Diana Ribeiro Santos em 2021-7-15

NEGÓCIOS

Palavra aos Parceiros

Parceiros debatem mudanças de paradigma pós-pandemia

O IT Channel convidou cinco Parceiros para debater temas como o estado atual do mercado de IT em Portugal e o impacto do Plano de Recuperação Europeu

A Brigthen, a CPCecho, a PrimeIT, a Sector Zero e a WDMI foram os Parceiros convidados para mais edição do Fórum de Parceiros do IT Channel.

Numa mesa redonda realizada em formato de videoconferência, Parceiros especializados em diversas áreas debateram temas como o atual estado do mercado de IT em Portugal, o impacto da pandemia provocada pela COVID-19 nos modelos de negócio, o Plano de Recuperação Europeu, a relação com a indústria e ainda as expetativas para o ano que se avizinha.

O mercado de IT em Portugal e as principais marcas deixadas pela pandemia

A pandemia provocada pela COVID-19 levou à aceleração dos processos de transformação digital das empresas. As organizações que não apostarem na digitalização terão mais dificuldades em ultrapassar a crise atual.

Fernando Santos, CEO da Sector Zero

“As empresas informáticas parecem-me bem preparadas genericamente. Já não diria o mesmo das empresas globalmente, sendo elas são, na sua maioria, micro empresas. Acho que ainda existe alguma distância entre a informática e o que a informática pode fazer pelas empresas. Os departamentos de informática, quando existem, estão a tentar resolver os problemas do dia a dia porque a impressora ou o computador não trabalham, em vez de estarem a tentar gerar métodos mais eficientes para quem trabalha nas empresas.

O impacto do teletrabalho é indiscutível e a cloud tem ajudado muito a desmaterializar a forma de trabalhar.

Por outro lado, a sensação de que o mundo realmente pode mudar em meia dúzia de meses, passou a fazer parte do nosso conhecimento global”.

Gonçalo Mousinho, CEO Internacional da PrimeIT

“Tendo em conta o universo dos nossos Parceiros e clientes e da nossa própria experiência, acredito que neste momento o mercado está em expansão e no que diz respeito ao mercado de serviços, este ano está a ser muito positivo, tanto em Portugal, como lá fora.

Vai ser tudo cada vez mais digital, cada vez mais remoto, mais acessível por plataformas digitais e quem não está preparado vai ficar pelo caminho. Portanto, não há assim tantas hipóteses para esta transformação que está cada vez mais evidente.

Este ano está a desbloquear muitos projetos e as empresas já perceberam que ou investem ou ficam para trás. Para nós, tendo em conta que prestamos serviços de consultoria especializada, tem sido um ano muito positivo”.

Jorge Carvalho, Managing Partner da Brigthen

“Antes da pandemia, o mercado de consultoria de gestão e tecnologias de informação já estava em crescimento. Observavam-se muitos operadores globais a instalarem-se em Portugal e a prestarem serviços a partir de Portugal durante a pandemia.

Os nossos clientes mantiveram a procura. Verificamos um aumento na procura de serviços ligados aos processos de digitalização de negócios. Houve também muitos projetos que finalmente foram aprovados para automatização, para utilização de machine learning em digitalização de processos e uma procura de melhorias na eficiência e soluções que permitam, quer seja por automatização ou por machine learning, o aumento da eficiência dos serviços prestados pelos nossos clientes ou dos produtos fabricados. Vamos ter um ambiente de trabalho híbrido. Adaptamo-nos durante este período e percebemos que é efetivamente possível prestar os serviços remotamente”.

