Joana Almeida, Manager IT | Adecco Permanent Recruitment, Portugal em 2025-7-15
Muito se tem falado sobre a Inteligência Artificial (IA) e o seu impacto no recrutamento – e o sector de IT está na linha da frente desta mudança. Com a crescente escassez de talento e pressão por processos mais rápidos e eficientes, muitas empresas estão a recorrer a soluções baseadas em IA para automatizar tarefas
Joana Almeida, Manager IT | Adecco Permanent Recruitment, Portugal
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Claramente que a celeridade de resposta num processo traz vantagem no mercado atual em que os profissionais são abordados e aliciados constantemente por empresas concorrentes. Para quem está a recrutar, as vantagens da utilização de ferramentas de IA são claras: rapidez na avaliação de um elevado volume de candidaturas; possibilidade de ranking dos candidatos mediante a leitura da informação existente nos seus perfis; realização de primeiras entrevistas de despiste – e tudo isto acontece enquanto o recrutador está focado noutras tarefas que requerem um nível de atenção superior. Mas, e qual a opinião dos candidatos de IT ao serem avaliados por ferramentas de IA? Se, por um lado, existe um entusiasmo grande em participar em processos de recrutamento que envolvam ferramentas de IA; por outro lado, há quem desconfie de enviesamentos da ferramenta e que, inclusive, sinta um processo mais desumano, levando à sua desmotivação e desinteresse pela vaga em questão. A verdade é que existem casos em que a IA, por leitura de dados históricos, aprendeu a tomar decisões de exclusão – algumas delas discriminatórias (exemplo da Amazon em que o sistema de IA penalizava perfis com referências a atividades femininas). Ou seja, o risco de nos basearmos apenas numa ferramenta de IA para analisar e selecionar profissionais é, ainda, muito alto - a eficiência não pode vir à custa da equidade. Então, onde, como e quando devemos usar a IA num processo de recrutamento e seleção? A IA deverá ser vista como mais uma ferramenta de auxílio ao profissional, sendo altamente eficaz na aceleração de processos, mas que requer supervisão – não deverá ser uma confiança cega, sob pena de falhas graves na tomada de decisão num processo de recrutamento e seleção. Cada processo deverá ser estrategicamente alinhado para que faça sentido, se fizer sentido, a inclusão de etapas com IA. Os candidatos ainda valorizam muito a conexão humana, sentindo uma maior credibilidade em todo o processo. Deste ponto de vista, as ferramentas de AI poderão surgir em etapas posteriores no processo e agilizar a validação de algumas competências ao nível das hard skills. O futuro do recrutamento em IT será, inevitavelmente, híbrido: tecnologia para ganhar eficiência e pessoas para garantir empatia, cultura e conexão. |