2026-9-18

BIZ

Em Parceria com Context

Canal de IT português de ‘boa saúde’ acelera na primeira metade do ano e cresce quase 20%

A faturação atingiu 1.162 milhões de euros e acelerou no segundo trimestre. As áreas de infraestrutura, computação e software destacam-se entre os dados fornecidos pela Context

Canal de IT português de ‘boa saúde’ acelera na primeira metade do ano e cresce quase 20%
muhammad.abdullah / Magnific.com

O Canal de IT português entrou em 2026 com uma trajetória de crescimento que ganhou força ao longo do primeiro semestre. Os dados da Context mostram uma aceleração da faturação no segundo trimestre, suportada por desempenhos particularmente fortes em áreas de computação, infraestrutura e software, num período marcado pela renovação tecnológica das empresas e pelo aumento das necessidades de capacidade computacional.

Segundo os dados apresentados pela Context para o período entre 1 de janeiro e 19 de julho de 2026 e partilhados com o IT Channel, a faturação no Canal de IT em Portugal registou um crescimento de 19,7% em termos homólogos, o que corresponde a uma faturação de 1.162 milhões de euros.

Quando analisamos a diferença entre trimestres, o crescimento foi de 13,4% nos três primeiros meses do ano; já no segundo, os dados partilhados apontam para uma aceleração com um crescimento de 26,3%, quase o dobro.

Numa evolução mensal mais pormenorizada, os dados permitem concluir que janeiro apresentou o crescimento homólogo mais modesto – na ordem dos 4,9% –, enquanto junho registou o maior crescimento homólogo de todo o período analisado, de 38,5%.

Apesar do valor mais baixo no arranque do ano, a análise evolutiva até meio do ano mostra uma aceleração estrutural ao longo do primeiro semestre. Em julho, e até dia 19, o crescimento homólogo situava-se nos 22%, abaixo do valor registado em junho, mas acima dos 19,7% registados no acumulado desde o início do ano.

Infraestrutura domina crescimento

A análise por setores ajuda a compreender onde se concentra parte desta dinâmica. Os dados revelam um forte dinamismo na área de infraestrura, computação e software: o setor dos servidores é aquele que apresenta o maior crescimento, com 37,9%. Ainda dentro da infraestrutura, o setor de componentes de computação apresenta um crescimento de 29%, seguindo-se armazenamento de disco (21,1%). Ainda que não seja possível identificar o principal impulsionador por detrás destes números, o ímpeto da Inteligência Artificial (IA) e a modernização e aposta em data centers são dois dos fatores que poderão ajudar a justificar este crescimento.

O segundo maior crescimento concentra-se no setor de desktop (35,8%), ficando apenas atrás dos servidores. Associado a este crescimento está também o setor de computação móvel, que cresce 23,9%, ou seja, ambos os segmentos acabam por registar uma expansão expressiva, o que poderá traduzir-se num sinal de ciclo de renovação do parque informático, depois do fim do suporte ao Windows 10 em outubro de 2025 e com a expansão dos PC com IA.

Setor da Indústria (Variação homóloga das primeiras 29 semanas de 2026)
Servidores 37,9%
Desktop 35,8%
Componentes de Computação 29,0%
Software e Licenças 25,6%
Computação Móvel 23,9%
Armazenamento em Disco 21,1%
Displays 19,7%
Telecomunicações 11,0%
Garantias e Serviços 1,4%
Consumíveis de Impressão -19,2%

Fonte: CONTEXT

Consumíveis de impressão com descida acentuada

Contudo, nem todas as áreas registaram esta trajetória positiva. Ao contrário dos restantes setores apresentados, a área de consumíveis decresce 19,2%, numa diferença de 38,9 pontos percentuais comparativamente ao crescimento total do mercado no período em análise.

O setor de garantias e serviços também apresenta um crescimento modesto, de apenas 1,4%. Já os setores de telecomunicações (11%) e displays (19,7%) apresentam crescimentos abaixo ou em linha com o conjunto do mercado, respetivamente, ainda que abaixo dos crescimentos registados em setores como desktops e computação móvel.

