir políticas de workload placement, avaliar o ROI destes ambientes muitcloud. Poderão oferecer serviços de monitorização remota de gestão dos data centers e do edge. Podem também fornecer serviços de automatização das operações de IT, fornecer soluções ao nível de edge to cloud. Um bom exemplo são a venda de micro data centers e conectividade inteligente, que permite ligar esta infraestrutura edge e integrá-la com a cloud” Como pode o Canal diferenciar-se num mercado onde as ofertas cloud parecem, à primeira vista, semelhantes?
Víctor Fernández Lázaro, Partner Account Executive, Akamai: “É verdade que é importante diferenciar-se num mundo tão difícil como é a cloud, sobretudo quando os hyperscalers detêm uma grande parte do mercado. A Akamai considera que há seis pontos diferenciais na sua proposta. O principal é ter uma proposta simples concebida para programadores, service providers e integradores que querem criar sobre a infraestrutura existente. A ideia é que o Parceiro seja capaz de criar as suas soluções para poder migrar de forma simples entre clouds, sem penalizações técnicas e comerciais” Filipe Frasquilho, IP Telecom: “Uma das grandes vantagens que as soluções de IaaS tem para os Parceiros e para os clientes finais é a previsibilidade dos custos. É fundamental ter essa componente bem definida para não haver situações estranhas, ou um problema a acontecer. Outro ponto fundamental é a componente do Lock-in. Os clientes têm de ter a certeza de que podem movimentar os seus dados e os seus sistemas para outro provider. Depois há uma outra que é a confiança. A confiança tem de existir entre o cliente e os Parceiros e o service provider” Paulo Machado, IBM: “Há várias possibilidades de abordagens para o Canal para fazer essa diferenciação. Uma delas é a especialização numa determinada cloud, ou seja, nós temos Parceiros que se especializam e focam a sua atividade numa determinada cloud. Uma segunda estratégia é a especialização em determinados ambientes de clouds, como é o caso de VMware, Kubernetes ou Red Hat. Por fim, uma terceira abordagem é a especialização em cloud híbrida e multicloud, ou seja, aqueles que se especializam em ajudar os clientes a navegar a complexidade crescente dos ambientes híbridos e multicloud” Os temas da eficiência energética e sustentabilidade já estão a influenciar as decisões de compra cloud? Como pode o Canal explorar este ângulo?
Sérgio Seabra, Senior Solutions Architect, Red Hat: “O que temos visto com a emergência da inteligência artificial é a movimentação de cloud para infraestruturas on-premises. Há aqui uma grande oportunidade para começar novamente a ter conversas sobre a validade entre o on-prem e a cloud. O Canal pode intervir para poder aconselhar os clientes de qual é a melhor forma de prosseguir, porque não é um one-size-fits-all, e caso as empresas abordem este tema como um one-size-fits-all vão ter verdadeiros dissabores, quer a nível pragmático, quer a nível financeiro” Anna Baldrís, Fujifilm: “Vemos grandes empresas que veem a cloud como uma alternativa mais sustentável do que on-prem para determinadas cargas de trabalho. Sabemos que os data centers de cloud de última geração vão trabalhar com energias renováveis, e desenvolver estas arquiteturas on-prem podem indicar uma inversão. Em termos de sustentabilidade, as empresas começaram a contabilizar a sua pegada de carbono, e estão à procura de cloud providers com compromissos ambientais fortes. Também vemos ferramentas de medição para os clientes medirem a sua pegada na cloud. É uma oportunidade; todos estes desafios para o Canal são uma oportunidade” Como é que as empresas podem simplificar a orquestração e garantir visibilidade e controlo sobre múltiplos fornecedores?
Mário Pimentel, Schneider Electric: “A orquestração dos ambientes multicloud e ambiente híbridos continua a ser um dos maiores desafios para as empresas. Com a multiplicidade de fornecedores de cloud, infraestrutura local e edge computing, garantir a visibilidade, o controlo e a eficiência operacional requer ferramentas e estratégias bem definidas. As empresas precisam de apostar numa gestão centralizada da infraestrutura, através de uma plataforma de monitorização unificada para visualizar todos os recursos locais. Outra frente será implementar ferramentas de automação de tarefas repetitivas e começar a adotar ferramentas que tenham analytics” Sérgio Seabra, Red Hat: “A heterogeneidade de ambientes e de infraestruturas é massiva. A monitorização e a forma como a monitorização pode alimentar a governança é o mais importante. Toda a questão de compliance e governança é crucial. A observabilidade, que conseguimos fornecer através de telemetria, é crucial no mundo atual e é a única coisa que nos separa o caos da governança” Como é que é possível garantir uma política de segurança coerente e transversal em ambientes tão distribuídos? Víctor Fernández Lázaro, Akamai: “Em vez de proteger a infraestrutura, a ideia é controlar e proteger a identidade, o tráfego e o contexto que eles criam. Não é só proteger o castelo, mas também proteger o utilizador, cada aplicação, cada API, onde quer que ele esteja. A nossa ideia é proteger de forma unificada, mediante modelos de zero trust, e criar políticas globais e consistentes aplicadas desde um único lugar para definir os acessos” Como pode o Canal preparar-se para as novas tendências como edge computing, IA e 5G dentro do contexto multicloud?
