Jorge Bento e Marta Quaresma Ferreira em 2025-7-15

ENTREVISTA

Tem A Palavra

“Temos a sorte de ter um Canal em Portugal bastante evoluído e que adere com facilidade aos modelos de inovação tecnológica”

Este mês o IT Channel dá a palavra a Dennis Teixeira, Managing Director da HPE Portugal. Recentemente, a empresa apresentou o seu Programa de Canal unificado, com novas soluções de Inteligência Artificial e GreenLake. A Parceria com grandes players do mercado reforçam a imagem robusta da organização ao nível da cloud híbrida e Inteligência Artificial (IA), uma das grandes apostas para os próximos anos

“Temos a sorte de ter um Canal em Portugal bastante evoluído e que adere com facilidade aos modelos de inovação tecnológica”

Dennis Teixeira, Managing Director da HPE Portugal

O HPE Discover 2025, que decorreu recentemente em Las Vegas, nos EUA, reforçou a visão da IA Generativa e da cloud híbrida como core na estratégia da organização. Como é que estas prioridades globais se refletem na realidade portuguesa?

As prioridades das empresas e de Portugal não são muito diferentes daquelas que existem noutras geografias. Reafirmámos aquilo que é o nosso compromisso com a inovação tecnológica no nosso último evento, com a nossa estratégia assente em três pilares: networking e redes, que nos permite facilitar o acesso à informação de uma forma mais eficiente e segura; hybrid cloud, que permite oferecer a opção de correr os workloads no sítio mais adequado, quer seja on-premises, num ambiente mais privado, quer seja numa cloud pública; e, por último, a inteligência artificial, que permite aos nossos clientes tirarem partido dos dados que têm nas suas organizações para poderem extrair o seu valor, acelerando aquilo que são os resultados, a eficiência e a otimização das suas próprias organizações. Diria que estes são os desafios de qualquer organização, independentemente do sítio ou da geografia onde se encontra.

Como é a HPE está a olhar para o papel da sustentabilidade no investimento em infraestruturas? De que forma o GreenLake e os data centers modulares podem acelerar a resposta ESG nas empresas?

Temos um compromisso muito grande com a sustentabilidade. Publicamos anualmente um relatório – o Progress Living Report –, que é público e onde temos em detalhe tudo aquilo que são os nossos objetivos e iniciativas. Alguns dos exemplos de como materializamos essa nossa estratégia em benefício não só do ambiente e da sociedade, mas também dos nossos clientes, passam pela nossa plataforma GreenLake, onde permitimos que os nossos clientes tenham acesso a um sustainability report que, no fundo, lhes permite ter acesso e visibilidade sobre aquilo que é o seu impacto do ponto de vista de sustentabilidade e como é que podem tomar ações e decisões para reduzir esse impacto.

Do ponto de vista de tecnologia, também temos tecnologias bastante inovadoras, como é o caso dos data centers modulares, mas também tecnologia de arrefecimento, à qual chamamos 100% direct liquid cooling, ou seja, não tem ventoinhas para arrefecimento dos nossos equipamentos de computação e que permite reduzir até 90% aquilo que é o consumo energético num data center. Portanto, esta tecnologia é única – o 100% direct liquid cooling dá-nos essa possibilidade, não só de redução de espaço e de footprint num data center, mas também de redução de consumo energético desses equipamentos. Estes são os exemplos fundamentais do ponto de vista tecnológico e do ponto de vista do benefício que disponibilizamos aos nossos clientes e Parceiros. Não basta termos a tecnologia para reduzir; damos essa visibilidade e permitimos aos nossos clientes incorporarem essas poupanças e esses benefícios naquilo que é também a sua política de sustentabilidade.

Um dos temas que marca a história recente da HPE está relacionado com o anúncio da aprovação regulatória nos EUA para a aquisição da Juniper, um negócio relevante para reforçar as áreas de AI networking e segurança. Qual será o impacto prático desta aquisição para os clientes e Parceiros em Portugal?

Estamos há algum tempo a aguardar esta decisão do Departamento de Justiça e chegámos recentemente a acordo. Acreditamos que esta fusão vai trazer aos nossos clientes e acionistas os benefícios que estiveram na base desta aquisição. Traduz-se na possibilidade de disponibilizarmos ao mercado uma alternativa viável de tecnologia de redes data center de alto débito, muito necessário para aquilo que vão ser as necessidades do futuro e do débito que é necessário para processar as cargas de trabalho de inteligência artificial. É, talvez, um dos fatores mais relevantes no benefício prático que vamos poder dar aos nossos clientes. A Juniper tem um posicionamento muito forte em service providers, em empresas de telecomunicações, mas acreditamos que as capacidades ou as necessidades de computação que estes players têm vão ser necessárias também no segmento empresarial e, portanto, estamos muito satisfeitos porque vamos poder oferecer aos nossos clientes empresariais também essa tecnologia.

