Henrique Carreiro em 2025-7-14
Quando se discute a elevada necessidade de água para a operação de data centers, a imagem que nos ocorre não é, certamente, a de um oceano inteiro
|
Contudo, a gigante japonesa de logística naval, Mitsui O.S.K. Lines (MOL), anunciou uma Parceria estratégica com a Kinetics, uma subsidiária da turca Karpowership, para desenvolver o que designam como “o primeiro data center flutuante integrado do mundo”. Este projeto transcende a mera conveniência de instalar um data center num navio. A proposta de valor assenta na combinação de energia flexível, mobilidade e escalabilidade. A chave desta iniciativa reside na experiência da Karpowership, que há mais de duas décadas opera a única frota mundial de centrais elétricas flutuantes, os “Powerships”. Com mais de 6.000 MW de capacidade instalada e operações em dezenas de países, a empresa demonstrou a sua capacidade de entregar energia de forma rápida e fiável em qualquer ponto do globo, utilizando navios equipados com motores de combustível duplo (gás natural e fuelóleo de baixo teor de enxofre). A promessa é clara: um data center com uma capacidade projetada entre 20 e 73 MW, que pode ser rapidamente implementado onde for necessário, contornando os complexos e demorados processos de licenciamento em terra. A solução prevê a integração com múltiplas fontes de energia — desde os próprios Powerships a fontes renováveis como eólica offshore e solar, ou até mesmo a ligação a redes elétricas terrestres. Naturalmente, o anúncio está, para já, envolto em comunicados entusiásticos. A viabilidade a longo prazo dependerá da análise de fatores críticos como o Custo Total de Propriedade (TCO), a latência das ligações, os rigorosos requisitos legais e de segurança, e o real impacto ambiental. No entanto, isto é mais do que vaporware; é um sinal inequívoco de que a infraestrutura digital explora rotas não convencionais para responder a uma procura sem precedentes. Vale a pena, mais do que nunca, estar atento à maré. |