2026-6-12

CHANNEL ON

Fortinet: “O facto de termos POP próprios garante previsibilidade de custos; não há necessidade de depender de terceiros”

A visão da Fortinet foi o foco da apresentação de Nuno Reis no palco do Channel On, assim como as oportunidades de crescimento em conjunto com os Parceiros

Fortinet: “O facto de termos POP próprios garante previsibilidade de custos; não há necessidade de depender de terceiros”

Nuno Reis, Channel Marketing Manager, Fortinet

O palco do Channel On recebeu Nuno Reis, Channel Marketing Manager na Fortinet, que apresentou a visão da empresa numa era em que cibersegurança e redes convergem de forma cada vez mais acelerada.

Três pilares, um mercado em expansão

A apresentação arrancou com uma leitura do mercado que serve de base a toda a estratégia da Fortinet. Nuno Reis estruturou a oferta da empresa em três pilares distintos, cada um com dinâmicas próprias e, sobretudo, com números que justificam a atenção por parte dos Parceiros.

O primeiro pilar é o Secure Networking, firewalls, com switching e Wi-Fi, aquilo que o responsável da Fortinet descreve como “a oferta mais tradicional” da empresa. Um mercado avaliado em 66 mil milhões de dólares, com uma projeção de crescimento de 8% ao ano entre 2025 e 2029. Em Portugal, é ainda o pilar dominante, o alicerce histórico do negócio.

O segundo pilar, o SASE é o que cresce mais depressa. Com uma valorização de 78 mil milhões de dólares e uma taxa de crescimento prevista de 18% no mesmo período, é também o mais complexo de explicar. Nuno Reis disse que “SASE não é apenas uma solução, há muitos outros projetos e tecnologias que gravitam em seu redor, como SD-WAN, Secure Service Edge e cloud”.

O terceiro pilar, Security Operations, é o mais vasto em termos de valor absoluto: 165 mil milhões de dólares, com crescimento projetado de 10%. É aqui que cabem a proteção da informação, a gestão de exposição ao risco e a vulnerabilidade, temáticas que saíram do domínio exclusivo dos especialistas para entrar nas conversas do board. “Fala-se muito de segurança da própria informação”, indicou, “e isso compõe também este mercado, a par de uma área nova: a gestão de vulnerabilidades”.

Uma empresa construída para durar

Antes de avançar para o que isto significa concretamente para os Parceiros, Nuno Reis fez uma paragem para contextualizar o peso da Fortinet no mercado global para mostrar a confiança do mercado.

A empresa fatura mais de sete mil milhões de dólares em billings anuais, tem lucros GAAP desde 2009, acumula 1.360 patentes e conta com mais de cem mil Parceiros em todo o mundo. São dados públicos, verificáveis, e o responsável da Fortinet sabe bem porque os cita: num setor em que os Parceiros constroem práticas de negócio sobre plataformas de terceiros, a estabilidade financeira do fabricante não é um simples detalhe.

Há um número que se destaca, porém, e que Nuno Reis sublinhou: mais de 50% das firewalls vendidas a nível mundial são Fortinet. “Sabendo que a firewall é um controlador dos diferentes produtos da Fortinet, este dado é muito interessante para os Parceiros. A partir dela, podem expandir a solução em função das diferentes necessidades do cliente”.

Convergência

Se houvesse uma palavra para resumir a proposta da Fortinet, Nuno Reis não hesita em escolhê-la: convergência. A Fortinet desenvolve o seu próprio sistema operativo, o FortiOS, presente em todas as soluções da plataforma. Produz os seus próprios chips, desenhados especificamente para processar grandes volumes de informação em contexto de cibersegurança. E constrói um ecossistema de serviços que acompanha o ciclo de vida completo dos projetos.

A consequência prática desta convergência traduz-se em três vetores que ressoam diretamente na agenda dos decisores de IT: melhor postura de segurança, porque a visibilidade sobre toda a rede é centralizada; redução de custos, porque a consolidação num único vendor elimina redundâncias tecnológicas; e simplificação operacional, porque há um único dashboard.

“A partir de uma única firewall conseguimos chegar a mais de 30 outputs diferentes”, ilustrou. A ideia não é nova, mas a escala a que a Fortinet a executa distingue-a da concorrência. A jornada do cliente que Nuno Reis apresentou reflete esta lógica de expansão progressiva. Começa pela firewall, evolui para a gestão da LAN com switching e wireless, avança para o acesso seguro com NAC, passa pela conectividade externa via SD-WAN e culmina no SASE, tudo assente numa camada de zero trust que garante mobilidade de utilizadores e informação com visibilidade e controlo totais.

