Inês Garcia Martins em 2026-10-14
A integração entre energia, arrefecimento, IT, monitorização e segurança está a mudar a operação dos data centers e abre espaço a serviços de avaliação, integração e otimização no Canal
Paulo Pinto Coelho, Head of ICT & Cybersecurity da Start Campus
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A maior densidade das cargas de Inteligência Artificial (IA), cloud e computação de alto desempenho exige uma gestão integrada da infraestrutura dos data centers. Energia, arrefecimento, IT, segurança física e cibersegurança estão cada vez mais interligados. No data center de Sines, esta integração assume particular importância pela exigência das cargas de trabalho. Paulo Pinto Coelho, Head of ICT & Cybersecurity da Start Campus, explica que a combinação dos diferentes sistemas permite que “os operadores obtenham uma visão comum e quase em tempo real das instalações”, através de informação proveniente das plataformas de IT, monitorização elétrica, arrefecimento, gestão de edifícios, rede e segurança. Esta visão conjunta também permite detetar mais cedo comportamentos anómalos e relacionar diferentes sinais operacionais. “Uma anomalia de temperatura não deve ser avaliada apenas como um problema de arrefecimento: pode estar relacionada com uma alteração de carga de trabalho, degradação de equipamento, um problema de energia ou um incidente de segurança”, explica o responsável. A observabilidade e a análise de dados ganham, por isso, peso na operação. Servidores, racks, redes, sistemas UPS, distribuição de energia, arrefecimento, sensores e plataformas de segurança geram grandes volumes de telemetria, mas “o objetivo não é simplesmente recolher mais dados, mas correlacioná-los e utilizá-los para apoiar decisões”. Essa análise pode expor ineficiências que de outra forma seriam difíceis de identificar. Segundo o Head of ICT & Cybersecurity da Start Campus, “a análise de dados pode revelar capacidade elétrica ou de arrefecimento não aproveitada, equipamentos subutilizados, fluxo de ar ineficiente, padrões de consumo energético invulgares e desvios face ao desempenho esperado”. A automatização pode assumir ações de baixo risco, enquanto as decisões com impacto na disponibilidade ou segurança devem manter validação e supervisão humana. A procura de eficiência também não pode comprometer a proteção dos serviços críticos. “Eficiência não significa eliminar a redundância necessária para proteger serviços críticos; significa garantir que a arquitetura entrega o nível de resiliência necessário sem desperdício evitável”, defende Paulo Pinto Coelho. No data center de Sines, a Start Campus utiliza 100% de energia renovável e arrefecimento por água do mar, com suporte para arrefecimento por ar, híbrido e líquido. Eficiência à escala das empresasOs princípios aplicados numa infraestrutura desta dimensão não estão, contudo, limitados aos grandes operadores. “O mais transferível é o de medir antes de investir”, aponta o responsável. Consumo de energia, temperatura, humidade, utilização dos equipamentos, capacidade disponível e criticidade dos serviços permitem estabelecer uma linha de base também em salas técnicas e pequenos data centers. A partir dessa informação, podem ser adotadas medidas como “separar o fluxo de ar quente e frio e instalar painéis de obturação nos espaços de rack não utilizados”, “consolidar ou virtualizar servidores subutilizados” ou “desativar equipamentos obsoletos que continuam a consumir energia”. Na segurança, Paulo Pinto Coelho inclui a segmentação das redes e o teste regular da energia de backup, dos procedimentos de recuperação e dos alertas de monitorização. A aplicação destes princípios a diferentes escalas cria espaço de intervenção para os Parceiros, sem exigir aos clientes investimentos equivalentes aos de um hyperscaler. “Compreender a condição atual da infraestrutura de um cliente, a utilização da capacidade, o consumo de energia, a criticidade das aplicações e o contexto regulatório é um pré-requisito para qualquer melhoria significativa”, afirma. Essa linha de base pode ser traduzida num roteiro priorizado, em vez de aquisições tecnológicas isoladas. “A capacidade de correlacionar dados de energia, arrefecimento, IT e sistemas de edifícios numa visão operacional comum é o que permite a uma organização passar de uma gestão reativa para uma gestão proativa”, refere o responsável. Para os Parceiros, esta visibilidade pode sustentar serviços de integração, monitorização e otimização adaptados à realidade de cada cliente. “A otimização é um processo contínuo, não um projeto”, defende Paulo Pinto Coelho, com os Parceiros a poderem transformar esta abordagem em serviços recorrentes de eficiência, resiliência e segurança. |