Um segundo ponto extremamente relevante é a capacidade que nós vamos conseguir adicionar ao nosso portfólio de IA na gestão de redes. A Juniper tem uma tecnologia chamada Mist AI, que nos vai permitir incorporar inteligência artificial na gestão de redes, que é cada vez mais complexa, e vai permitir aos nossos clientes antecipar problemas, reconfigurar redes e gerir de uma forma muito mais eficiente e eficaz as redes que cada vez são mais complexas.

No Discover 2025, assistimos ao avanço das capacidades de IA generativa com suporte a modelos open-source e integração com GreenLake. Que casos de uso de IA na cloud híbrida poderão ser mais relevantes no mercado nacional nos próximos 12 meses?

Temos vários vetores naquilo que é a importância da IA na nossa estratégia. Por um lado, estamos a utilizar e a introduzir o IA em toda a nossa oferta tecnológica para podermos maximizar o potencial das ofertas que oferecemos aos nossos clientes para tirarem partido do IA. Portanto, AI for Technology, Technology for AI – é o nosso mote.

Aquilo que eu destacaria do ponto de vista de anúncio é a introdução de mecanismos de IA, nomeadamente na nossa plataforma GreenLake, que vai permitir otimizar ou automatizar através de IA operações complexas de gestão de um ambiente híbrido. Hoje, se um cliente tem de decidir onde é que é mais eficiente correr uma determinada carga, tem de fazer uma análise manual. Na maioria dos casos tem de olhar para dados que são fornecidos por várias ferramentas e reports e tomar decisões com base nessa informação. Com o anúncio que fizemos – o GreenLake Intelligence –, estamos a introduzir agentes de IA na nossa plataforma de GreenLake que vão fazer este trabalho de uma forma automática, mediante aquilo que é a solicitação do cliente. Portanto, o cliente quer aprovisionar esta carga, com este fim, com este custo e com esta eficiência e a própria ferramenta automatiza todo este processo e dá o output desejado. É esta a inovação que estamos a trazer a toda a nossa tecnologia e plataforma.

A HPE está a reforçar a presença no edge com capacidades de IA local e integração com 5G. Em que setores vê maior potencial para este edge inteligente no mercado nacional?

Todos os setores são potenciais interessados ou beneficiários da nossa estratégia. Focando no tema do 5G, a integração do Wi-Fi com o 5G é uma tendência e pode ser aplicada em qualquer cliente, em qualquer setor, com benefícios diretos para o negócio. A aplicação da IA no edge tem muito a ver com a introdução de mecanismos de inteligência artificial na gestão e na operação das redes, independentemente do sítio onde elas estejam, quer estejam no edge, quer estejam no data center. Curiosamente, este foi um dos anúncios: a introdução de agentes IA – o AI Mesh –, que vai permitir otimizar a gestão e a operação das redes pela integração que fizemos no HPE Aruba Central, que é a nossa plataforma de gestão de redes desde o edge até à cloud.

O que diferencia a oferta da HPE em termos de compliance e controlo de dados sensíveis face às alternativas públicas?

Nós integramos tecnologia e uma das nossas soluções mais prontas para endereçar o desafio da cloud são as nossas soluções de private cloud. São soluções pré-integradas, prontas a usar quando são entregues. E pela sua natureza de soluções pré-integradas, pré-definidas, que integram já todo o nosso stack de software de gestão de cloud híbrida, permitem gerir workloads e gerir dados de uma forma absolutamente privada, sem nunca esquecer que, por vezes, é necessário gerir o híbrido e alguns workloads que estão na cloud pública. Vemos com enorme entusiasmo a oportunidade que existe no mercado porque toda a discussão de soberania de dados, das aplicações e de segurança dos dados casa diretamente com esta nossa estratégia e oferta. Nós damos essa possibilidade, que foi um anúncio que também fizemos no Discover, de uma das nossas principais soluções – o Private Cloud AI – ter uma versão fully disconnected. Isto quer dizer que pode ser gerida completamente isolada de ligações externas. É extremamente importante para clientes que têm dados, que não querem expô-los à cloud pública e que querem a garantia de que estão confinados ao seu acesso e que estão acessíveis de uma forma segura e isolada.

Com o advento da inteligência artificial, este receio de expor os seus dados críticos, os dados críticos para o negócio e para os outcomes ou para os resultados que os clientes esperam é cada vez maior. Por questões de segurança, mas também por questões geopolíticas.

Recentemente a HPE revelou o seu Programa de Canal unificado, que consolida as ofertas não só da HPE, mas também da Aruba. De que forma é que este novo Programa vai simplificar e potenciar a atividade dos Parceiros em Portugal?

Anunciámos um novo Programa de Canal em Las Vegas que, no fundo, resulta de uma simplificação do nosso Programa de Canal porque une duas formas de Parceria que tínhamos com o nosso Canal.

