Jorge Bento em 2025-10-07
Na edição em que o IT Channel dedica especial atenção à infraestrutura de servidores, impõe-se fazer um ponto de situação sobre um mercado que resiste, mas não tem crescido globalmente em 2025
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As vendas de infraestrutura empresarial non-cloud continuam basicamente estagnados, como mostram a IDC e a Gartner, mas há sinais em setores regulados e outros impulsionados pelo NIS2, e em projetos de IA locais e no edge que podem reanimar o investimento on-prem. O setor entra no último trimestre de 2025 com um dilema incontornável: a cloud deixou de ser apenas pública ou privada, e o edge veio baralhar a equação. As organizações já não procuram apenas cortar custos em infraestrutura — procuram otimizar aplicações críticas, gerir latência e garantir soberania dos dados. É neste equilíbrio que o canal tem de provar que ainda sabe acrescentar valor. A ideia de que “tudo iria para a cloud pública” perdeu força. Os clientes mais maduros perceberam que workloads diferentes pedem arquiteturas diferentes. Da cloud pública global às clouds privadas em data centers locais, passando pelo processamento no edge, cada decisão é agora estratégica e muito menos binária. O Parceiro que insistir em vender apenas um modelo corre o risco de se tornar irrelevante. O mercado já não se guia por dogmas, mas por necessidades específicas de negócio. O verdadeiro valor está na articulação destas peças. Integradores e distribuidores capazes de oferecer soluções híbridas, alinhando compliance, desempenho e custos, vão ser os que conquistam terreno. O discurso sobre multicloud tem de sair do plano do buzzword e descer ao pragmatismo: o cliente quer arquiteturas flexíveis que combinem a proximidade do edge com a escalabilidade da cloud — e cabe ao canal transformar essa visão em realidade. Também os fabricantes estão em plena reconfiguração. Os hyperscalers descem para o edge e procuram proximidade com os clientes, enquanto os players tradicionais de infraestrutura promovem a cloud privada como sinónimo de soberania e eficiência. No meio deste choque de narrativas, o Parceiro não pode ser apenas intermediário comercial: precisa de ser tradutor e guia, capaz de separar modas de estratégias sustentáveis. A nuvem já não é um destino. É uma geografia em transformação. E o Canal que quiser manter-se relevante tem de ser cartógrafo dessa nova paisagem.
Diretor do IT Channel |