Jorge Bento e Marta Quaresma Ferreira em 2025-12-12
Este mês o IT Channel dá a Palavra a Hélder Bastos, Country Manager da Asus Portugal. A mudança de paradigma do hardware é um dos grandes objetivos do fabricante a nível nacional. O segmento Asus Business representa já 15% do negócio da empresa em Portugal, com as áreas da Administração Pública e da Educação a destacarem-se como dois dos principais verticais no ecossistema português
Hélder Bastos, Country Manager da Asus Portugal
|
Como é que avalia o desempenho da Asus em Portugal no último ano? Sentiram uma retoma efetiva do consumo e do investimento em termos de empresas ou o mercado ainda se mostra cauteloso? A Asus chegou ao mercado profissional há três anos, com uma equipa portuguesa dedicada. A experiência que temos não é eventualmente tão grande como a nossa concorrência, mas o que sentimos, face à experiência que temos do mercado, é que há procura, mas parece-me que a incerteza política, a determinada altura, e porque há muitos valores que dependem do Estado e as empresas também investem dependendo do tipo de governo que vai existir, que medidas vão ser tomadas, que políticas vão ser seguidas, provocou alguma retração face ao investimento. Porém, agora começamos a sentir mais procura, mais investimento. Uma vez que estamos dedicados e focados nesta área de business desde 2022, tivemos no primeiro ano um crescimento de cerca de 35%; de 2023 para 2024 crescemos 115%, foi muito bom, foi isso que nos deu alento para continuar. Estamos a prever fechar com um crescimento de 50% este ano, muito alinhados com a Asus a nível global e, portanto, o negócio neste momento está a correr bem, independentemente de toda a retração que possamos achar ou ter sentido por parte do mercado. Atualmente, qual é a vossa quota de mercado em Portugal e quais é que foram os produtos e os verticais que mais contribuíram para o resultado? Qual é o peso que têm em Portugal? Neste momento, aqui em Portugal, na área de sistemas, o peso de business é à volta de 15%. Estamos à espera de fechar este ano com uma quota de mercado a rondar os 7%. Somos muito novos, mas estamos muito contentes com essa quota de mercado porque está acima das nossas outras filiais, o que nos dá algum alento também para continuar. Aquilo que estamos a fazer, estamos a fazê-lo bem. Para o ano ambicionamos um crescimento maior em termos de quota. Quais são os verticais ou áreas em que a Asus procura investir? O nosso histórico inclui a administração pública, que tem um peso de aproximadamente 30% do nosso total de negócio, seguido da educação, com 20%, e também a saúde, com cerca de 20%. Aqui temos já 70% e o resto do negócio é diluído. Pretendemos continuar a apostar na educação, porque temos dispositivos muito adequados, tanto a estudantes como a professores; apostar na saúde, onde inclusive temos dispositivos já com cariz médico, e onde podemos ir mais além; vamos continuar a investir na administração pública, onde temos soluções escalonáveis, que permitem uma grande flexibilidade a nível de digitalização administrativa; o retalho e hospitalidade, onde também já temos algum histórico com produtos para POS e monitorização. Vamos ter um segmento no próximo ano que será uma novidade para nós e onde vamos fazer bastante força: uma linha de produtos que são os ProArt, muito segmentada e focada na indústria, na engenharia, arquitetura. Sabemos que há uma lacuna em termos de oferta de produto e queremos ir ao encontro deste segmento de mercado. Estou a falar de produtos, mas o mais importante de tudo isto é também o serviço. O Asus Premium Care é um serviço onde, para além de termos tudo o que é standard, temos também a possibilidade de customizar tudo o que pode ser customizado. Há pouco tempo ganhámos um negócio para a indústria onde tivemos um serviço que nos foi solicitado e que agora faz parte do nosso pacote standard, que é o next business day. É um serviço que, ao invés de ser prestado no dia seguinte, como o nome indica, passa agora a ser realizado em quatro horas após o problema ter sido relatado. É por aqui que vamos apostar, nesta diferenciação. Vivemos uma era muito marcada pela IA, pelos servidores e por toda a energia e disponibilidade que é necessária, o que tem aumentado de forma significativa a pressão sobre a disponibilidade