Rui Damião em 2019-4-29

HARDWARE

O data center no epicentro da transformação digital

O mercado de data centers continua a evoluir favoravelmente. Portugal já não é utilizado apenas pelas empresas nacionais e a região começa também a ser descoberto por grandes nomes do mercado internacional que fixam operações no país. Cisco, DXC Technology, Equinix, Ingecom, Maxiglobal, Noesis, Nutanix, Schneider Electric e TBA discutem o panorama do mercado nacional de data centers

O data center é o local onde uma organização centraliza as suas operações e o seu equipamento de IT e onde armazena, gere e dissemina todos os dados que recebe. Numa altura em que se fala cada vez mais e transformação digital, os data centers são ainda mais importantes para as operações das organizações, mesmo que não sejam de base tecnológica. 

Segundo a IDC, um dos principais drivers de inovação para os data centers é o “próximo capítulo da transformação digital”, onde explica que a “transformação liderada por tecnologia está a alterar” não só os negócios, mas também a sociedade. 

Esta procura cada vez maior resulta, naturalmente, num ano positivo para o mercado de data center em Portugal. Pedro Moreira, Cloud & DevOps Solutions Lead da DXC Technology, afirma que a perceção é de que “a procura tem estado sensivelmente alinhada com o previsto”, uma vez que “o mercado tem procurado soluções diferenciadoras e apostam nos data centers que conseguem entregar este tipo de soluções”. 

Pedro Moreira ressalva, no entanto, que há data centers em Portugal que têm uma taxa de ocupação bastante baixa, o que pode resultar em algum tipo de desenhalimento entre a procura e a oferta, exatamente por existir um “excesso de oferta” no mercado nacional. 

 


 “Percecionamos uma procura cada vez maior pelos ambientes híbridos”

- José Azevedo, Smart Data Center Architect, Noesis 


 

Rita Lourenço, Key Account Manager da Schneider Electric, explica que existe uma tendência de crescimento no que diz respeito às clouds públicas. “Data centers no sentido de empresas de colocation, não no sentido de data centers próprios, privados, mas cada vez mais as empresas estão a externalizar serviços”. 

Na experiência da Noesis, partilhada por José Azevedo, Smart Data Center Architect, a procura é cada vez mais pelos ambientes híbridos. “Sentimos que há um grande investimento por parte das organizações com esta temática da transformação digital e parte desse investimento sem dúvida que é feito ao nível do data center”

Carlos Paulino, Diretor-Geral da Equinix, afirma que as previsões “extraordinariamente agressivas” feitas para este ano se estão a concretizar-se e que os números para o mercado interno “se estão a materializar”. Por outro lado, indica, a empresa foi surpreendida por um “crescimento muito significativo de procura vinda do exterior”. Estas empresas procuram Portugal pela posição estratégica, sendo um dos pontos de entrada na Europa. 

O Diretor Geral da Equinix explica, também, que as grandes plataformas de cloud provider a nível internacional começam a procurar o país. “Temos tido muitas consultas de clouds que obviamente começaram com grandes regiões centrais europeias e em vagas sucessivas têm expandida à periferia”, refere. 

Vítor Barreira, Sales Manager da Comstor (distribuidor Cisco), diz que, mesmo já contando com as contingências no atraso ao investimento, o mercado cresceu acima dos 30% no ano passado. O futuro perspetiva-se, também, otimista, uma vez que o crescimento está acima do que era expectável inicialmente. 

Já em termos de tendências, Vítor Barreira partilha que muito do investimento tem sido feito no caminho dos modelos híbridos e, principalmente, em “alterações de arquitetura como soluções de hiperconvergência, que permitem uma eficiência muito maior do ponto de vista da otimização de recursos”. 

Celso Capão, Senior Systems Engineer na Nutanix, refere que o mercado tem adotado modelos de cloud pública, mas numa perspetiva híbrida. Quer isto dizer que as empresas precisam de “manter alguma propriedade intelectual no data center centralizado, mas ter a escalabilidade e a agilidade de conseguir aprovisionar workloads em locais remotos ou em clouds públicas”. 

Tal como os restantes participantes da mesa redonda, Celso Capão partilha que a perspetiva é de crescimento positivo e que “as transformações que vão surgir nos próximos anos”, como Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), vão acompanhar esta evolução favorável. 

