2026-6-11
Pedro Vieira apresentou a visão da HP para o futuro do trabalho e como os dispositivos têm um papel central nessa realidade
Pedro Vieira, Channel Sales Manager, HP
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O palco do Channel On recebeu Pedro Vieira, Channel Sales Manager da HP, que apresentou a visão da empresa sobre o futuro do trabalho e o papel que os Parceiros de Canal têm de desempenhar nessa transformação. O trabalho como o conhecemos já não existeA apresentação arrancou com uma premissa: o mundo não está a mudar; já mudou. As empresas que ainda estão à espera de perceber para onde sopra o vento perderam, provavelmente, a janela de adaptação mais confortável. Pedro Vieira identificou três grandes forças que têm reconfigurado a forma como as organizações operam, e nenhuma delas é nova. O que é novo é a velocidade a que convergem em simultâneo. A primeira, e mais evidente, é a Inteligência Artificial (IA), mas o responsável da HP foi rápido a afastar a leitura da substituição de funções e da automatização em massa. O argumento que trouxe para a sala foi outro: a IA está sobretudo a ampliar a capacidade de decisão dos colaboradores. “Não apenas de automatismos, mas sobretudo está a ajudar muito os colaboradores a terem cada vez mais poder de decisão, a decidirem melhor, a inovarem mais no seu trabalho”, afirmou. Uma distinção relevante para quem vende tecnologia a empresas é que o argumento de venda deixou de ser eficiência operacional para passar a ser capacitação humana. A segunda força é a geopolítica. A instabilidade económica global — com cadeias de fornecimento a serem redesenhadas, tarifas a reaparecerem na agenda e incertezas regulatórias a multiplicarem-se — está a obrigar as empresas a repensar modelos operacionais que pareciam estáveis. Investimentos que antes eram plurianuais passaram a ser revistos de seis em seis meses, o que tem implicações na forma como se encaram as decisões de IT. A terceira força é, talvez, a menos óbvia. Existe uma tensão crescente entre o que as empresas precisam e o que os trabalhadores querem. “As companhias precisam de crescer e os empregados desejam realização profissional e flexibilidade”, resumiu Pedro Vieira. Uma dicotomia que está a criar fricção dentro das organizações. A isto junta-se uma realidade que já é incontornável no recrutamento: os trabalhos híbrido e remoto deixaram de ser benefícios opcionais para passarem a ser condições de entrada no mercado de trabalho. Para os Parceiros de Canal, a mensagem é de que as empresas que ainda não modernizaram as suas infraestruturas de suporte ao trabalho híbrido estão a acumular um défice que vai ter de ser resolvido. A relação com o trabalhoPara sustentar o diagnóstico, a HP foi ao terreno. A empresa conduziu um estudo global, o “HP Work Relationship Index”, abrangendo 14 países e cerca de 18 mil pessoas, tanto em economias emergentes como desenvolvidas. O objetivo era perceber qual é realmente a relação das pessoas com o seu trabalho e não a perceção que os gestores têm dessa relação. Apenas 20% dos trabalhadores considera que tem uma relação saudável com o seu trabalho. Oito em cada dez pessoas chegam ao escritório, seja físico ou remoto, numa condição que não é a ideal para produzirem, inovarem ou colaborarem. Para os Parceiros de Canal, esta é uma oportunidade de dimensão considerável. Cada empresa com dez, cinquenta ou mil colaboradores representa potencial de negócio. O estudo trouxe ainda uma conclusão que contradiz algumas das narrativas mais instaladas sobre bem-estar laboral. O que mais penaliza a satisfação e a realização dos trabalhadores não é o work-life balance, nem o número de horas trabalhadas, nem sequer a remuneração. É algo mais concreto e, de certa forma, mais fácil de endereçar: a forma como desempenham o seu trabalho e as ferramentas que têm à disposição para o fazer. Esta conclusão tem uma implicação direta para o Canal. A conversa com os clientes sobre tecnologia de trabalho deixa de ser uma conversa sobre especificações e