Jorge Queiroz Machado, CEO da CPCecho

“A pandemia foi favorável às empresas de IT. O modern workplace era uma tendência futura mas tornou-se a realidade da noite para o dia e continua a gerar oportunidades. O perímetro do workplace saiu das empresas para a casa dos colaboradores e isso representa desafios enormes, não só ao nível de garantir capacidades técnicas e de ter as melhores condições em casa, mas sobretudo na parte da segurança. A pandemia veio também acelerar aquilo que é mais preponderante na transformação digital, muitas das empresas já a tinham na sua estratégia e aquelas que não a tinham, tiveram de a colocar quase de forma obrigatória. Outra dificuldade que vemos nos nossos clientes é o facto de ter as pessoas em casa, o que implica que as empresas tenham um workflow e processos estruturados para que possam trabalhar remotamente da mesma forma como se estivessem no escritório. Há ainda a componente das competências core que geram uma grande oportunidade na externalização de serviços e soluções em IT.

Ricardo Morais, Diretor de Operações, WDMI

“Na WDMI dividimos as equipas em turnos, mas mesmo assim continuamos a ter um crescimento bastante sustentável. A COVID-19 veio realmente afetar de uma maneira positiva o mercado de IT em Portugal, apesar de considerar que ainda está um pouco atrasado em relação a outros mercados. Existem outros mercados que estão mais desenvolvidos, como é o caso do IT a nível da distribuição de equipamentos, apesar de ter sofrido algumas perturbações devido à situação pandémica.

Um dos grandes impactos da COVID-19, para além da escassez de stock devido a uma grande procura, foi a subida de preços. Penso que terá sido o que afetou mais a nossa área”.

As principais mudanças no modelo de negócio dos Parceiros ao longo do último ano

O atual modelo de negócio sofreu algumas alterações por força das medidas de distanciamento da COVID-19. As reuniões e eventos físicos deram lugar a videochamadas.

Fernando Santos, Sector Zero

“Essencialmente a forma como como se faz um negócio. Curiosamente, para o Sector Zero, não houve grandes alterações porque sempre funcionámos com vendas à distância. Éramos aquilo a que antigamente se chamava de mail order, antes da Internet ser o que é hoje e das pessoas estarem habituadas a compras online. Nós fazíamos anúncios nas revistas, as pessoas telefonavam a fazer encomendas e enviamos os produtos num modelo que não era muito comum em Portugal na altura. Hoje, as licenças são geradas online e os clientes recebem um e-mail e por isso, a questão da pandemia não alterou muito a nossa forma de trabalhar. Mudou sim algumas linhas de produtos. Nós temos uma linha de produtos que não vendemos como Parceiros por contrato com o fabricante. Temos de ser nós a vender exclusivamente de forma direta.

Este produto é um sistema de deteção de plágio, em que nos deslocamos de universidade em universidade, reunimos com o corpo docente e mostramos o produto. Tudo isso mudou e hoje, a venda que era feita cara a cara é feita através de videochamada”.

Ricardo Morais, WDMI

“A principal mudança passa pelo tipo de reuniões feitas atualmente. Começamos a fazer tudo, quer seja reuniões de negócio ou mesmo convívios, digitalmente. Penso que esta sim, foi a maior mudança desde o último ano, apesar de achar que faz falta o convívio, um café ou aqueles cinco minutos para parar e conversar com alguém.

Tudo isso faz muita falta, até porque, não só aqui, mas em todo o lado, muitos negócios são feitos numa área extralaboral”.

O Channel Survey 2021 revelou uma grande diferença de perspetivas de crescimento a médio prazo entre Parceiros de maior dimensão e pequenos Parceiros. Estamos num ambiente de negócios onde a escala é determinante para o sucesso?

Em maio de 2021, um estudo realizado pelo IT Channel a cerca de 200 empresas demonstrou que, independentemente do vertical e setor de atividade, a grande diferença entre resultados está relacionada com a dimensão das empresas.