 


“Os data centers estão a ficar cada vez mais reduzidos em dimensão, mais compactos” 

- Luís Pinho, CEO, Maxiglobal 


 

Nuno Martins, Country Manager da Ingecom, explica que a visão do data center para a sua empresa “está relacionado com aquilo que rodeia a proteção do dado”. A Ingecom tem “notado um crescimento em linha com aquilo que é a evolução natural da geração de dados” e onde a “resposta do mercado à capacidade de armazenamento por si mesmo e para a gestão de toda essa informação tem acompanhado essa mesma exigência”. 

Para Luís Pinho, CEO da Maxiglobal, este crescimento no mercado de data centers está a ser ligeiramente alterado em relação ao passado. “Os data centers estão a ficar cada vez mais reduzidos em dimensão, ou seja, mais compactos”, refere, acrescentando que “há uma alteração de paradigma fruto da alteração dos sistemas que são colocados lá dentro, a hiperconvergência”. 

José Rodrigues, CEO da TBA, distribuidor da Supermicro, explica que no caso do hardware se nota uma “procura por parte das entidades por arquiteturas diferentes”. Na opinião de José Rodrigues, a cloud “não pode ser uma arquitetura uniforme para toda a gente” e estas arquiteturas “têm de ser primeiro concebidas e só depois colocadas na cloud”. 

 

Transformação digital no centro da procura 

A transformação digital é necessária para as empresas. Nos últimos 15 anos desapareceram perto de 50% das empresas da Fortune 500 por terem falhado uma reinvenção dos seus negócios. As empresas mais antigas da Fortune 500 estão a desaparecer, o que significa que ou perdem participação de mercado, abrem falência ou são adquiridas por outras organizações. A vida útil média das empresas da S&P em 2019 é ligeiramente superior a 20 anos, em comparação com os 33 anos em 1964. 

Vários analistas colocam a transformação digital como uma tendência para os próximos anos. A IDC estima que 40% de todos os gastos de tecnologia estão relacionados com projetos de transformação digital, atingindo os dois biliões de dólares em 2019. 

A previsão da Gartner vai no mesmo sentido: os gastos de IT estão a aumentar e a transformação digital tem uma grande ‘culpa’ nesse crescimento. 

Neste sentido, é importante fazer um investimento em todas as infraestruturas que capacitam o negócio. O data center não é exceção e é preciso preparar estes centros de dados para a procura que vão sofrer à medida que as empresas vão digitalizando os seus negócios. 

 


“O modelo de data center como um repositório de dados isolado não faz sentido nenhum”

- Carlos Paulino, Diretor-Geral, Equinix 


 

José Azevedo refere que a Noesis tem sentido que existe “um investimento nesta temática” e que parte desse investimento “é feito ao nível do data center”. 

O Smart Data Center Architect refere que há várias tecnologias emergentes, como edge computing, IoT e 5G, por exemplo, que fazem com que os data centers se tenham de preparar para as mais recentes necessidades. 

“Isto poderá passar para, sem deixar de utilizar os modelos que existem à data, modelos como hiperconvergência, modulares, sistemas mais pequenos que, inevitavelmente, terão que estar mais próximos do cliente”, indica. 

Rita Lourenço (Schneider Electric) relembra que cada segmento tem as suas especificidades, mas que existem tendências comuns que são iguais para todos os segmentos. “Para responder a estas tendências, uma empresa tem de estar ajustada e tudo depende da infraestrutura”, refere. 

A transformação digital obriga a “transformações de base, desde a infraestrutura até às necessidades específicas de cada negócio”, explica Pedro Moreira (DXC Technology). 

Estas novas arquiteturas “colocam uma pressão tremenda nos data centers locais”, mas continuam a existir argumentos para continuar a desenvolver aplicações localmente, em data centers on-premises. No entanto, “isto obriga a uma transformação não só do ponto de vista tecnológico, mas também dos processos da forma como se gerem as infraestruturas até à entrega de serviços e ao suporte das aplicações”. 

Carlos Paulino (Equinix) acredita que todas as novas tecnologias, como inteligência artificial, blockchain, IoT, entre muitos outros, vão “convergir numa necessidade de consumo de dados exponencial” onde o ponto fulcral será a interconexão. 

“Acredito que o modelo de data center como um repositório de dados isolado não faz sentido nenhum. Tem seguramente como maior potenciador ser um adjuvante da transformação digital ter uma localização com uma extraordinária conectividade a todos os players e stakeholders da área que consiga modelos de entrega de serviços com uma escalabilidade e uma rapidez de entrega que não estamos habituados a ver ao dia de hoje”, refere. 

