Filipe Frasquilho, Diretor de Serviços TI da IP Telecom em 2026-5-14
No atual contexto geopolítico mundial, o digital tornou-se um pilar fundamental para qualquer organização.
Filipe Frasquilho, Diretor de Serviços TI da IP Telecom
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A intensificação de fenómenos climáticos extremos expôs de forma clara a elevada dependência digital, colocando a continuidade operacional e estabilidade organizacional no centro das preocupações estratégicas. A Continuidade de Negócio (CN) deixou de ser encarada apenas como um conjunto de planos ou mecanismos de resposta, passando a integrar uma abordagem mais ampla de resiliência organizacional. Um Plano de Continuidade de Negócio (PCN) é hoje um elemento estruturante dessa resiliência, permitindo às organizações avaliar de forma integrada a sua exposição a riscos geopolíticos, climáticos, tecnológicos (como falhas de hardware, software e ataques cibernéticos) e humanos, incluindo os riscos emergentes associados à utilização da Inteligência Artificial (IA). Num contexto de risco estrutural crescente e de interdependência sistémica torna-se essencial uma análise criteriosa dos riscos, assente numa estratégia de priorização, dado ser impossível mitigá-los na totalidade. O PCN deixou assim de ser um mero exercício de conformidade, afirmando-se como um dos núcleos da estratégia das organizações para definir e consolidar a sua resiliência face às atuais condições estruturais do mercado. As cadeias de abastecimento constituem um dos fatores mais disruptivos. Os modelos clássicos de eficiência “just-in-time” estão progressivamente a ser substituídos por abordagens que privilegiam garantias de segurança e continuidade, aceitando custos operacionais mais elevados para reduzir o risco de interrupção e aumentar a robustez e resiliência do negócio. A soberania digital é igualmente um dos temas mais críticos que os Estados e as suas organizações enfrentam. As divergências regulatórias e políticas representam um enorme desafio ao funcionamento dos negócios, tornando fundamental a capacidade de recorrer a fornecedores locais, nomeadamente Datacenters, mesmo em contextos de operação híbrida. A interoperabilidade entre modelos deve ser testada e garantida, evitando bloqueios de serviços por razões geopolíticas. O paradigma dos desafios associados à CN mudou significativamente. A palavra-chave para um PCN robusto é hoje antecipação. Passámos de uma globalização relativamente estável para um cenário de multipolaridade instável, no qual a previsibilidade deixou de ser norma. A eficiência de custos operacionais transforma-se em resiliência e redundância, o fornecedor único é substituído pela diversificação regional ou local, a cibersegurança defensiva evolui para ciber resiliência ativa e o planeamento estático transforma-se em simulações de cenários dinâmicos. As organizações necessitam, por isso, de desenvolver uma capacidade contínua de adaptação. Essa preparação só é possível através de PCN dinâmicos, integrados numa abordagem mais ampla de resiliência organizacional, suportada por processos robustos, sistemas resilientes e pessoas treinadas para atuarem em ambientes de instabilidade. Mesmo com a crescente adoção da IA, o capital humano continua a ser um fator crítico e diferenciador na resposta a eventos extremos. As organizações que investem consistentemente na CN e realizam testes regulares, diversificados e dinâmicos estão melhor preparadas para responder a disrupções, minimizando impactos financeiros, operacionais e reputacionais, reforçando a resiliência sustentada do negócio. À medida que os desafios aumentam, o reforço do PCN passa também pela escolha de parceiros de confiança, capazes de assegurar a fiabilidade e resiliência dos serviços. A IP Telecom afirma-se como um parceiro tecnológico relevante, apoiando as organizações não apenas na vertente técnica, mas na construção de soluções resilientes, que permitem uma maior focalização na antecipação e gestão estratégica de novos riscos, numa lógica de verdadeira parceria.
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