Jorge Queiroz Machado, CPCecho

“Eu diria que sim, mas de todo que seja determinante, até porque estava a contradizer-me com a criação da CPCecho na altura em que foi criada. Acredito que uma empresa grande é refém de fatores como os seus KPI, da pressão e crescimento. Para nós, a rentabilidade é obviamente importante, mas não é uma consequência de tudo o resto e esta é uma consciência difícil numa empresa de maior dimensão. Outra dos pontos que quisemos garantir by design é o facto de ter disponibilidade para estar com os nossos clientes. Quando temos processos muito organizados e se quer uma grande eficiência, como acontece nas grandes empresas, acaba por se perder a disponibilidade e investimento que também são necessários para crescer.

Há ainda outra questão que eu diria que também para nós foi muito preponderante pela forma como o fazemos: o legacy que as próprias empresas já têm das suas soluções e serviços, de investimentos muito avultados e da forma de estar. Nós temos a sorte de poder olhar para as coisas de outra forma e escolher processos mais automatizados, utilizar mais analítica, os insights dos nossos clientes e com isto, acabamos por ganhar uma bagagem que nos permite estar mais próximo dos clientes. Acredito que as empresas pequenas conseguem ter uma maior agilidade e uma maior opção de escolha. Em tempos de mudança de paradigmas conseguem-se ajustar mais ao que os clientes precisam. Sem dúvida nenhuma que a dimensão é importante porque permite fazer outros investimentos, mas eu acho que existe uma vantagem clara de ter uma dimensão mais reduzida face ao tempo em que vivemos”.

Gonçalo Mousinho, PrimeIT

“Eu acho que a dimensão não é de todo dominante, porque o sucesso é muito relativo e já vi grandes empresas a ter muito sucesso a curto prazo, enquanto a longo prazo falharam redondamente. É muito interessante ver como é que startups, com muitas vezes meia dúzia de pessoas, conseguem quase questionar modelos de negócio com milhares de colaboradores. Mais importante do que a dimensão da empresa, é quem a gere e o que quer fazer do seu modelo de negócio. Muitas vezes, as startups e empresas mais pequenas acabam por entrar no mercado para desafiar. A curto prazo, as empresas que têm uma maior dimensão acabam por ter mais meios, sejam meios humanos ou meios financeiros e por isso acabam por estar mais otimistas.

Há muitas empresas pequenas que se converteram e neste ano de pandemia encontraram um nicho muito mais eficaz e uma forma de comunicar melhor com o seu público-alvo, acabando assim por crescer. O que também veio ajudar bastante a quem presta serviços de consultoria foi o abrir do leque geográfico do talento. Se antigamente era um requisito que a pessoa tivesse de trabalhar no escritório, atualmente, esses critérios estão a deixar de existir, havendo assim uma maior flexibilidade.

Para uma empresa como a PrimeIT é interessante podermos compor e criar equipas que estão em Portugal, no Brasil, na Polónia e em Espanha, fazendo este mundo todo co-existir em prol de um cliente nacional. Há alguns meses acharia que este tipo de configuração não faria assim tanto sentido”.

As principais tecnologias emergentes e mercados verticais que podem acrescentar valor tanto aos Parceiros, como ao Canal

Ao longo do último ano, tem-se registado um crescimento exponencial em tecnologias relacionadas com o processo de transformação digital das empresas, como é o caso da cloud, do 5G e machine learning.

Ricardo Morais, WDMI

“De forma mais genérica, os mercados que irão crescer terão como base o 5G e a cloud. Apesar da cloud já ter vindo a crescer exponencialmente há algum tempo, creio que ainda tem um salto para dar. Na WDMI pretendemos, uma vez que neste momento temos a questão dos recondicionados, servir os nossos clientes com o melhor produto, ao melhor preço e com a função ecológica de um produto recondicionado. Neste momento, queremos oferecer um serviço de data way a todos os nossos clientes. Nós trabalhamos com várias empresas certificadoras a nível de data eraser para fazer toda a limpeza dos discos, mas as grandes empresas têm sempre receios relacionados com os seus dados e com o RGPD. Posto isto, a segurança é uma questão cada vez mais importante e será esse o serviço que vamos tentar fornecer aos nossos clientes para incrementar ainda mais a nossa oferta”.

