Rui Damião em 2025-9-14
A 14 de outubro de 2025, o suporte oficial do Windows 10 termina. Para os Parceiros de Canal de IT em Portugal, este não é apenas uma deadline técnica, mas sim uma janela de oportunidade comercial que pode definir o desempenho dos próximos 18 meses
Os números não mentem: 53% dos PC Windows na Europa ainda executam Windows 10, de acordo com dados do Statcounter de setembro de 2025. Em Portugal, com uma base empresarial de elevada adoção de tecnologia, o potencial de migração é substancial. Segundo o blog oficial da Microsoft, as organizações têm duas opções principais: ou migrar para Windows 11 ou adquirir um Extended Security Updates (ESU) por 61 dólares por dispositivo no primeiro ano. Análises da CRN mostram que os Parceiros reportam impacto direto na receita com esta migração, especialmente em serviços agregados que antes não existiam numa simples troca de hardware. Três vetores de receita imediatosO fim do suporte oficial ao Windows 10 traz, no imediato, três fontes de receita possíveis para os Parceiros de Canal: renovação do hardware; serviços de migração e consultoria; e modelos de subscrição e serviços geridos. No caso do primeiro, o Windows 11 exige TPM 2.0 e Secure Boot, requisitos que muitos PC empresariais de 2017 a 2019 não cumprem. Segundo a Microsoft, isto força renovações de frota em vez de atualizações pontuais, multiplicando o valor médio por cliente. Um artigo de junho de 2025 da Cnet refere que, nos Estados Unidos, a maioria dos utilizadores ainda não migrou para Windows 11, criando uma procura reprimida que pode explodir nos próximos meses. Sobre o segundo vetor, o blog da Microsoft destaca que as organizações conseguem implementar Windows 11 25% mais rápido se utilizarem as ferramentas adequadas. Aqui, entra o valor dos Parceiros, uma vez que conhecem essas mesmas ferramentas para realizarem migrações relativamente suaves, mas que ainda requerem planeamento especializado. Ainda neste ponto, as oportunidades específicas para os Parceiros incluem avaliação de compatibilidade através da utilização de ferramentas como o App Assure da Microsoft; estratégias de implementação com Windows Autopilot e Intune; e gestão de mudança para equipas que precisam de formação. Já sobre os modelos de subscrição e serviços geridos, a Microsoft refere no seu blog que as organizações conseguem atingir um ROI de 250% com Windows 11 e workflows 50% mais rápidos. Estes benefícios posicionam ofertas de Device-as-a-Service e ambientes virtualizados. Urgência = vantagemCom o aproximar de 14 de outubro de 2025, o fator tempo é crucial. Análises da CRN identificam dois comportamentos distintos: organizações proativas que já iniciaram migrações para se posicionarem como líderes em transformação digital, e organizações cautelosas que aguardam até ao último momento. Se, antes, bastava enviar o novo hardware e o utilizador tinha acesso a um novo PC, hoje há imensos serviços adicionais que se podem agregar a esse mesmo dispositivo, desde a configuração até à proteção do dispositivo, criando, ao mesmo tempo, oportunidades de contratos de Device-as-a-Service. Ação imediataCom apenas um mês até ao fim oficial do suporte ao Windows 10, os Parceiros que ainda procuram aproveitar esta renovação forçada devem mapear imediatamente a base instalada de clientes e identificar sistemas críticos ainda em Windows 10 e, depois, desenvolver propostas estruturadas que combinem avaliação, hardware, migração e suporte. Estabelecer Parcerias com fabricantes e distribuidores de hardware – para garantir stock e condições preferenciais – também é uma necessidade. No seu blog, a Microsoft apontou que as organizações conseguem reduzir 62% dos incidentes de segurança e ter três vezes menos ataques ao firmware com Windows 11. Estes dados suportam argumentos comerciais robustos para uma migração imediata. Esta é, possivelmente, a maior oportunidade de crescimento para os Parceiros de Canal desde a migração do Windows 7. As organizações precisam de migrar para Windows 11 nos próximos meses e quem apresentar propostas estruturas agora vai capturar a maior fatia deste mercado em movimento. |