Henrique Carreiro em 2020-1-03

OPINIÃO

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Inteligência Artificial e conhecimento dos clientes

As grandes empresas da tecnologia têm estado debaixo de fogo regulamentar pelas suas recolhas de dados de utilizadores, nem sempre obtidas e mantidas pelas formas mais transparentes

Têm, contudo, muitas delas, sido relativamente transparentes quanto às tecnologias que desenvolvem internamente para obtenção, armazenamento e exploração de dados, seja por via da intervenção dos respetivos investigadores na comunidade académica, seja pelas contribuições para comunidades de código aberto.

Grande parte das plataformas de código aberto usadas para Big Data e Machine Learning tiveram origem em firmas como Google, LinkedIn (agora Microsoft) ou Facebook. O espetro não se limita a empresas americanas, uma vez que também as chineses Alibaba ou Tencent têm vindo a aumentar as respetivas contribuições não apenas para as fundações, mas também para os respetivos projetos. No final do passado mês de novembro, por exemplo, a Alibaba fez uma importante contribuição ao publicar o código dos seus motores de recomendação. A verdade é que todas estas empresas já entenderam que a existência de “núcleos” comuns acelera grandemente a adoção e permite tornar mais rápidos os ciclos de desenvolvimento de novas soluções. Tendências recentes como a disseminação dos contentores ou de “frameworks” de “deep learning” como Tensorflow (ambas com fortes raízes e contribuições da Google), dão credibilidade a esta aproximação.

Se há um tema comum a toda esta tecnologia, esse é o que permite o conhecimento dos clientes, particularmente do mundo online. Na verdade, o que estas empresas têm estado a tentar fazer é desenvolver métodos de melhor conhecer e antecipar as vontades e anseios dos que utilizam as respetivas plataformas e, obviamente, beneficiar as suas linhas de negócio com isso. Não é um truísmo dizer que as mais bem sucedidas foram as que mais longe foram (e continuam a ir) na implementação de soluções que permitem esse conhecimento.

O que nos leva ao ponto fulcral. A adoção de tecnologias de IA/Machine Learning nos processos de negócio não configura algo que terá que ser pensado para um futuro indeterminado, mas sim uma necessidade presente, imediata até. A verdade é que uma das principais diferenças entre as empresas de sucesso e as restantes é o nível de conhecimento sobre quem utiliza os respetivos produtos ou serviços, que lhe permite uma adaptação mais contínua e mais rápida. A maior mudança de mentalidade que as empresas terão que fazer durante o próximo ano (e seguintes) é perceber que Inteligência Artificial não é algo distante do seu “core business”. Pelo contrário: Inteligência Artificial fará parte, como qualquer iniciativa que permita conhecer melhor os clientes, do centro da respetiva atividade - ainda que agora não seja evidente que assim será. Como podemos deduzir pelo avanço imparável daquelas que incorporaram tal “insight” no seu modelo (como a Amazon), quem não entendeu ainda, rapidamente poderá ver todo o negócio em causa, entregando- o sem oposição aos que primeiro o entenderam.

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