Henrique Carreiro em 2020-3-20

OPINIÃO

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Regresso a casa: as empresas que invertem o caminho para a cloud pública

No início de 2015, a Dropbox, que na altura tinha a sua plataforma de serviços assente em AWS, lançou-se numa iniciativa ousada

Prevendo, então, uma época em que já não conseguiria escalar os seus serviços em sintonia com a procura dos clientes, entre fevereiro e outubro de 2015 transferiu com sucesso cerca de noventa por cento de 600 petabytes dos dados para uma plataforma desenvolvida internamente, a que chamou Magic Pocket. Na altura ainda o movimento para a cloud parecia imparável, e o percurso inverso uma insanidade que apenas os mais ousados poderiam tentar, o que levou a que a migração inversa da Dropbox parecesse um evento pontual. Mas, ao contrário de empresas de setores mais tradicionais a Dropbox tinha interesse nas vantagens na conceção direta dos seus próprios sistemas.

Cinco anos depois, muito mais organizações, incluindo fora das áreas da tecnologia, estão a começar a descobrir que podem existir razões válida para o regresso, digamos assim, a casa. O que poderá fazer a diferença poderá ser a adoção do modelo de planeamento da Dropbox, que funciona em “janelas” granulares e de curto prazo, muitas vezes seis meses, às vezes três, um período muito mais curto do que a prática comum. Ainda tem as respetivas previsões de crescimento anual, mas essas previsões são atualizadas frequentemente ao longo do ano, com base em reanálise com as várias equipas de desenvolvimento de produtos e serviços. A equipa de software analisa primeiro as previsões ativas de capacidade e elabora um modelo para os servidores que os seus centros de dados irão requerer. Estas configurações são então entregues às equipas de hardware, e o hardware é instalado de acordo com as especificações. Como a equipa de software já produziu o plano de configuração, os novos servidores são autoconfiguráveis, não exigindo nenhum trabalho de configuração dos engenheiros de hardware.

A equipa monitora de perto as mudanças na procura de capacidade do centro de dados físico. Modela o inventário disponível a qualquer momento dentro de uma janela atual e que capacidade adicional pode precisar ser disponibilizada. Usando este método, a Dropbox visa horizontes de não mais do que seis meses de cada vez.

Não há nada neste método de crescimento dinâmico e modelação de capacidade que obrigue a que só seja aplicável à Dropbox, ou a outras empresas de armazenamento na cloud. Se uma organização for capaz de calcular quantitativamente as suas necessidades de serviços de IT como faz o Dropbox, poderá, eventualmente, elaborar um modelo de planeamento semelhante. Ao fazê-lo, pode descobrir que consegue controlar os custos enquanto mantém os respetivos serviços em instalações locais, evitando pontos de rotura, questões regulamentares de localidade dos dados e outra surpresas indesejáveis.

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