preços para passar a ser uma conversa sobre impacto humano e organizacional. Um portátil mais rápido ou um monitor com melhor resolução não são atualizações de hardware, mas sim intervenções na qualidade da experiência de trabalho de pessoas concretas. O IT está a ser ignoradoUm dos momentos mais incisivos da apresentação foi a análise do papel dos líderes de IT dentro das próprias organizações. Os dados são reveladores de uma disfunção estrutural que afeta muitas empresas e que representa, simultaneamente, um problema e uma oportunidade para o Canal. Apenas 27% dos profissionais acredita que a sua empresa lhes fornece atualmente a tecnologia adequada para fazerem bem o seu trabalho. O verdadeiro paradoxo emerge quando se cruza com os outros dois dados que Pedro Vieira apresentou: 71% dos profissionais de IT acredita que pode ter um impacto significativo na experiência dos colaboradores e somente 37% dos líderes empresariais envolve efetivamente o IT nos processos de decisão relacionados com essa experiência. Existe, assim, uma função dentro das organizações que sabe que pode fazer a diferença, que tem as ferramentas para isso, mas que sistematicamente é deixada de fora das decisões estratégicas onde essa diferença poderia ser feita. O IT é convocado para resolver problemas operacionais, mas raramente para co-desenhar experiências. Para Pedro Vieira, este gap não é apenas um problema de governance interna das empresas, mas uma lacuna que os Parceiros de Canal podem e devem ajudar a colmatar. Portfólio e ParceriaA HP tem vindo a incorporar estes insights diretamente no desenvolvimento e organização do seu portfólio. A proposta da empresa estrutura-se em cinco eixos estratégicos que respondem, ponto a ponto, às disfunções identificadas pelo estudo: equipar a força de trabalho do futuro; capacitar os CIO com as ferramentas certas; potenciar o poder dos dados de cliente através de ferramentas DEX, nomeadamente o HPXW; criar experiências integradas e mais completas em todo o portfólio; e desenvolver uma nova geração de dispositivos com IA. No que respeita à amplitude da oferta, Pedro Vieira reforça o que a HP tem: computação, impressão, colaboração, periféricos, serviços e software. “Temos o portfólio mais vasto de endpoint”, afirmou, posicionando a HP não como um fabricante de dispositivos, mas como um Parceiro capaz de endereçar necessidades transversais, com soluções que comunicam entre si e que contribuem para uma experiência de trabalho mais coerente e menos fragmentada. A gestão da experiência digital do colaborador (DEX, no acrónimo em inglês) é um mercado em crescimento acelerado, à medida que as organizações percebem que a produtividade não depende apenas de ter bons dispositivos, mas de perceber em tempo real como esses dispositivos estão a ser usados, onde estão a criar fricção e como podem ser otimizados. Ter dados sobre a experiência dos colaboradores transforma o IT de função reativa em função estratégica. 87 anos a construir o futuro do trabalhoPara fechar a apresentação, Pedro Vieira recorreu à história da própria empresa para ancorar a narrativa num plano mais longo. A HP foi fundada há 87 anos por Bill Hewlett e David Packard e logo desde a origem, os dois fundadores introduziram conceitos que à época eram genuinamente disruptivos: trabalho f lexível, mecanismos de compensação de ausências e uma preocupação com sustentabilidade que antecedeu em décadas a sua entrada na agenda corporativa. Num mercado onde a narrativa sobre o futuro do trabalho está saturada de novos players, startups e promessas de disrupção total, a HP escolheu um posicionamento diferente: não é uma empresa que está a descobrir este tema; é uma empresa que o tem trabalhado, de formas diferentes, ao longo de quase um século. “Temos o portfólio, temos os profissionais, sabemos o que vamos fazer e queremos fazê-lo com vocês”, disse, Pedro Vieira. Na visão da HP, os Parceiros não são apenas um Canal de distribuição, mas parte indissociável da equação para transformar o futuro do trabalho. |