Jorge Bento em 2026-4-10
Durante meses, a Inteligência Artificial foi um território surpreendentemente acessível. Bastava uma API, algum contexto e curiosidade para colocar um piloto a funcionar. Nunca foi tão fácil experimentar tecnologia com impacto potencial tão elevado
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Essa facilidade criou uma ilusão: a de que experimentar é o mesmo que adotar. Como noutras fases do mercado, a entrada foi rápida. Mas a passagem para produção está a revelar-se bem mais difícil. O problema nunca foi pôr IA a funcionar. É integrá-la, governá-la e justificar o seu impacto. É aqui que a tecnologia deixa de ser o tema principal. Frequentemente no cliente os dados não estão preparados, não são governados, não são consistentes. A sua utilização levanta questões de controlo e responsabilidade que muitas organizações ainda não conseguem responder. A IA não cria estes problemas, expõe-nos. Ao mesmo tempo, o risco muda de escala. Com copilotos e agentes, o acesso à informação torna-se contínuo e transversal. Já não falamos apenas de utilizadores, mas de identidades não humanas que executam ações e acedem a sistemas. E, na maioria dos casos, sem o mesmo nível de controlo. A governação deixa, assim, de ser um exercício formal. Passa a ser condição de funcionamento. Sem controlo sobre dados, acessos e modelos, não há escala, apenas mais pilotos. A isto soma-se o custo. À medida que os projetos crescem, entram exigências de eficiência, dependência tecnológica e necessidade de retorno. A IA deixa de ser inovação e passa a investimento. Muitos parceiros de canal já perceberam o potencial de negócio na Inteligência Artificial. A fase que começa agora é outra, menos tecnológica e mais exigente, feita de consultadoria, execução, governação e modelo de negócio e é aqui que surge o espaço real de valor. A Inteligência Artificial já provou que funciona. Agora vai mostrar quem consegue criar valor com ela.
Diretor do IT Channel |