Pedro Ferreira, Platform & Technology Solution Advisor, SAP Portugal em 2020-5-11

OPINIÃO

COVID-19 e os 50 tons de TI

É indubitável que o título deste artigo nos remonte a diferentes realidades cinéfilas, que nos têm proporcionado diferentes experiências e capacidades de melhoria e superação

Pedro Ferreira, Platform & Technology Solution Advisor, SAP Portugal

Embarcando neste cenário, se os vilões nos filmes de ficção científica aparecem muitas vezes sob a forma de seres tecnologicamente mais avançados, os heróis são quase sempre Humanos. O “herói” conta com a sua capacidade de improviso, de resiliência e mesmo superação. Estas qualidades estão em cada um de nós, o que nos torna imbatíveis.

Mas se os cenários de ficção nos agradam, a verdade é que a realidade é diferente: os humanos estão separados, isolados e enfraquecidos do ponto de vista social e; as Tecnologias de Informação (TI), apesar de encaradas como ferramentas válidas, são vistas como perigosas, capazes de suprimir postos de trabalho, limitar a socialização e substituir a força do nosso trabalho por algoritmos de Inteligência Artificial (IA).
Pois bem, desta vez, e no atual cenário de pandemia, o guião do filme é outro.

Devemos utilizar as técnicas do “e-inimigo”. A estratégia é intrincada nos pormenores, mas simples na essência: para combatermos a doença Covid-19, temos de abraçar o tal vilão das TI. As táticas passam por comunicarmos através dele (aplicações de chat e chamadas por videoconferência), alimentarmo-nos através dele (encomendas e entregas online), mantermo-nos informados através das suas notificações de Apps informativas e redes sociais e, também, por trabalharmos através do vasto leque de software para trabalho remoto.

Nunca a tecnologia fez tanto parte das nossas vidas. Neste momento, percebemos que esta não se trata de uma aliada para as ocasiões, mas, sim, do elemento agregador da família, algo intrínseco ao nosso núcleo social mais próximo. Aquele “tio” (tecnológico) chegado, com quem contamos para ultrapassar todos os obstáculos.

Um caso ilustrativo deste cenário é a comunidade científica, aliada a supercomputadores, que através da análise e decomposição de modelos proteicos, consegue aferir possíveis tratamentos para o vírus SARS-CoV-2. A tecnologia está a ser um importante veículo de combate, mas também um recurso imprescindível para evitar semelhante cenário no futuro.

Veja-se a utilização de Big Data e da IA, que está a criar listas de pessoas que devem ser contactadas do ponto de vista médico, de acordo com as vulnerabilidades encontradas, prevenindo e antecipando cenários de alto e potencial risco. Estas listas são criadas a partir de padrões que correlacionam mais de cinco mil variáveis, que incluem o historial médico, o estilo de vida e fatores socioeconómicos, como o acesso à habitação e transporte. Pretende-se agir de forma preventiva e direcionada na emergência da situação em que vivemos.

Ao que parece, esta família está para ficar, reconhecidas as suas virtudes naquilo que nos é mais sensível: o nosso “eu” e o nosso “nós”.

Empresas e a evolução das espécies

Se as pessoas e instituições estão a abraçar os vários tons da tecnologia, as empresas estão um passo à frente. Num momento em que a economia da experiência está em destaque, as grandes empresas têm de ser ágeis e adaptarem-se às realidades imprevisivelmente galopantes, como se de uma PME se tratassem. A empresa inteligente é mais do que nunca uma inevitabilidade, não apenas para o sucesso mas também para a sobrevivência.

De acordo com a Teoria da Evolução das Espécies, apenas os mais aptos permanecem, com a tradução de ciclos de aprendizagem e melhoria contínua. Na realidade empresarial, o significado de mais apto aproxima-se da capacidade de adaptação a nível estrutural e de processos de negócio. Basta olharmos para as empresas com o seu negócio assente em lojas físicas que, subitamente, viram a sua atividade estagnada. Neste caso, ou o online passa rapidamente a ser uma alternativa nuclear, ou a sua existência está posta em causa, com impactos dramáticos que não, apenas, os económico-financeiros.

Nos EUA, a Casa Branca chamou gigantes do ramo automóvel (GM, Tesla e Ford) para ajudar na produção de ventiladores. O que à partida parece ser um pedido de ajuda, rapidamente se transformou numa enorme pressão e necessidade de adaptação. De forma inesperada, estas empresas vêem-se no centro de opiniões públicas ávidas de boas-novas, que não hesitam em exigir (com visibilidade através do Facebook ou Instagram) uma resposta pronta. A (pungente) mensagem pode ser sintetizada na seguinte equação: “Sou vosso cliente e identifico-me com a marca. Confio que tudo farão para nos ajudar neste momento de grande dificuldade.” Comentários como este mudam a forma como os clientes olham para as empresas e como as experienciam. A agilidade na resposta prende-se com a capacidade de inovar, com base no conhecimento e na transparência do seu negócio (dados).

Se, por um lado, o lado operacional tem de ser ágil, por outro tem de ir ao encontro da experiência e das expectativas dos seus clientes e colaboradores. E essa experiência, cada vez mais volátil, é a chave da evolução. Quanto mais cedo for identificada, maior a probabilidade de sucesso. A aposta deverá ir, assim, no sentido da transparência, conhecimento, agilidade e capacidade operacional.

 

por Pedro Ferreira, Platform & Technology Solution Advisor, SAP Portugal

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