Jorge Carvalho, Brigthen

“Sendo a Brigthen uma consultora de negócios e de tecnologias de informação, o nosso foco nesta área não está tão relacionado com o hardware, mas sim com o tipo de soluções. Obviamente que a cloud é dinamizadora e potencia a adoção de soluções e, por outro lado, simplifica tudo o que é a gestão e a entrega da infraestrutura de suporte a soluções. Esta é uma área onde temos verificado o maior crescimento. Em termos de tecnologias associadas a soluções que entregamos, temos visto uma grande adoção e procura pelos APA, que são soluções de robótica para automatização de processos e que permitem ganhos de eficiência e desempenhando de tarefas que são muito repetitivas e de pouco valor acrescentado, de forma totalmente automática. E por outro lado, o machine learning que permite também embeber a capacidade de avaliação e tomada de decisões nas próprias soluções e com isso consegue trazer valor a uma função de produção, distribuição ou de manutenção. Está é uma tendência que se tem observado muito. Temos implementado várias soluções deste tipo, com ganhos bastante significativos e eu diria que é uma das tecnologias que veio para ficar e acrescentar valor às soluções dos nossos clientes”.

Fernando Santos, Sector Zero

“Tudo aquilo que está relacionado com a possibilidade de ter equipas dispersas, tanto geograficamente, como no tempo. Outro dos fatores importantes é o tempo. Quem tem de dar atenção aos filhos e não consegue estar a responder e-mails e fazer chamadas e reuniões ao mesmo tempo, acaba por aproveitar quando as crianças vão para a cama para trabalhar. Temos reparado, ao longo dos últimos tempos, na forma como os contactos surgem por e-mail, a qualquer hora e até durante o fim de semana. Por isso, todas as tecnologias que nos permitam continuar a ser eficientes são obviamente importantes e podem acrescentar valor para os Parceiros que as forneçam. Claro que por trás disto tudo também há a questão da cloud e do modern workplace. É um facto que de repente aquilo que era para irmos fazendo teve de ser feito urgentemente e a cloud mostrou ser o caminho certo. Para quem trabalha em IT já não havia dúvidas, mas os utilizadores finais ainda estavam reticentes. De repente nós não queremos saber onde é que estão os dados, nós queremos é trabalhar e continuar a fazer negócio”.

A relação dos Parceiros com a indústria

A relação com os vendors tem sofrido grandes alterações devido aos novos modelos de negócio. Os ecossistemas têm vindo a substituir os programas de Canal tradicionais.

Jorge Queiroz Machado, CPCecho

“Eu acho que os Parceiros e os vendors tiveram o cuidado de se manterem próximos das empresas e, por isso, acho que a experiência tem sido bastante positiva. Obviamente, tenho constrangimentos brutais mais da parte transacional com a entrega de alguns equipamentos, mas noto uma presença muito dinâmica na forma como comunicam connosco e como tentam mitigar todas estas questões. Da parte dos Parceiros também notamos a aceleração de algumas tendências, nomeadamente na parte hybrid it, da conjugação da multi cloud on-premises com as private clouds e em toda a parte da segurança. Apesar de toda esta disrupção, eu continuo a sentir-me próximo dos Parceiros.

Quando há uma proximidade acabamos por saber o que os Parceiros têm para nos apresentar de uma forma ou de outra e nem precisamos de ir aos eventos físicos. Apesar de tudo isto, sinto falta de estar com outros Parceiros e com os meus concorrentes porque as conversas são extremamente produtivas para perceber como está o mercado, os novos desafios e há sempre um espírito de partilha. Há ainda uma ameaça grande do online para pequenos Parceiros transnacionais e sem dúvida que esta é uma ameaça para grande parte do tecido de IT em Portugal e que não consegue ser mitigada pela distribuição”.

