Miquel Soler | Diretor de IT Services Ricoh Espanha & Portugal em 2019-1-29

OPINIÃO

Precisamos de redes públicas de IoT

Há anos que se fala da Internet das Coisas (IoT, Internet of Things) e que nos deixamos levar pela sua corrente de ideias, resultados maravilhosos e utilidade das suas diversas aplicações. Parece evidente que a IoT chegou para ficar e que vai evoluir a uma velocidade vertiginosa, mas não podemos esquecer a base desta evolução: as redes que a suportam

De momento, pode dizer-se que a IoT está a evoluir, em parte, graças ao surgimento das redes públicas, que permitem a comunicação entre máquinas em ambientes amplos, não estando limitadas a ambientes domésticos. Anteriormente, para que isto acontecesse, precisávamos de montar uma rede própria, privada, que desse apoio a esta comunicação. Agora, são os próprios operadores que ajudam a criar essa rede pública, criando, por um lado, uma rede que permita dar cobertura a aplicações de IoT, e, por outro, ajudando a avançar com a criação de padrões de comunicação, algo que não existia antes e que é verdadeiramente necessário se queremos que se produza uma autêntica eclosão de IoT.

As principais operadoras no mercado estão a implementar diversas tecnologias que farão parte do próximo padrão 5G, que já contam com ligações de confiança a milhões de dispositivos em todo o mundo e vão continuar a ser uma parte fundamental do nosso futuro 5G em direção a uma era massiva de IoT.

Segundo estudos recentes, a IoT representa uma oportunidade basilar para o desenvolvimento à escala mundial, que poderá melhorar a vida de milhões de pessoas e acelerar de forma assombrosa os avanços, para concretizar os objetivos de desenvolvimento sustentável patenteados pelas Nações Unidas. Também é evidente que 85% das organizações, tanto públicas como privadas, preveem implementar iniciativas de IoT até 2019, algo que nos parece encorajador e que nos leva a pensar que a IoT vai certamente fazer parte das nossas vidas em todos os âmbitos.

Nos últimos dois anos, o número e a dimensão de projetos de Internet das Coisas em Portugal aumentou de forma significativa - três em cada quatro empresas concordam que a transformação digital é impossível sem a IoT, segundo registado no Barómetro de IoT de 2017/2018 publicado pela Vodafone, e isto é algo que demonstra a relevância que está a assumir no mercado. A IoT começa a ver-se como um impulsor de melhorias nos negócios - e as áreas que estão mais ativas são a indústria 4.0 e o setor público ao nível da administração local.

De um modo geral, as empresas de seguros, do setor automóvel, serviços públicos, gestão de resíduos, mobiliário urbano e até moda ou alimentação, já estão a começar a usar a IoT para reduzir os custos das suas operações, melhorar a produtividade dos seus colaboradores, criar novas fontes de rendimento e, obviamente, melhorar a experiência do cliente.

No mercado da impressão, já é possível dispor de serviços que se baseiam na conetividade dos nossos equipamentos multifunções no cliente para reportar a sua atividade e incidências, permitindo que se processem os pedidos na cadeia de fornecimento e, se necessário, se ative a gestão remota de incidências.

A prova de que esta tendência veio para ficar está no número crescente de iniciativas relativas ao tema, como o IoT Challenge da PT Empresas (focados nas startups e empresas das áreas de machine-to-machine (M2M) e Internet of Things) ou a Vodafone IoT Conference que decorreu este ano em Lisboa.

A Gartner calcula que em 2020 conseguiremos superar os 20 000 dispositivos conectados de IoT. Isto dá-nos uma ideia da quantidade de dados que estes dispositivos vão gerar e que devemos aprender a gerir. Esta gestão implica não só o seu tratamento e utilização correta, mas também a segurança que devemos colocar em marcha para evitar uma utilização indevida dos mesmos. As redes de IoT vão ser prioritárias se quisermos que este novo universo consiga atingir o seu verdadeiro objetivo e, por isso, devemos todos trabalhar para chegar até ele.

 

por Miquel Soler, Diretor de IT Services Ricoh Espanha & Portugal

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