Henrique Carreiro em 2021-4-19

OPINIÃO

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A tempestade perfeita da escassez de semicondutores

A Autoeuropa suspendeu recentemente a produção durante uma semana por causa da falta de circuitos integrados (“chips”) no mercado. Esta é uma consequência direta de uma conjugação de fatores de conhecimento comum — e de alguns outros menos conhecidos, que são determinados por uma indústria com poucos fornecedores capacitados

A pandemia e as medidas da respetiva contenção levaram, como é bem-sabido, a uma grande procura de computadores e de outros dispositivos eletrónicos, todos baseados em circuitos integrados. Existe, portanto, uma questão de procura acima do normal, conjugada com dificuldades colocadas pelo impacto da pandemia nas próprias fábricas. A escassez é também consequência da política de restrições comerciais seguida pela anterior administração americana, que criou embargos de importações e exportações relativamente às fábricas situadas na China e que obrigou fabricantes a colocarem encomendas em unidades fora de tais restrições, mas que já de si estão acima da capacidade de produção.

Para alguns fabricantes de automóveis, o problema exacerbou-se porque no início da pandemia as vendas caíram a pique, tendo eles optado por reduzir as encomendas de componentes. Ora, as fábricas que produzem circuitos integrados para a indústria automóvel, fazem-no também para a indústria informática. E os fabricantes que reduziram as encomendas acabaram por perder prioridade na produção, ainda que se tenha verificado que a procura por carros era maior do que inicialmente previsto. Dada a especificidade dos circuitos para os automóveis, que devem ter melhores características de robustez e durabilidade, não é fácil encontrar alternativas. Os que anteviram o ciclo, como a Toyota, que se abasteceu com reservas para quatro meses, conseguiram, entretanto, manter as linhas abertas. A TSMC de Taiwan, um dos principais fabricantes do mundo já veio, entretanto, anunciar um investimento de cem mil milhões de dólares em expansão e atualização da capacidade produtiva, referindo explicitamente a indústria automóvel nessa iniciativa.

Mas resolvida a questão da oferta, e com toda a nova capacidade de produção em desenvolvimento, a segunda metade de 2021 pode ser uma época de enorme crescimento do mercado e consequente inovação de produtos, mesmo a tempo do que se espera ser uma bem-sucedida época de Natal.

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