2018-6-06

NEGÓCIOS

Vendas de PCs em Portugal cresceram 6% em 2017

No ano passado, venderam-se no mercado português perto de um milhão e cem mil PCs, com os notebooks a registarem o maior crescimento: 9,6%

Em 2016, os números apresentados pelos principais analistas de mercado não eram animadores: demonstravam uma forte contração do mercado de PCs em todo o mundo, que se pensava que só conseguiria recuperar em 2018. Contra as estimativas dos analistas, o mercado ganhou um novo fôlego em 2017, voltando a estabilizar. O ano passado foi o mais estável desde 2011 e terminou com números positivos – o Q4 de 2017 fechou com 70,6 milhões de unidades vendidas mundialmente, um crescimento homólogo de 0,7%, segundo a IDC. O ano de 2018 iniciou-se, na EMEA, região onde se insere a Europa, com um crescimento – foram vendidas ao longo do primeiro trimestre deste ano 18,6 milhões de unidades, um crescimento na ordem dos 1,7%. Portugal ecoou esta tendência positiva da região e cresceu 6,2%, totalizando 1.088.877 unidades vendidas durante o ano passado, dados da IDC Portugal. Entre as categorias de produto, os notebooks tiveram o crescimento mais expressivo (9,6%), ao contrário das workstations, que caíram 0,5%.

As vendas de slate tablets e de dispositivos dois- -em-um (tablets destacáveis) também tiveram um bom desempenho, crescendo 4,9 e 4,4%, respetivamente. Este formato foi mesmo o segundo segmento com maior crescimento em 2017 (4,9%), em Portugal, com mais de 91 mil unidades vendidas. Os desktops, contra as expetativas, cresceram 1,8% no ano passado – 138 579 unidades vendidas.

Independentemente das oscilações do mercado, há um segmento que, nos últimos trimestres, incluindo em 2018, se tem mantido em terreno positivo: o empresarial. Gonçalo Ferreira, general manager na Dell EMC Commercial em Portugal, aponta a “transformação digital” como uma das forças que estão a alavancar o mercado de PCs no B2B. “As empresas necessitam cada vez mais de instalar novas tecnologias e processos que lhes permitam acompanhar de forma mais eficaz as necessidades dos seus clientes”, afirma. “O PC é fundamental para que acompanhem esta evolução”, sublinha.

Lígia Mendonça, BG Devices, na Microsoft Portugal, refere que “continuamos a assistir no mercado de PCs a um ritmo de evolução tecnológica bastante acentuado, que procura responder a novos padrões de consumo e a tendências comportamentais”. As inovações tecnológicas, “como interface tátil e caneta digital, dois-em-um, laptops ultraleves e convertíveis, com capacidades de performance e tempo de vida bateria cada vez mais evoluído", enumera, revelam, segundo a responsável, "um mercado que não está de todo estagnado”. O mercado empresarial privilegia não apenas a mobilidade, sublinha Lígia Mendonça, “mas cada vez mais um design premium e sofisticado”.

 

Segurança é prioridade

A mobilidade empresarial, o novo paradigma da produtividade, tem contribuído para a transformação deste mercado, segundo Hélder Bastos, country manager da Asus, “para que o conceito de PC tenha vindo a transformar-se drasticamente nos últimos anos”. Para os millennials, o posto de trabalho não é um local, o que também tem contribuído para uma procura crescente por dispositivos leves, compactos e com autonomia elevada.

“Os utilizadores procuram mais performance sem penalizar a questão da bateria, que potencia a utilização dos equipamentos em cenários de mobilidade, ao mesmo tempo que procuram conforto a nível de portabilidade e funcionalidades mais avançadas”, indica Lígia Mendonça. Para serem produtivos em qualquer lugar, os profissionais procuram também equipamentos que lhes ofereçam, segundo Gonçalo Ferreira, “ferramentas que permitam poupar tempo”. A mobilidade é indissociável da segurança, que tem sido apontada como um dos principais obstáculos à adoção do trabalho remoto. “A mobilidade é um imperativo para as empresas se manterem competitivas, porém, paralelamente, traz um acréscimo de desafios em relação à segurança dos dispositivos, dados e aplicações”, aponta Pedro Coelho, lead de Computação Pessoal na HP Portugal.

Os departamentos de IT deixaram de ter o controlo dos dispositivos no seu parque, que tradicionalmente era fixo, para passarem a ter de gerir um parque maioritariamente em movimento, diz, “o que levou a que os fabricantes começassem a investir em soluções resilientes de segurança que garantam a integridade dos dispositivos e dos dados quando estão desligadas de um ambiente controlado, como é o caso das redes corporativas”.

Miguel Coelho, country sales manager da Lenovo, confirma a segurança como “uma das caraterísticas que os utilizadores mais valorizam”, até porque hoje já existe uma grande “consciencialização em relação à privacidade dos dados”. À semelhança do que acontece nos smartphones, a autenticação biométrica tem sido a grande tendência. A tradicional password é assunto do passado, pelas fragilidades associadas, e hoje a autenticação faz-se por impressão digital ou reconhecimento facial. “A autenticação multifator, que complementa a password com a validação de um smart card ou o recurso a dados biométricos, aumenta exponencialmente a segurança e mantém os dispositivos protegidos”, explica Pedro Coelho.

 

Utilizador empresarial vs doméstico: diferenças a esbater-se?

Apesar de, por um lado, o utilizador profissional valorizar caraterísticas de produtividade, resiliência e autonomia, em nome de “um melhor e mais longo retorno de investimento”, comenta Pedro Coelho, da HP Portugal, para o utilizador doméstico a tecnologia mais recente, o desempenho e o design são as caraterísticas rainhas.

Porém, indica Hélder Bastos, da Asus, as diferenças entre estes dois tipos de utilizadores “são cada vez menos vincadas”. Ainda assim, para Gonçalo Ferreira, da Dell, continua, e continuará a existir, a “necessidade de se trabalhar em dois segmentos distintos”.

Embora seja necessário separar os dois segmentos, do ponto de vista comercial, Lígia Mendonça, da Microsoft, refere que “as exigências de produtividade em contextos móveis, bem como de acesso a plataformas que estimulem e potenciem a eficiência e a criatividade, levam a que existam equipamentos que se adequam a ambos os contextos”. Miguel Coelho, da Lenovo, sublinha que “o utilizador empresarial necessita de um suporte pós-venda adequado às suas necessidades de utilização, que são, naturalmente, superiores”.

 

Windows 10 contribui para a renovação do parque informático

O fim do suporte ao Windows 7 e 8, aliado às iniciativas de transformação digital que as organizações estão a levar a cabo, tem contribuído para que as empresas comecem a migrar para o Windows 10. “A crescente necessidade de adoção do sistema operativo e as capacidades que este potencia, por exemplo ao nível da realidade mista, autenticação biométrica e segurança avançada, tem impulsionado o desenvolvimento do mercado”, destaca Lígia Mendonça.

Além disso, esta versão do Windows responde, segundo Miguel Coelho, “mais eficazmente às questões da segurança e de suporte, com a incorporação da assistente pessoal virtual Cortana, como forma de facilitar a vida do utilizador”. Esta nova versão do Windows, por se demonstrar “incompatível com algum hardware mais antigo que as empresas possuíam”, refere Gonçalo Ferreira, tem levado a uma forte renovação dos parques empresariais.

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