Gonçalo Mousinho, PrimeIT

“A nossa relação com os vendors, mais a nível de hardware, manteve-se bastante estável. A única alteração que houve foi o facto de comprarmos mais equipamentos porque estamos a crescer.

Do ponto de vista dos serviços, noto que a relação que temos hoje em dia com os nossos Parceiros é cada vez mais próxima e alinhada com aquilo que eles procuram. Ou seja, o mercado está a evoluir e o nosso objetivo enquanto empresa é melhorar todos dias. Atualmente, já temos também soluções cada vez mais adaptadas, com modelos de delivery e nearshore, a parte de projetos fechados e modelos sobre várias tecnologias. É isso que acaba por fazer com que a nossa relação com a indústria esteja cada vez mais forte e alinhada.

Acredito que as consultoras também têm de evoluir e, portanto, não podemos achar que o nosso modelo de negócios que começámos há 14 ou 15 anos, pode ser o mesmo atualmente. Esta perspetiva é reconhecida pelos nossos Parceiros e é isso que faz com que continuemos a crescer em plena pandemia”.

Jorge Carvalho, Brigthen

“Em 2020, a Brigthen aprofundou a relação de Parceria com a SAP, provavelmente o nosso maior Parceiro de software. Passámos a ser Parceiro de reseling, de licenças e de build, ou seja, de desenvolvimento de soluções para integrar no marketplace deste software e estamos também a finalizar o processo de suporte direto aos clientes da SAP. Com este vendor temos verificado um investimento bastante grande na digitalização dos canais de comunicação e na oferta cada vez maior de serviços, no que diz respeito a serviços de apoio aos Parceiros de Canal, uma vez que desapareceram todas as formas físicas de juntar Parceiros, clientes e fornecedores. A SAP tem vindo a desenvolver alternativas no mundo digital.

Como Parceiro, o que sentimos é que realmente estamos ainda mais apoiados e que a relação com o cliente está cada vez mais bem suportada. A relação com os outros fabricantes, nomeadamente com a SAGE X3, da qual somos também Parceiros, sofreu ainda algumas melhorias.

Passamos a trabalhar ainda mais de perto e com melhores resultados, mas de uma forma totalmente digital. Deixo a nota que esta tendência da digitalização, quer dos canais de comunicação, quer dos canais de entrega, tem permitido à Brigthen exportar a nossa capacidade. A digitalização permitiu simplificar toda a entrega de serviços, uma vez que os clientes também se adaptarem e não exigem que exista a presença física do consultor no mercado onde queremos atuar”.

Fernando Santos, Sector Zero

“Atualmente, esperamos que no dia em que fazemos uma encomenda, esta seja expedida e eventualmente recebida ainda no mesmo dia ou no pior dos casos, no dia a seguir.

No nosso caso, a relação com os vendedores não se alterou em nada, uma vez que a maioria dos nossos fornecedores são empresas internacionais e os contactos continuaram a ser feitos de forma eletrónica.

A grande diferença, obviamente, são os eventos internacionais que aconteciam de vez em quando. Como não entregamos equipamento não tivemos de andar em cima das vendas porque as licenças continuam a aparecer e demoram o mesmo tempo a serem entregues, independentemente do número pedido”.

Ricardo Morais, WDMI

“Graças a todo o percurso que temos vindo a fazer ao longo destes dez anos, posso dizer que a nossa relação com a indústria está cada vez melhor. Já não temos de ir à procura das melhores ofertas, pois elas vêm ter connosco. Portanto, já temos uma quota de mercado interessante e os vendors o que pretendem é trabalhar com alguém como a WDMI que tem tido um crescimento muito sustentável ao longo dos anos de atividade.

