Miguel Saldanha, PPS Channel Director at HP em 2025-7-22
O Canal de IT em Portugal encontra-se num ponto de inflexão. A transformação digital, acelerada por fatores externos como a pandemia e a crescente digitalização dos serviços, está a redefinir o papel dos Parceiros no ecossistema tecnológico. Já não basta fornecer tecnologia; é necessário compreender os desafios dos clientes, antecipar tendências e entregar soluções integradas que criem valor real
Miguel Saldanha, PPS Channel Director at HP
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Nos últimos anos, o Canal demonstrou uma resiliência notável. Apesar das incertezas económicas, muitos Parceiros conseguiram adaptar-se, investindo em novas competências e modelos de negócio. Esta capacidade de reinvenção é, aliás, uma das maiores forças do setor. No entanto, os desafios são significativos e exigem uma resposta estratégica e coordenada. Um dos principais vetores de mudança é a regulação. A entrada em vigor da diretiva europeia NIS2 está a elevar o nível de exigência em matéria de cibersegurança, especialmente para as PME. Esta nova realidade obriga os Parceiros a reforçar as suas competências técnicas e a posicionarem-se como consultores de confiança. Embora desafiante, esta evolução representa uma oportunidade clara para quem conseguir liderar nesta área crítica. Paralelamente, a experiência do utilizador tornou-se central. A tecnologia passou a ser um fator determinante na produtividade, bem-estar e retenção de talento. Isto implica uma mudança de paradigma: o Canal deve deixar de pensar em termos de produtos e passar a desenhar experiências. Soluções que combinem hardware, software e serviços de forma fluida e personalizada serão cada vez mais valorizadas. A inteligência artificial é outro motor de transformação. A sua aplicação em áreas como automação de processos, análise preditiva e personalização de serviços está a abrir novas avenidas de crescimento. Os Parceiros que investirem em competências nesta área estarão melhor preparados para responder às exigências dos clientes empresariais e públicos, criando propostas de valor diferenciadoras. Contudo, o maior obstáculo ao crescimento continua a ser a escassez de talento. A falta de profissionais qualificados em áreas como cloud, segurança e dados está a limitar a capacidade de execução de muitos Parceiros. É urgente reforçar os programas de capacitação, atrair novos perfis e promover a colaboração entre empresas, instituições de ensino e entidades públicas. O futuro do Canal de IT em Portugal será definido pela sua capacidade de combinar especialização técnica com visão estratégica. Os Parceiros que conseguirem alinhar inovação com proximidade ao cliente, execução com propósito e tecnologia com impacto social serão os protagonistas da próxima década. O caminho não será fácil, mas as oportunidades são imensas para quem estiver preparado para as abraçar. |