 


“O data center, toda a infraestrutura, tem de ter um deployment relativamente rápido”

- Vítor Barreira, Sales Manager  da Comstor, (distribuidor Cisco) 


 

“Os data centers sempre suportaram o negócio”, diz Vítor Barreira (Distribuidor Cisco), indicando que a novidade é “a integração e uma abertura de tal maneira que a resposta aos clientes seja mais rápida e imediata e, até, self-made”. O facto de estarmos num mundo em constante mudança obriga a que o data center “tem de ter um deployment relativamente rápido”. 

“Hoje, o negócio desenvolve, diz ‘quero estar aqui’. Não podemos demorar seis meses, se demorar seis meses já passou a oportunidade”. 

Para Luís Pinho (Maxiglobal) esta tendência é “a continuação de algo que se tem vindo a fazer”. A infraestrutura, nomeadamente o data center, tem de se adaptar às necessidades da transformação digital e à “procura constante de novas aplicações, de coisas cada vez mais rápidas”. 

A transformação digital, diz Luís Pinho, obriga a que exista também uma transformação na parte da infraestrutura, o queleva a que os data centers sejam mais de periferia. 

José Rodrigues (TBA) relembra que há uns anos apenas existiam três ou quatro modelos de sistema sobre o qual se podia construir uma arquitetura. No entanto, atualmente, “a variedade de sistemas sobre o qual se pode construir uma arquitetura para data center é muitíssimo maior”. 

Isto, segundo o CEO da TBA, faz com que o trabalho das empresas seja perceber as necessidades do cliente e a partir dessas necessidades construir uma solução que permita a transformação digital. 

“Essa construção da solução não passa pelo deployment rápido, passa por um aconselhamento, uma procura de soluções, para algo que se calhar ainda não existe, mas que as novas tecnologias começam a permitir”, explica José Rodrigues. 

O CEO explica que a procura que a empresa tem notado ao nível de sistemas “é mais especializado do que costumava ver”.

“Tem requisitos específicos do ponto de vista de velocidade ou de capacidade ou de tempo de resposta... há sempre qualquer coisa que foge ao genérico daquilo que já existe e aquilo que está disponível”, refere. 

Nuno Martins (Ingecom) explica que “a transformação digital anda atrás daquilo que é a procura dos clientes”.

Como tal, as empresas têm de pensar não naquilo que são capazes de fazer dentro de casa, mas sim nos serviços que são capazes de integrar”. 

“A transformação digital vem efetivamente alinhar aquilo que é a procura por parte da exigência do cliente e vai de forma natural obrigar as empresas a utilizarem as novas tecnologias”, diz. 

Celso Capão (Nutanix) explica que um cliente que “está à procura de um modelo de transformação digital não está simplesmente a transitar de um equipamento para outro porque está em fim de vida”. 

Os clientes estão “à procura de soluções que lhe permitam transformar o negócio, acima de tudo trazer novas oportunidades de negócio, novos serviços e, se vai manter um serviço que já tem hoje, ter um desempenho melhor”. Os objetivos associados a essas necessidades, refere, estão “diretamente associados à infraestrutura”. 

 


“A construção da solução não passa pelo deployment rápido; passa por um aconselhamento, uma procura de soluções, para algo que, se calhar, ainda não existe” 

- José Rodrigues, CEO, TBA, distribuidor da SuperMicro 


 

Os desafios da infraestrutura 

Construir e preparar um data center, seja qual for o seu tamanho, tem determinados desafios que tem de ser abordados o quanto antes. 

“A eficiência é o ponto crítico da conceção de qualquer data center”, indica Carlos Paulino. 

Dando o exemplo da própria Equinix, que está a aumentar os seus espaços para criar novos data rooms, o Diretor-Geral refere que existe uma evolução significativa do que é o novo modelo de data center e que passa pela eficiência de uma grande quantidade de equipamentos de suporte, da flexibilidade de tudo o que são circuitos de interligação, a necessidade de níveis de segurança mais elevados. 

O CEO da Maxiglobal refere que “os novos desafios não são propriamente novos”. Estes desafios de “eficiência, da largura de banda, da segurança, vão sempre ser alterados em função das necessidades, dos equipamentos que se colocam lá dentro”. 

Por sua vez, Pedro Moreira defende que “há um desafio que já está presente e que está relacionado com a questão da operação do data center”. As necessidades atuais estão alinhadas com a velocidade a que os negócios evoluem e que têm repercussões até ao nível da infraestrutura. 