Pretendemos sempre ter os melhores Parceiros e as melhores ofertas para depois conseguirmos fazer um melhor serviço e assim, ter os melhores produtos para oferecer aos clientes. Os vendors com que trabalhamos diretamente são a HP e a Dell que são as marcas mais fortes a nível do mercado recondicionado e a relação com os fornecedores não mudou rigorosamente nada. No último ano, fizemos ainda um forcing para se tentar vender mais e para se aproveitar a onda provocada pela COVID-19 e fazer mais negócios. Devido a uma boa preparação, posso dizer que não tivemos falta de equipamentos, tanto a nível de desktops como de laptops.

Na altura em que toda a gente pretendia adquirir equipamentos, nós fizemos bastantes negócios. Portanto, quando não havia equipamentos novos, as pessoas e as empresas começaram à procura de equipamentos recondicionados que satisfazem em 90% os serviços em que a maior parte dos utilizadores trabalha. Graças a isso, a WDMI registou um crescimento muito superior no ano de 2020 àquilo que era expectável.

Os principais desafios para os Parceiros com a entrada de grandes consultores no mercado de IT e a relação com a concorrência

O plano de recuperação e resiliência trata-se de uma verba importante para a digitalização. São perto de três mil milhões de euros destinados à digitalização, tanto do setor empresarial, como do próprio Estado para o setor público. É importante perceber o verdadeiro impacto do Plano de Recuperação Europeu (PRE) na transição energética e digitalização das sociedades.

Jorge Carvalho, Brigthen

“Acreditamos que o tecido empresarial português vai efetivamente conseguir tirar partido desta oportunidade que será potenciada pelas nossas empresas para modernizar processos de negócio, modelos de negócio, transformação de modelos de negócio e aumentar a capacidade de produção e de entrega.

Muitas empresas já sabiam que deveriam ter efetuado investimentos nesta área da digitalização dos seus negócios, seja desde a simples implementação de um ERP, que lhes permita assegurar a gestão integrada da organização, a implementação de soluções de automatização da indústria 4.0, automatização de processos e business intelligence. A Brigthen conta com uma unidade de negócio que se dedica exclusivamente à elaboração de projetos e à preparação, submissão e acompanhamento de candidaturas para financiamento a fundos europeus.

Nós estamos já a trabalhar com várias empresas no sentido de se prepararem para tirar partido destes financiamentos, logo que estejam disponíveis. Estamos a trabalhar até inclusivamente com fundos orientados para a inovação produtiva que inclui a digitalização, soluções digitais e soluções de tecnologia para suporte para novas capacidades ou a capacidade adicional de produção. Acreditamos que este fundo vai ser aproveitado pela pelas nossas empresas e que representa a oportunidade de negócio para o setor da consultoria e da tecnologia informática”.

Gonçalo Mousinho, PrimeIT

“Nós fizemos um investimento interno específico não para a bazuca em si, mas para o setor público porque a verdade é que nós acabamos por dedicar a maior parte dos anos da PrimeIT ao setor privado e agora, desde o início do ano, começamos a investir no setor público. Contratamos pessoas experientes na área do setor público para a elaboração de propostas e para a criação de cadernos de encargos porque vai haver um grande investimento e é necessário cada vez mais empresas a ajudar, quer seja o Estado ou organismos públicos.

Já não há dúvidas nenhumas que vai haver dinheiro. A grande questão prende-se com a gestão (bem feita) desse dinheiro. Como estamos muito habituados ao setor privado e trabalhamos com empresas muito exigentes, acabamos por ter critérios de qualidade muito altos.

Todo este processo se faz de forma gradual. Somos cada vez mais um player nesta área do setor público. Estamos a trabalhar com uma equipa já muito com muitos anos de experiência para conseguirmos tirar o melhor partido deste investimento, mas sempre conscientes que no final do dia o nosso objetivo é ver uma entidade pública a tentar cumprir os prazos e os budgets. Acredito que todos temos o dever cívico e moral de dar um bom uso a estes fundos”.