Infraestrutura global, impacto local

Num slide que mostrava a presença global da Fortinet, o responsável da Fortinet foi além da geografia. A rede de data centers próprios tem impacto direto em dois planos: o suporte e o SASE.

Na componente de suporte, a lógica é follow the sun: cobertura contínua, sem dependência de fusos horários. Na componente SASE, a infraestrutura própria tem uma implicação financeira que importa comunicar aos clientes finais. “O facto de termos POP próprios garante previsibilidade de custos; não há necessidade de depender de terceiros”, explicou.

Os números falam por si: mais de 170 localizações cloud globais, cinco milhões de metros quadrados de infraestrutura total e um SLA de disponibilidade de 99,999% para o FortiSASE.

Inteligência Artificial

O tema da Inteligência Artificial (IA) está em todas as apresentações de cibersegurança. Nuno Reis optou por uma abordagem diferente: em vez de listar capacidades, foi direto ao ponto que muda a conversa.

Numa infraestrutura madura, o dwell time médio é de 14 dias. Com recurso a IA, esse período comprime-se para horas. “Este é o efeito mais impactante da utilização de IA na componente de cibersegurança”, afirmou o responsável da Fortinet.

A aplicação mais relevante concentra-se no terceiro pilar, nas plataformas SIEM e SOAR, que funcionam como coletores de informação de todas as soluções do ecossistema. A IA entra aqui para fazer o filtro e a priorização dos eventos, reduzindo a fadiga operacional das equipas de segurança, acelerando a deteção de ameaças e suportando processos de threat hunting e remediação.

Mas o FortiAI está também presente noutros contextos, alguns deles surpreendentemente práticos. Nuno Reis deu um exemplo concreto: “podemos fazer um diagrama de rede num guardanapo, fotografá-lo e colocá- lo em sistema. A solução faz o esquema com os diferentes componentes, firewalls, switches e IP e devolve o mapa de rede para essa infraestrutura”.

O que os Parceiros ganham concretamente

Nuno Reis também apresentou o Programa de incentivos da Fortinet, o FortiRewards, com a clareza de quem sabe que os Parceiros precisam de números, mais do que promessas.

O Programa estrutura-se em vários níveis. No deal registration, os Parceiros recebem 1% de rebate backend em novos clientes acima dos 20 mil dólares de preço público e 0,5% em expansão de parques existentes. Mas os incentivos mais significativos concentram-se nos dois pilares de maior crescimento: SASE e Security Operations, com um rebate backend de 2% para vendas elegíveis acima de 30 mil dólares de preço público, disponível exclusivamente para Parceiros com especialização nestas áreas.

Há ainda um Programa VIP, por convite, que pode atingir 5% de rebate para Parceiros que cumpram os seus revenue targets. Para os Parceiros com crescimento igual ou superior a 25% trimestre após trimestre, existe um reconhecimento específico dentro do Programa de receita recorrente.

Dois benefícios não financeiros merecem destaque particular. O primeiro são soluções gratuitas para uso interno disponíveis para especialistas certificados em SASE, SecOps e cloud que cumpram critérios de crescimento. O segundo é o financiamento de exames de certificação NSE, nomeadamente NSE 7 e NSE 6 em OT, disponível para todos os Parceiros. “A especialização torna-se uma obrigação”, foi a formulação de Nuno Reis, alinhando a expertise com as áreas de maior crescimento do mercado.

A mensagem subjacente é de que a Fortinet não quer Parceiros generalistas a vender firewalls; quer Parceiros especializados, certificados e crescentes nos pilares onde o mercado está a acelerar. Os incentivos estão desenhados para empurrar nessa direção.

Recomendado pelos leitores

Workshops técnicos reforçam programa do Channel On 2026
CHANNEL ON

Workshops técnicos reforçam programa do Channel On 2026

LER MAIS

Channel Awards 2026: conheça os finalistas por categoria
CHANNEL ON

Channel Awards 2026: conheça os finalistas por categoria

LER MAIS

Channel Awards 2026: os melhores Parceiros de IT reconhecidos no Channel On
CHANNEL ON

Channel Awards 2026: os melhores Parceiros de IT reconhecidos no Channel On

LER MAIS

IT CHANNEL Nº 128 JUNHO 2026

IT CHANNEL Nº 128 JUNHO 2026

VER EDIÇÕES ANTERIORES

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.