Ricardo Parreira, CEO da PHC Software em 2020-6-24

OPINIÃO

Cinco desafios de gestão para o “novo normal”

A crise de COVID-19 tem provocado alterações profundas nas empresas, nos negócios e na sociedade de uma forma geral. Não falo da questão de saúde, mas de novos hábitos e padrões de comportamento que se formaram ou alteraram no período de confinamento e que terão vindo para ficar

Ricardo Parreira, CEO da PHC Software

Há quem diga que a aceleração tecnológica foi um salto de dez anos no tempo. Talvez um salto que, à semelhança de tantos outros, tem passado por várias fases. Neste momento, passámos a fase do primeiro impacto e encontramo-nos a entrar na fase de adaptação, a que se seguirá uma estabilização. Há quem lhe chame o novo normal, há quem diga que é a verdadeira entrada na era digital. Em todo o caso, as empresas de TI estão na linha da frente para liderar esta nova realidade.

Nunca na história se precisou tanto de tecnologia como hoje. O trabalho remoto, o e-commerce, a automatização das empresas; tudo isto é hoje imperativo. Se há um lugar onde as empresas não podem cortar para se manterem competitivas neste novo normal, é no investimento tecnológico. Sem tecnologia, não há competitividade. É este o desígnio do salto tecnológico de dez anos.

O setor das TI será ainda mais importante para o sucesso da gestão das empresas e deve assumir-se como tal. No entanto, essa posição de destaque não acontece por decreto, necessita de um trabalho de compreensão e adaptação a este novo normal. Estes são cinco desafios que o canal de TI deve ter em conta para estar preparado para os próximos meses.

Primeiro, a compreensão de que o trabalho remoto terá implicações que excedem o simples trabalho em casa. Por exemplo, as reuniões remotas serão uma realidade dentro e fora das empresas. Será normal termos mais reuniões por videoconferência e uma menor necessidade de deslocação ao local. Algo que provoca uma maior capacidade de uma equipa fazer mais reuniões por dia, mas também com maior alcance geográfico.

Depois, a liderança remota. Que só é possível aproveitar num sistema de avaliação das equipas pelas entregas e não pelo volume de trabalho. Não tenho dúvidas de que haverá uma evolução muito grande da liderança, com novas formas de comunicação, mais frequente e mais atenta a pormenores como o perfil psicológico dos trabalhadores, o risco de burn-out, as distrações ou o isolamento.

Também teremos um desafio na mudança de hábitos de venda. Algo a que as equipas de vendas são particularmente sensíveis e que trará um grande conjunto de mudanças. O Canal tem de se adaptar a este novo hábito, novas formas de vender no mundo digital, novas formas de relacionamento com o cliente, novas formas de adaptação ao novo consumir. Tudo terá novas implicações. Veja-se, por exemplo, o mundo das vendas via digital, que começou com o e-commerce, mas que agora será para todo o lado. É importante formar as equipas para esta nova realidade.

Sem ignorar os desafios de tesouraria, as empresas terão de se preparar para lidar com o curto prazo. Algo que é particularmente complexo nalguns casos, mas que pode ser gerido com antecipação noutros. Sabe-se que a capacidade de tesouraria será essencial para enfrentar uma possível crise; e o Canal deve acautelar essa possibilidade; se é necessário pedir dinheiro emprestado, é preferível pedir agora. Porque daqui a três ou seis meses não sabemos se estará disponível. Assim, garante-se a estabilidade da empresa.

Por fim, a preparação do futuro. As empresas devem fazer tudo por tudo para manter o seu know-how, as suas pessoas e a sua capacidade de trabalho. Não sabemos quando a crise irá passar, mas sabemos que irá passar. Isso é certo. E as empresas que mantiverem a sua força e estrutura, que aproveitarem este tempo para se adaptar, e não apenas para sobreviver, serão as que estarão em melhor capacidade para aproveitar as oportunidades que surgirem na retoma.

Estes são cinco desafios para preparar as empresas de TI para este novo normal. Seguindo estas ideias, teremos empresas mais preparadas e com maior capacidade de criar valor para a economia portuguesa. 

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