Paulo Rego, Managing Director da StreamRoad em 2026-6-24

OPINIÃO

MKT&Vendas

Segurança digital - o novo território da marca, do marketing e da liderança!

Durante mais de três décadas de percurso profissional, tive a oportunidade de estar em diferentes lados da tecnologia. No marketing, no produto, na pré-venda, em grandes projetos nacionais e, mais recentemente, na comunicação e ativação de empresas de tecnologia

Segurança digital - o novo território da marca, do marketing e da liderança!

Paulo Rego, Managing Director da StreamRoad

Esse percurso deu-me uma convicção clara de que uma marca já não vive apenas na oferta, no layout, na campanha, no evento ou no filme institucional. Vive também na capacidade silenciosa de proteger os seus dados, garantir continuidade e responder com clareza quando algo corre mal.

A segurança digital é uma dimensão central da confiança. E a confiança é hoje, talvez, o ativo mais valioso de qualquer marca.

Uma empresa pode prometer rapidez, proximidade, eficiência, inovação ou excelência nos seus serviços. Mas quase todas essas promessas dependem de sistemas, dados, plataformas, integrações, fornecedores e cloud. Por isso, quando a tecnologia falha, a marca deixa de cumprir a sua promessa.

Da cibersegurança à resiliência

Vivemos hoje num mundo profundamente marcado por tensões geopolíticas, guerra, dependências tecnológicas, exposição de infraestruturas críticas, desinformação e forte pressão regulatória. Neste contexto, mais do que saber se as nossas ferramentas de segurança vão resistir, o que realmente importa, é saber como recuperamos, como comunicamos, como garantimos a continuidade do nosso negócio e a reputação da nossa marca quando sofremos um ataque.

Os nossos backups vivem em bonitas páginas de PowerPoint ou estão realmente testados? Temos um plano de disaster recovery com timings de recuperação testados e com responsabilidades definidas? Sabemos quem decide, quem comunica, o que temos de comunicar, a quem e em que momento o devemos fazer quando estamos em crise?

Estamos confiantes de que, mais do que resistir, conseguimos recuperar e preservar a confiança dos nossos clientes depois de sofrermos um ataque?

A segurança digital não é apenas uma camada de proteção. É uma condição de resiliência e continuidade, é um pilar estratégico na proteção da confiança na marca.

No admirável mundo novo da segurança, o risco raramente nasce sozinho e quase nunca se resolve sozinho. Ele vive nas entrelinhas, nas dependências, nas integrações, nos parceiros, nas decisões e interações que ainda não aconteceram entre tecnologia, compliance, negócio e marketing.

Uma falha digital raramente fica confinada ao digital. A partir do momento em que afeta clientes, regulador, mercado, colaboradores ou media, ela transforma-se num teste real à confiança na marca.

As perguntas que deviam estar na agenda de qualquer marketeer

O marketeer não tem de se tornar informático — embora, por vezes, ajudasse — mas, se é ele o responsável pela gestão da confiança, da perceção, da reputação da marca e sua relação com o mercado, então, há algumas perguntas simples, que parecem técnicas mas não são, que tem de estar respondidas nas nossas empresas:

Se os nossos sistemas críticos pararem amanhã, que promessa da nossa marca deixamos de entregar?

Esta não é uma pergunta técnica. É uma pergunta de negócio e de marca. Que serviço deixa de estar disponível? Que clientes ficam sem resposta? Que experiência de cliente deixa de ser entregue? Que impacto na confiança que o mercado deposita na nossa marca?

Temos backup, recuperação e continuidade testados — ou apenas documentados?

Há uma diferença enorme entre ter um plano e ter um plano testado. Entre saber que existe uma política de recuperação e saber quanto tempo demoramos a estar 100% operacionais.

Sabemos quem são os nossos parceiros críticos e que risco reputacional trazem para a nossa marca?

Cloud, software, plataformas, integradores, telecoms, managed services, empresas de outsourcing e até entidades com acesso a informação sensível, fazem hoje parte do círculo de confiança de uma empresa.

Se houver um incidente de segurança, sabemos quem fala, quando fala, a quem fala e com que nível de transparência?

Não basta saber quem recupera os sistemas. É preciso saber quem informa os clientes, parceiros, colaboradores, regulador e mercado. É preciso evitar os silêncios ensurdecedores, as mensagens contraditórias ou a tentação de tratar uma crise reputacional como se fosse apenas um “erro do informático”.

O marketing tem um assessment de risco reputacional digital como o IT tem um assessment do risco técnico?

As empresas avaliam riscos tecnológicos em termos de probabilidade, impacto, criticidade e mitigação. Quantos marketeers fazem o mesmo exercício para avaliar o impacto na marca, na reputação, na confiança dos clientes, na liderança e na comunicação? Que incidentes terão maior impacto reputacional? Que falhas de segurança serão imperdoáveis aos olhos dos nossos clientes? Que mensagens estão preparadas? Que canais serão usados? Quem aprova a comunicação? Que impacto terá uma crise de segurança na perceção de competência, solidez e confiança da marca? Esta rajada de perguntas serve para que a marca não conheça as suas vulnerabilidades no dia em que as tem de explicar publicamente.

Marketing para lá da expressão da marca

Se a segurança digital é parte da promessa de marca, se a continuidade operacional é parte da experiência do cliente, se o regulador obriga a maior preparação, se os nossos parceiros fazem parte da cadeia de confiança, se um ataque bem-sucedido pode resultar numa crise reputacional, se tudo isto é verdade, então o marketing, sobretudo o das grandes empresas, tem de alargar a sua responsabilidade.

Ao fazê-lo, as equipas de Marketing compreendem que sistemas suportam a promessa da sua marca, que riscos podem afetar a experiência dos clientes, que incidentes podem gerar dano reputacional e que papel deve ter a comunicação antes, durante e depois de uma crise de segurança.

Um marketing que não compreende o risco digital fica limitado à expressão da marca, mas ausente da sua defesa.

A tecnologia sustenta, a marca responde.

A tecnologia garante que a promessa da minha marca pode ser cumprida e o marketing ajuda a garantir que essa promessa é compreendida, valorizada e protegida. Quando assim é, a segurança deixa de ser apenas uma obrigação técnica e passa a ser um ativo substantivo da marca pelo que a pergunta que deve chegar ao board é simples:

A nossa marca está preparada para responder pela tecnologia de que depende?

Recomendado pelos leitores

O Papa e a IA
OPINIÃO

O Papa e a IA

LER MAIS

Nvidia e Microsoft levam a arquitetura do data center ao PC
OPINIÃO

Nvidia e Microsoft levam a arquitetura do data center ao PC

LER MAIS

IT CHANNEL Nº 128 JUNHO 2026

IT CHANNEL Nº 128 JUNHO 2026

VER EDIÇÕES ANTERIORES

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.