“A rapidez a que hoje em dia temos de aprovisionar recursos que têm de fazer a entrega da nova capacidade é muito superior ao que estamos habituados”. 

Esta situação, explica, está alinhada com os processos atuais de desenvolvimento aplicacional, a entrega e a integração contínua e a necessidade de deployment em segundos de novas aplicações ou novas versões. 

Para garantir uma entrega de serviço eficiente, um dos pontos que as empresas devem investir é na automação de processos. José Azevedo (Noesis) refere que “o retorno é efetivamente grande”. As estratégias de análises preditivas e preventivas permitem garantir “que não venham a existir quebras que tenham um impacto significativo no data center”. 

Rita Lourenço partilha três pontos importantes para a eficiência da operação do data center: a eficiência energética per si, sistema de monitorização e os funcionários. Em primeiro lugar, existem, por vezes, casos de sobredimensionamento, o que faz com que o consumo energético aumente, reduzindo a eficiência do data center. Rita Lourenço dá o exemplo do cooling que “representa 60% do consumo do data center”. 

“Se o data center está sobre dimensionado, o cooling será uma questão impactante no consumo.” O segundo ponto é a monitorização do data center, até porque “o que não se mede, não existe”. 

“Se fizermos a medição diária dos equipamentos, e não apenas na altura de fazer os estudos, podemos perceber que, se calhar, um equipamento que tem uma média de vida de dez anos, pode ter 12 anos de vida no data center”. 

Por fim, os próprios colaboradores do data center. “As empresas que têm data centers têm de ter pessoal especializado e reduzir a rotatividade dos empregados que operam o data center, esse é o grande segredo”. 

Deste modo, explica a Key Account Manager, é possível poupar os custos de uma nova contratação e da formação de novos colaboradores dentro da organização. 

 


A rapidez a que hoje em dia temos de aprovisionar recursos que têm de fazer a entrega da nova capacidade é muito superior ao que estamos habituados”

- Pedro Moreira, Cloud & DevOps Solutions Lead, DXC Technology 


 

Proteção de ponta a ponta 

“Há uma necessidade de não manter a segurança externalizada ao que é o data center”, defende Nuno Martins, da Ingecom. O problema da segurança é “cada vez mais transversal a todos” o que resulta numa convergência entre “a equipa fechada de segurança e a equipa do IT da infraestrutura"

Para a Ingecom, a proteção do dado é um dos fatores mais importantes quando se fala de cibersegurança no data center. “Num nível em que efetivamente está a começar a parecer e em que é extremamente interessante é a componente de analítica da análise de comportamento. Já não basta garantir que temos os dados protegidos em termos de processos externos, mas cada vez precisamos mais de perceber efetivamente como é que os dados são usados dentro das organizações”. 

Segundo o Smart Data Center Architect da Noesis, “a cibersegurança é um tema que só conseguiremos endereçar precisamente pela utilização de ferramentas de automação para garantir que se consegue tratar essas grandes quantidades de dados, que se consegue fazer a análise preditiva, focando-nos em determinado tipo de padrão, que nos indicará efetivamente que existe uma potencial falha”. 

Ao mesmo tempo, defende José Azevedo, é preciso garantir que este tipo de abordagens “funciona para um grande número de casos”. 

Para a DXC, a segurança atual é um modelo end-to-end. “Deixou de se produzir software confiando que a porta da firewall mais tarde, quando estiver instalada, nos vai garantir todas as seguranças de que necessitamos”, explica Pedro Moreira. “A nossa noção de perigos de segurança mudou drasticamente e os dados críticos das empresas passa a estar em locais muito mais vulneráveis. Na verdade, se as coisas forem feitas e segurança endereçada end-to-end, isto não é um problema – pelo contrário, é uma solução face aos riscos nas arquiteturas mais antigas”. 

O Cloud & DevOps Solutions Lead da DXC Technology, “no tema do data center em concreto, uma tecnologia em particular que beneficia deste modelo, que são Software Defined data centers, em que podemos definir toda a nossa infraestrutura baseado em software ou mesmo como código – Infrastructure-as-a-Code.” 

 


 “Os clientes estão à procura de soluções que lhe permitam transformar o negócio, trazer novas oportunidades de negócio e novos serviços”

- Celso Capão, Senior Systems Engineer, Nutanix 


 

A importância da inteligência artificial 

A Inteligência Artificial (IA) é uma das tecnologias regularmente faladas numa variedade de setores dentro da tecnologia. Nos data centers não é diferente e a IA pode ter um papel importante, por exemplo, na manutenção. 