Esta análise abre, contudo, espaço para uma interpretação importante: apesar dos servidores serem o setor que reportou o maior crescimento (37,9%), não é possível garantir que tenha sido o que mais contribuiu para a faturação total de 1.162 milhões de euros.

Servidores e memória RAM entre as categorias com maior crescimento

Na análise das 20 principais categorias, fica uma vez mais patente a ideia de que o crescimento de 19,7% na faturação total coincide com fortes crescimentos em áreas ligadas à infraestrutura, capacidade computacional e software empresarial.

Ainda que não seja possível concluir que os servidores são os principais responsáveis pelo crescimento do mercado, esta é a categoria que apresenta o maior crescimento, com 121,2%. Segue-se a categoria de memória RAM, com um crescimento de 102% no período em análise, e Appliances de Gestão de Rede e Segurança, cujo crescimento atinge os 88,4%, sendo este o terceiro maior crescimento entre as categorias apresentadas, evidenciando o forte crescimento da faturação nesta categoria A categoria de software de virtualização cresceu 46,8%, um movimento que pode ser analisado à luz das mais recentes alterações no ecossistema de fornecedores, nomeadamente após a aquisição da VMware por parte da Broadcom, num negócio marcado por várias mudanças, entre elas a reestruturação do modelo de licenciamento.

Categoria (Variação homóloga das primeiras 29 semanas de 2026)
Servidores 121,2%
Memória RAM 102,0%
Appliances de Gestão de Rede e Segurança 88,4%
Software de Virtualização 46,8%
Desktops 40,6%
Data Management Software 34,1%
Software de Segurança 26,3%
Garantias 24,4%
Notebooks 24,4%
Tablet PCs 23,7%
Processadores 22,8%
Software Aplicações de escritório 21,5%
Switches de rede 17,8%
Internal Solid State Drives (SSDs) 17,2%
Disk Arrays 15,6%
Monitores 15,3%
Smartphones 11,1%
Headsets 8,1%
Smartwatches -11,3%
Tinteiros -18,0%

Fonte: CONTEXT

No hardware, os desktops destacam-se com um crescimento na ordem dos 40,6% contra 24,4% nos notebooks. Ainda dentro da área de computação pessoal, os tablet PC apresentam um desempenho forte ao crescerem 23,7%, um valor acima dos 19,7% do mercado e próximo do registado nos notebooks.

A diferença é mais acentuada quando a comparação é feita com os dispositivos móveis. O retrato do mercado de 2026 até 19 de julho apresenta-se mais favorável à computação do que aos smartphones: a categoria cresce 11,1%, mas permanece abaixo dos valores registados pelos desktops e notebooks.

Impressão e smartwatches no vermelho

No extremo oposto encontram-se apenas duas das 20 categorias apresentadas: a categoria de tinteiros regista uma queda de 18%, um valor alinhado com a quebra anteriormente observada no setor consumíveis; a faturação recua igualmente nos smartwatches (-11,3%), sendo estas as duas categorias que estão em terreno negativo.

Resellers empresariais lideram crescimento por Canal

Ao analisarmos o crescimento da faturação por canal, podemos concluir que o mesmo está concentrado, sobretudo, em resellers empresariais, com um crescimento de 39,6% na faturação, seguindo-se os pequenos e médios resellers (22,3%). Os dados mostram taxas de crescimento superiores nestes dois grupos, enquanto no consumo as percentagens são mais modestas, com 11% no retalho e 3,8% no consumidor online.

O contraste é particularmente relevante no comércio eletrónico, com o segmento de retalhista online B2B a destacar-se como o único Canal analisado a apresentar uma quebra, de 2,7%.

A aceleração da faturação está em linha com as fortes subidas nas áreas de infraestrutura, computação, segurança e software e com um desempenho particularmente elevado dos resellers empresariais. Por outro lado, as áreas de consumíveis de impressão e o comércio eletrónico B2B apresentam uma evolução em sentido contrário.

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