Jorge Bento em 2026-7-10

OPINIÃO

Editorial

2026: Parte II

O primeiro semestre terminou com um resultado que poucos antecipavam. Portugal lidera o crescimento da distribuição de TI na Europa, com uma evolução próxima dos 20%, acima de mercados como Espanha, Alemanha ou França. À primeira vista, seria fácil concluir que o mercado entrou num novo ciclo de expansão. Mas a segunda metade do ano poderá revelar uma realidade mais complexa

2026: Parte II
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Os números merecem ser lidos para além da superfície. Em várias categorias, o crescimento das receitas não foi acompanhado pelo mesmo ritmo nas unidades vendidas. Servidores, storage e componentes mostram que uma parte significativa da evolução resulta do aumento do preço médio e não da procura.

Também é provável que o mercado tenha antecipado decisões. O receio de novas ruturas no supply, a pressão sobre componentes críticos para projetos de inteligência artificial e a incerteza quanto aos preços levaram muitas organizações a acelerar investimentos.

A isto junta-se outro fator. O PRR continua a executar projetos, mas o seu efeito enquanto acelerador extraordinário do investimento tenderá a perder intensidade à medida que o ciclo se aproxima do fim. Não será a única razão para uma eventual desaceleração, mas deixará de ser um dos principais motores do mercado.

Há ainda uma mudança de ciclo. Depois do investimento em infraestrutura, cloud e cibersegurança, a inteligência artificial entra numa fase mais exigente. Os pilotos dão lugar à integração, à governação e à demonstração de retorno. É uma etapa menos acelerada e mais seletiva. Nada disto significa que o mercado vá deixar de crescer. A própria Context continua a antecipar um ano positivo. Significa apenas que os fatores que impulsionaram o primeiro semestre dificilmente terão o mesmo peso no segundo.

Os primeiros seis meses mostraram um mercado excecional. Os próximos seis serão seguramente mais difíceis. Não porque falte investimento, mas porque será mais difícil repetir uma combinação de fatores que dificilmente voltará a acontecer com a mesma intensidade. Se 2026 terminar perto dos 9%, como estima a Context, continuará a ser um bom ano para a distribuição. A diferença é que a segunda metade do ano deixará de viver do impulso do primeiro e passará a depender da capacidade do mercado para continuar a crescer por mérito próprio.

 

 


Jorge Bento

Diretor do IT Channel

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