Tínhamos um Programa de Parceria que se focava em computação e em armazenamento; e um Programa de Parceria que se focava em networking. Vai haver uma fusão destes dois Programas e a relação de Programa com os nossos Parceiros vai-se fazer de uma forma unificada. Acreditamos que esta simplificação vai permitir que os nossos Parceiros tirem mais partido da nossa relação de Parceria porque vai-lhes permitir ter acesso, de uma forma mais simples, a toda a oferta HPE e a todo o potencial que a HPE pode ter com todo o nosso stack tecnológico. O HPE Partner Ready Vantage vai orientar a Parceria para o tipo de relação que os Parceiros querem ter connosco: ou querem ter uma relação onde podem desenvolver os seus produtos e as suas soluções alavancadas em tecnologia HPE – e a este programa nós chamamos o Build –, em que podem construir as suas soluções integradas com a nossa tecnologia; podem decidir revender e integrar de uma forma simples a nossa tecnologia – é o pilar a que chamamos Sell; ou podem construir sobre todo este stack tecnológico uma prática de serviços onde podem aportar e desenvolver serviços em cima da nossa tecnologia – o pilar de Service. São três pilares – Build, Sell e Service – e dentro de cada um destes vão poder ter certificações de Hybrid Cloud, AI e Networking. É mais simples e tem como objetivo remunerar os Parceiros que querem ter relações mais fortes de Parceria connosco.

Como tem evoluído a estratégia de Canal da HPE em Portugal para a entrega de soluções GreenLake e AI? Há uma reconfiguração do papel do Parceiro para este novo modelo as-a-Service?

Temos a sorte de ter um Canal em Portugal bastante evoluído e que adere com facilidade àquilo que são os modelos de inovação tecnológica e até os modelos de inovação de negócio ou modelos de inovação comercial, como é neste caso o GreenLake, que é um misto de inovação económica ou financeira com inovação tecnológica. Nós temos tido essa sorte e os nossos Parceiros aderiram de uma forma extraordinária ao longo dos últimos anos. Eu não diria que estão a fazer esse processo – já o fizeram – e isso, para nós, é extremamente importante. Foi muito importante termos trazido para Portugal o negócio de GreenLake até onde nós o trouxemos. E a isso devemos, ou só o podemos dever, à adoção que o nosso Canal e que os nossos Parceiros fizeram do modelo. O que estamos à espera é que na IA aconteça exatamente o mesmo porque estamos já a trabalhar há mais de um ano com os nossos Parceiros para desenvolver aquilo que é o nosso Canal, através de enablement, de training, de apoio, inclusivamente comercial; desenvolver o nosso Canal para estar apto para vender e para promover as nossas soluções de inteligência artificial, nomeadamente, mas não só, a nossa oferta de private cloud, mas também toda a nossa oferta do Nvidia AI by HPE.

É desta forma que estamos a trabalhar com os nossos Parceiros e abre-se também aqui uma nova oportunidade para colaborarmos com novos Parceiros porque, de facto, no tema da IA, vamos um pouco além daquilo que é a integração tecnológica pura; é preciso ter um contacto e um conhecimento muito fortes do que são os modelos de negócio e do que podem ser os use cases.

Felizmente, há Parceiros que estão mais avançados dentro do nosso Canal e que já conseguem fazer este papel end-to-end, desde a integração tecnológica até ao conhecimento do negócio. No entanto, para aqueles que ainda não estão nesse modo, é possível fazer outras Parcerias com entidades que têm este conhecimento para nós entregarmos ao cliente valor. Estamos muito otimistas com o nosso Canal e com o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, quer no GreenLake ao longo dos últimos três, quatro anos, quer na IA, no último ano. Estamos muito otimistas.

O que podem esperar os Parceiros da HPE em termos de capacitação, incentivos e suporte técnico para acelerarem projetos de IA e cloud híbrida nos seus clientes?

Penso que o Programa de Canal que anunciámos prepara-nos para o futuro e para aquilo que nós esperamos do Canal e dos nossos Parceiros nos próximos anos. Do ponto de vista tecnológico, podem contar com um portfólio que nunca foi tão completo e tão vasto. Neste momento a HPE orgulha-se de ter a propriedade intelectual total para ser um líder de soluções de cloud híbrida. Os nossos Parceiros, através das certificações que podem ter connosco, podem tirar partido de todo este portfólio único. Para o futuro, a IA requer essencialmente modelos de cloud híbrida, e também aí estamos muito bem posicionados. Os nossos Parceiros podem tirar partido desta nossa tecnologia e estratégia para serem líderes de tecnologia de inteligência artificial. Os modelos de cloud, como nós os conhecemos nos últimos dez anos, não vão ser modelos dominantes que vão prevalecer nos próximos dez; o modelo vai ser híbrido, por via das exigências que a IA vai trazer quer do ponto de vista de processamento, quer do ponto de vista de localização de dados e de soberania de dados. O modelo vai ser nativamente híbrido e nós não podíamos estar mais bem posicionados para aceitar este desafio.

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