Jorge Queiroz Machado, CPCecho

“O PRE será, sem dúvida nenhuma, positivo. O grosso terá impacto na administração pública, mas, obviamente, que o investimento público terá sempre uma consequência economia e na parte privada. O meu maior medo está relacionado com o desperdício que vai haver por não se saber utilizar estes fundos da melhor maneira. É nossa responsabilidade ajudar as empresas e organizações públicas a fazê-lo.

Há duas formas de abordar este tema. Por um lado, falo da parte privada, de empresas com maior maturidade, que têm seus consultores e que sabem perfeitamente montar projetos de investimento e submetê-los. Por outro lado, também temos uma abordagem sobre socorrer-nos de consultores para criar soluções já pré-formatadas em frameworks de candidaturas para apresentar aos nossos clientes na parte da modernização.

A administração pública tem isto muito mais avançado porque já submeteu as candidaturas e já fez os frameworks para que fosse pedido o dinheiro. Já a parte privada ainda tem algumas arestas para limar. Obviamente que qualquer um de nós tem de estar muito atento junto dos clientes para ver como é que os pode ajudar no processo”.

As previsões e expetativas para 2022 numa palavra

Apesar dos desafios causados pelo contexto pandémico, os Parceiros mostram-se confiantes no PRE e otimistas para o ano que se avizinha.

“Crescimento”

“O nosso modelo de negócios é muito pensado neste sentido. Temos um negócio sustentável, tanto economicamente como ecologicamente.

Pretendemos dar aos nossos Parceiros um produto muito mais ecológico, para além da parte da parte financeira. Os recondicionados são sempre uma mais valia. Temos vindo a tentar mudar o pensamento da massa crítica dos nossos Parceiros porque foi realmente difícil começar a vender equipamentos recondicionados em Portugal.

Temos equipamentos recondicionados já de oitava geração e que são extremamente recentes. Basta que as pessoas, e principalmente as PME, tenham essa noção para conseguirmos uma grande evolução”.

“Entusiasmo”

“Acho que 2022 vai ser um ano de crescimento. Espero que 2022 seja o ano de voltar ao velho normal. Estamos todos cansados do novo normal.

Acho que obviamente a bazuca vai trazer uma primeira vaga de entusiasmo e o dinheiro que vai entrar na economia e vai ajudar muito.

É sempre triste quando as empresas fecham, mas no fundo acabam ser por aquelas que não são tão eficazes ou que não se adaptaram tão facilmente e assim acaba por haver mais mercado para as que ficaram”.

“Adaptabilidade”

“Eu acho que para o próximo ano ainda existem muitas incertezas. É cada vez mais importante usarmos tudo o que nós temos à nossa volta para criar valor acrescentado ao cliente.

É preciso olhar para o nosso modelo de negócio tradicional e encontrar a inovação dentro daquilo que nós fazemos. Temos a capacidade de juntar a equipa onde ela estiver, garantir um serviço de qualidade e fazer com que tudo funcione.

Este vai ser cada vez mais um critério de sucesso para as empresas, e portanto, eu acho que é nisso que nós estamos a trabalhar: ser cada vez mais adaptáveis para depois promovermos um crescimento inerente”.

“Proximidade”

“É muito importante nesta fase perceber quais são as suas necessidades, os seus desafios e trabalhar na proximidade dos nossos Parceiros, das nossas pessoas que nos vão ajudar a definir quais vão ser os nossos investimentos, as soluções e estratégias que vamos criar para tornar o IT menos complexo do lado dos clientes, tendo como consequência um crescimento e a rentabilidade”.

“Foco”

“Este último período e o futuro próximo, vai ser de contínuo crescimento e é muito importante manter o foco no crescimento, nos clientes e nas nossas pessoas que, apesar de todas as vantagens do trabalho à distância, são afetadas pela tal falta de socialização.

É fundamental assegurar a qualidade e entrega de valor que se traduzirá num crescimento”.

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