Pedro Moreira afirma que há várias áreas onde a DXC já coloca mecanismos de inteligência artificial “essencialmente numa manutenção preventiva”. 

“Analisamos os nossos históricos de incidentes, conseguimos auto remediar muitos deles, conseguimos pré-diagnosticar aqueles que não foram resolvidos automaticamente. Conseguimos reduzir, em alguns clientes, 80% do número de tickets abertos de incidentes”, exemplifica. 

A IA é uma das áreas onde se investe cada vez mais. “Penso que o tema esteve há algum tempo um pouco estagnado, mas também está relacionado com as questões de desconfiança”, refere José Azevedo. 

Em termos de utilização, explica o representante da Noesis, com a análise preditiva. “A inteligência artificial acaba por estar relacionada com o próprio machine learning, de conseguir recolher essa informação, tratá-la e fazer a análise necessária”. 

Já no caso da Cisco, partilha Vítor Barreira, a inteligência artificial embebida e mecanismos de machine learning são “já indispensáveis”.

A sobrecarga da informação e a decisão e o apoio à decisão têm de ser mais do que a analítica”, até porque é impossível trabalhar a informação erada em tempo real. 

Celso Capão refere que “a capacidade de tratar informação que está dispersa é um dos principais desafios” onde a IA pode ajudar. A inteligência artificial tem a capacidade para analisar inúmeros dados, por exemplo, da eficiência e do consumo energético dos componentes, onde terá capacidade para recolher, analisar e alertar para os pontos principais e alertar os utilizadores. 

Através da análise preditiva, a inteligência artificial pode, também, distribuir workloads pelos servidores para que não sejam registadas qualquer tipo de ineficiências na utilização desses mesmos servidores. 

 


“Normalmente, os equipamentos são sempre sobredimensionados e isso tem uma eficiência energética muito reduzida”

- Rita Lourenço, Key Account Manager, Schneider Electric 


 

O papel dos Parceiros 

Como em vários mercados especializados do IT, os Parceiros que se focam em data centers são importantes para as empresas. São eles que permitem aconselhar melhor o cliente final sobre as suas reais necessidades e não aquilo que acham que precisam. 

Rita Lourenço partilhou o caso da Schneider Electric. “O que fazemos com os Parceiros é desenhar uma solução global, agregar algumas componentes que a Schneider Electric não tem no seu portfólio e entregar uma solução completa ao cliente”. 

A solução sugerida passa “por uma avaliação do que é que o cliente tenciona adquirir” que será feita em conjunto com o Parceiro, Parceiro esse que dará o suporte para indicar a melhor solução tanto em termos de infraestrutura, como em termos de software. 

A Nutanix, por seu lado, não faz venda direta e conta com os Parceiros para chegar aos clientes. Celso Capão explica que a mensagem que a Nutanix passa aos Parceiros é que “há sempre uma fase de aperfeiçoamento e de adoção da tecnologia; posto isso, acaba por ser relativamente fácil”  fechar o negócio. 

Celso Capão explica que a empresa tem um Programa de Canal com requisitos a cumprir, mas que o facto de estar há pouco tempo no mercado dá “flexibilidade” e de a empresa “se adaptar um bocadinho às necessidades de cada um”. 

 


 “Há uma necessidade de não manter a segurança externalizada ao que é o data center”

- Nuno Martins, Country Manager, Ingecom 


 

A Equinix está agora a dar os primeiros passos para colocar o seu Programa de Canal disponível em Portugal. Carlos Paulino explica que a ideia passa por implementar o Canal de Parceiros internacional que está a dar “resultados muito significativos”. 

O Diretor- Geral refere que a empresa tem um determinado número de serviços que consegue entregar num data center que consegue standardizar, o que permite tornar o modelo reseller “extraordinariamente mais simples”. 

No entanto, a Equinix mantem toda a sua estrutura taylor made para que seja possível entregar exatamente o que o cliente procura. 

O Canal da área de segurança percebe que este é um negócio recorrente e, assim sendo, não encontra alguns problemas que os Parceiros por vezes podem encontrar. Nuno Martins explica que “quem se limitar à venda tradicional terá o futuro complicado”. 

É preciso os Parceiros acrescentarem valor naquilo que são os processos de venda e entrega de soluções, terá o problema constante das margens e da concorrência. 

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