2019-5-27

ENTREVISTA

"A probabilidade de desaparecermos é tendencialmente inferior que todas as outras empresas"

À margem do encontro dedicado a Parceiros e clientes da IP Telecom, Rui Ribeiro, Diretor-Geral da IP Telecom, explicou as propostas da empresa nas áreas de cloud e cibersegurança

A IP Telecom apresenta-se agora como fornecedor de serviços na Cloud. Quais são os principais desafios deste setor?

Continuar a fazer com que as empresas passem daquilo que é a sua gestão de investimento, e com todo o custo direto que isso tem, de recursos financeiros, humanos, etc., para aquilo que é um modelo de serviços. Esse é um dos desafios e tendência que tem ocorrido. A lógica de ir muito agilmente aumentado ou diminuindo as necessidades de acordo com os picos de trabalho que as próprias organizações têm - esse é o principal desafio.

E a concorrência, também é um desafio?

Eu direi que estamos numa fase em que o mercado está a crescer. Naturalmente há espaço para todos, cada um tem as suas vantagens competitivas naturais. Aquilo que a IP Telecom tem de vantagem competitiva é os seus três data-centers, uma imagem de marca e de qualidade de serviço nacional, e aquilo que é a origem da IP Telecom, que são as capacidades de comunicações de alto débito. Hoje temos vários clientes que utilizam a nossa infraestrutura onde os colaboradores da própria empresa ainda continuam a achar que têm os seus sistemas dentro de casa. Isto é, a nossa mais-valia é aliar a tecnologia da cloud com a comunicação. Nós temos empresas de Lisboa que estão a usar diretamente as várias aplicações e os sistemas estão no nosso data-center do Porto. Essa é a nossa vantagem competitiva: ter a infraestrutura base e toda a tecnologia da cloud.

A vossa proximidade ao setor público também é uma vantagem competitiva, na perspetiva da confiança e compliance?

É também uma vantagem competitiva nossa. As nossas características, pelo facto de termos o nosso acionista público, que somos todos nós, dá um grau de independência e de seriedade... que um Estado ou governo obviamente dá. É um grau de confiança que a nós, enquanto entidade pública, nos dá um grau de estabilidade naquilo que é uma Parceria, que nestas áreas se pretende que seja de longo prazo e não apenas de curto prazo. Isto, num mundo de tecnologias onde tudo é tão volátil, obviamente também é uma vantagem de enquadramento de mercado que a IP Telecom tem. A probabilidade de amanhã desaparecermos por conjunturas de mercado é tendencialmente inferior que todas as outras do mercado.

A cibersegurança é outra preocupação crescente na IP Telecom. Qual é a estratégia?

Fizemos um plano estratégico de cibersegurança para o grupo Infraestruturas de Portugal de que os nossos clientes obviamente vão beneficiar, e beneficiam já de um conjunto de atividades que temos feito de há uns anos para cá. Não só do ponto de vista daquilo que é a relação com o Centro Nacional de Cibersegurança e outras entidades, quer privadas quer públicas, numa lógica de ecossistema, aquilo que nós estamos a procurar garantir aos nossos clientes é que dentro do nosso perímetro de atuação temos capacidades não só reativas - quando as coisas acontecem -, como preventivas em si. Nesta área da cibersegurança o fundamental é termos capacidade de reação rápida, o tempo aqui é essencial. Esta lógica de termos ecossistemas de comunicação, não só em termos internos, mas também de rapidez de execução e no acesso privilegiado a Parceiros, é um bastião nosso que queremos garantir. Estamos agora a apostar em áreas de inovação, e por estarmos inseridos no grupo Infraestruras de Portugal estamos em vários projetos europeus – de processos de comunicação segura, infraestrutura, veículo, veículo-veículo -, e este nível de ‘futurologia’, que é já muito em breve, vai garantir que os vários equipamentos de estrada comunicam de forma encriptada e segura e que os dados estão protegidos.

O vosso portfólio de clientes é sobretudo composto por grandes empresas. Há soluções para PME?

Nós temos vários níveis de clientes, muito tecido empresarial, e temos indústrias. Recordo-me de um cliente que teve um projeto de implementação bastante interessante no final do ano passado, que é uma indústria que está em Nelas e exporta a nível nacional e é uma média empresa. Mas temos pequenas empresas. Os grandes projetos são das grandes empresas e é onde nós estamos mais diretamente. Naquilo que são pequenas e médias empresas normalmente são os nossos Parceiros a estar presentes.

IT CHANNEL Nº 60 SETEMBRO 2019

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