Filipe Frasquilho, IP Telecom: “A evolução do mercado e aquilo que nós, como Parceiros, teremos de fazer para os clientes, temos de ajudar a definir estratégias claras sobre aquilo que o negócio entende. Isso é fundamental. Cada cliente e cada negócio deve ter o seu modelo. Quem está lá dentro e trabalha no negócio é que conhece as coisas e tem de ter estratégias bem definidas. E essas estratégias passam pelo edge computing, em termos de conetividade, pela inteligência artificial, em termos de proliferação da computação para IA generativa, e pelos dados e soberania de danos” Que conselhos práticos dariam às empresas que estão a iniciar ou a redefinir a sua jornada para a cloud híbrida e multicloud? Anna Baldrís, Fujifilm: “Devemos repensar a jornada na cloud, ou a abordagem, migrar de forma mais estratégica, para poder integrar múltiplos ambientes. O conselho da Fujifilm é começar por uma avaliação da maturidade. Vamos pensar quais são os workloads que estão prontos para cloud; não faz sentido movimentar todo o volume de dados de uma organização para a cloud. Vamos definir uma estratégia com objetivos claros, com o objetivo de reduzir custos e aumentar a resiliência” Sérgio Seabra, Red Hat: “O mais importante é evitar ficar algemado a tecnologias especificas. No final o resultado nunca é bom para o cliente. Uma vez que temos um casamento com uma determinada tecnologia, é muito difícil abandoná-la sob pena de prejudicarmos todo o nosso business model ou incorrer em gastos catastróficos. É crucial que o Canal esteja capacitado para olhar para o espólio do que o cliente tem e ajudar o cliente a determinar qual é a melhor forma de avançarem para novos paradigmas tecnológicos” Victor Fernández Lázaro, Akamai: “As soluções abertas, em open source, tanto para clientes como para os Parceiros. Recomendo que não vendam somente as soluções dos hyperscalers, mas que criem os próprios serviços geridos, que é onde o cliente irá valorizar e vão saber quais são as necessidades dos clientes. Outro ponto importante é o preço. É importante pagar mais por uns serviços que são básicos, é importante ter uma fatura que seja previsível” Paulo Machado, IBM: “É muito importante investir tempo no desenho da arquitetura, ou seja, muitas vezes o que vemos nos clientes é que avançam com os projetos um pouco ad hoc, no sentido de dar respostas imediatas a determinado tipo de situações, e perdem um bocadinho a visão geral. Todo o tempo que se invista aqui é tempo que se vai poupar depois à frente” Mário Pimentel, Schneider Electric: “Esta adoção para a cloud híbrida e multicloud não é apenas uma mudança tecnológica, também é uma transformação operacional, é uma transformação cultural, e é uma transformação infraestrutural. Cada cliente e cada Parceiro tem o seu negócio e tem de alinhar esta estratégia ao seu negócio. Para as empresas que estão a começar agora, aconselho a realizar uma avaliação clara” Quais as oportunidades para o Canal na cloud híbrida e multicloud?
Anna Baldrís, Fujifilm: “Nós apoiamos os Parceiros dano conhecimento nesta abordagem para facilitar que os clientes de todas as organizações possam navegar nesta complexidade. Vemos que o papel dos Parceiros cada vez é mais estratégico na adoção de cloud híbrida e multicloud, onde muitas empresas precisam de apoio especializado para navegar nesta complexidade técnica e operacional” Filipe Frasquilho, IP Telecom: “A IP Telecom é uma cloud nacional, portuguesa, onde sabemos quais são as leis a que estamos sujeitos e todo esse conhecimento é fundamental para poder apoiar os clientes finais a decidirem quais as melhores soluções. Apoiamos, também, os nossos Parceiros na definição de estratégias que são fundamentais para que se consiga criar valor para os clientes, planear, controlar e definir os KPI” Mário Pimentel, Schneider Electric: “Consideramos os Parceiros uma peça-chave para entregar valor aos seus cliente finais. Há grandes oportunidades neste setor e os Parceiros de Canal podem aproveitá-los. Através dos Programas de Canal do Schneider Electric, concedemos apoio técnico, apoio comercial e damos certificação, que é importante e tem o objetivo de posicionarmos os nossos Parceiros como especialistas de cloud híbrida” Paulo Machado, IBM: “A IBM tem nos Parceiros um aliado fundamental naquilo que é a estratégia de cloud híbrida e multicloud. Todo o negócio da IBM é realizado através do Canal. Entendemos que os Parceiros são absolutamente fundamentais, e qualquer Parceiro IBM tem acesso à mesma informação técnica que qualquer colaborador da IBM. Para nos diferenciarmos neste mundo, os skills e o conhecimento são críticos” Sérgio Seabra, Red Hat: “A reputação da Red Hat é conhecida, já vamos em 25 anos de empresa, temos um manancial bastante extenso de formação e certificação, quer para clientes finais, quer para Parceiros. Temos vários mecanismos de ajuda aos Parceiros. A Red Hat está completamente dependente dos Parceiros para escalar o seu negócio e manter a presença no cliente final” Víctor Fernández Lázaro, Akamai: “Para os Parceiros e integradores que querem criar valor, que querem diferenciar- se e que querem crescer com os seus clientes e com os fabricantes que trabalham, a Akamai tem um Programa de Canal em que a formação, a capacidade de operação é importante, em que as oportunidades que apresentamos aos nossos Parceiros são muito boas e encorajamos o Canal português para que conheça a oferta de cloud da Akamai” |