Sofia Santos, Manager Information Technology da Michael Page em 2022-11-23

NEGÓCIOS

Liderança

TI Sustentável: Utopia ou Realidade?

As TI sustentáveis ou verdes não são novidade. Na verdade, tem sido um tema de discussão entre os líderes já há vários anos.

TI Sustentável: Utopia ou Realidade?

Mas o conceito de sustentabilidade em geral, que as Nações Unidas definem como “satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as suas próprias necessidades”, é algo que as pessoas e organizações estão a dar mais prioridade do que nunca - e por uma boa razão.

As preocupações com o ambiente e as alterações climáticas estão à frente e no centro entre os líderes mundiais, grupos de defesa ambiental e a sociedade em geral. Pelo menos, assim aparentam. Os executivos e conselhos de administração das empresas querem que as suas organizações façam a sua parte - ou pelo menos sejam vistos como a fazer a sua parte - para ajudar.

Contudo, TI sustentável é um termo muito abrangente. No sentido mais lato, TI sustentável refere-se aos esforços para assegurar um impacto positivo no ambiente no que diz respeito à produção, utilização e eliminação de tecnologia. Mas, tal como acontece com muitos outros termos em tecnologia, as definições irão variar dependendo de quem as fornece. Ainda assim, a maioria das definições centra-se bastante na utilização de energia e nas emissões de carbono, ou melhor, na redução das mesmas. Porém, as TI sustentáveis também incluem tópicos como a redução de resíduos, gestão do fim do ciclo de vida dos produtos, e tópicos do foro social relacionados com o aprovisionamento sustentável, como a proteção dos direitos humanos.

Por exemplo, as práticas de TI sustentáveis podem incluir a análise do consumo de energia do centro de dados, bem como tecnologias facilitadoras, tais como software que facilita práticas empresariais mais sustentáveis através da funcionalidade e dos conhecimentos que proporciona.

É evidente que alguns dos principais incentivos estão relacionados com os impactos financeiros. Assim, as tecnologias sustentáveis podem aumentar a eficiência dos serviços de TI (e aumentar a eficiência global das empresas) utilizando tecnologias como a rastreabilidade, a análise, a inteligência artificial e as energias renováveis - e a questão é agora uma iniciativa de grande importância para a maioria dos CEO/CIO de muitas empresas, sendo que várias empresas já estabeleceram KPI estratégicos para a medição de desempenho ligados à sustentabilidade da organização de TI.

Os investimentos em tecnologia sustentável podem ser compensados pelo fornecimento de novas áreas de crescimento. Por exemplo, a Ocean Infinity aqui em Portugal utiliza modelos alimentados por Inteligência Artificial para melhorar a eficiência da navegação marítima.

A sustentabilidade também se tornou algo como um diferencial competitivo - de facto, está ao mesmo nível da confiança da marca entre os inquiridos.

A pandemia trouxe à superfície uma série de tendências sociais tais como o desejo de mudar a forma como os empregados trabalham e a fragilidade das cadeias de fornecimento globais de longa distância. Mais recentemente, a invasão russa da Ucrânia tem visado os fatores macroeconómicos que os CEOs enfrentam atualmente.

O que conseguimos observar é que existe muito interesse na sustentabilidade, mas por agora há mais fumo do que fogo.

Algumas empresas têm agora responsáveis pela sustentabilidade mas continuam a representar uma minoria. Enquanto algumas empresas estão dispostas a fazer o investimento para alcançar uma postura de sustentabilidade, muitas organizações não estão a fazer o investimento, ou pelo menos não estão a fazer um investimento suficiente.

No que diz respeito às TI sustentáveis, seria interessante se as empresas se concentrassem nas infraestruturas de TI e nos serviços no local de trabalho e dessem prioridade aos investimentos tecnológicos com base numa estratégia empresarial global como os serviços em nuvem para aumentar as taxas de utilização de recursos partilhados e reduzir os impactos ambientais; software empresarial de gestão de emissões de gases com efeito de estufa para facilitar a recolha, análise e comunicação de dados de emissões passadas, presentes e futuras; uma cadeia de fornecimento bloqueada para proteger, verificar e rastrear transações, por exemplo, para assegurar o sourcing ético.

O grande problema que permanece é a definição desta sustentabilidade. Muitas organizações estão agora a sentir a pressão de potenciais regulamentações, especialmente em áreas duramente atingidas pelas alterações climáticas. Este tipo de medidas leva a que algumas empresas optem por definir as suas próprias medidas de sustentabilidade que acabam por ser uma fachada, disfarçando o tão pouco que está a ser feito pelo nosso planeta. 

Sofia Santos

Manager Information Technology da Michael Page

 

Recomendado pelos leitores

Glintt nomeia nova comissão executiva
NEGÓCIOS

Glintt nomeia nova comissão executiva

LER MAIS

Portuguesa Magic Beans fecha 2022 com crescimento de 75%
NEGÓCIOS

Portuguesa Magic Beans fecha 2022 com crescimento de 75%

LER MAIS

Schneider Electric extende oferta de Micro Data Centers EcoStruxure para aplicações de TI em localizações edge
NEGÓCIOS

Schneider Electric extende oferta de Micro Data Centers EcoStruxure para aplicações de TI em localizações edge

LER MAIS

IT CHANNEL Nº 94 FEVEREIRO 2023

IT CHANNEL Nº 94 FEVEREIRO 2023

VER EDIÇÕES ANTERIORES

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.