e os preços. De que forma é que esta pressão sobre a disponibilidade e o preço está a afetar a Asus? Têm sentido algum constrangimento no fornecimento ou algum ajuste de preço que necessariamente já esteja a refletir aquilo que está a acontecer no mercado? Já estamos a sentir que há essa escassez. Por muito planeamento que façamos, vai sempre sentir-se, mais tarde ou mais cedo. Neste momento estamos a sentir o aumento de preços, mas é a lei da oferta e da procura a funcionar: há mais procura do que capacidade de oferta e os preços disparam. Tudo faremos para manter o preço, mas se continuarem a escalar desta forma, e se a inflação for como estamos a prever e a sentir, é natural que os preços tenham de subir. Há muitos negócios e os maiores negócios normalmente são concursos. Se calhar daqui a 60 dias vai sair uma decisão para fornecimento daí a outros 60 ou outros 90 dias. Isto para dizer que é uma dificuldade estar a dar um preço que faça sentido na altura de fornecimento. Para além dessa dificuldade do preço, temos a dificuldade do próprio fornecimento, de assegurar que vai acontecer, porque após a adjudicação é fácil assegurar o mesmo; o problema é o que se faz até à adjudicação, do período que vai entre o lançamento do concurso e a decisão do Parceiro vencedor. Como somos os newcomers no mercado, temos de agilizar o preço – temos de ser competitivos, iguais ou mais que os outros – temos de inovar no serviço, temos de dar mais qualquer coisa, portanto a nossa solução tem de ser melhor do que a dos outros. E quando isto acontece, à partida, a solução custa mais dinheiro, portanto há aqui também uma pressão das margens de comercialização para nós, mas como haverá para todo o mercado. A perspetiva da Asus para 2026 passa por apostar nessas soluções que o Hélder estava a enumerar? É esse o caminho para fazer face a esta questão? Sem dúvida. Com o tempo que temos de mercado, e com o contato que temos tido e a seleção que temos dos nossos próprios Parceiros de negócio nesta área, gostávamos que muitos Parceiros estivessem mais bem preparados para conseguirem ir ao encontro das necessidades deste mercado empresarial. Queremos que os Parceiros Asus deixem de ser revendedores e passem a ser consultores de transformação digital com os produtos Asus. E, para isso, precisamos deste tempo para os formar, para conseguirmos transmitir o que é que entendemos como o futuro nesta área para conseguimos alavancar negócio. O nosso futuro passa exatamente por aí: por esta formação, por apresentar as soluções adequadas a cada mercado, não só pela venda do hardware, mas também pela venda da solução completa. Muitas vezes esta solução completa não é só o hardware e o serviço, vai mais além; a solução também é o comprometimento do Parceiro, da Asus, o envolvimento no projeto em si do cliente final. Neste ponto disponibilizamos tudo aos nossos Parceiros, incluindo todas as ferramentas de gestão do negócio no Asus Portal Alliance. A Asus tem feito investimento na linha ASUS Business, com soluções como o ExpertBook e o ExpertCenter. Qual a estratégia da organização para crescer num mercado B2B e fazer face a outras marcas concorrentes e de que forma é que procuram complementar o hardware com serviços, como o Device-as-a- Service, as garantias estendidas, entre outros, de forma a complementar a oferta? Isso vai no sentido daquilo que referi anteriormente sobre mudar este paradigma do revendedor de hardware para o consultor de transformação digital. E para isso é necessário criarmos este mindset nas organizações que são nossas Parceiras para encarar o negócio desta forma. Temos de apostar muito na formação dos Parceiros e em tentar encontrar Parceiros nas várias áreas, que se interessem pela inteligência artificial, que sejam expert, e que nos ajudem também, e vice-versa, a conseguir encontrar soluções para ir ao encontro daquilo que pretendem. Os dispositivos nós temos – temos uma história, estamos no mercado desde 89, portanto há 36 anos. De 16 mil pessoas que existem na Asus, a nível internacional, cinco mil são engenheiros de investigação e desenvolvimento, é quase um terço, e mais de mil são engenheiros de investigação e desenvolvimento só na área da inteligência artificial. Este é o nosso comprometimento com o futuro: continuamos a ter este investimento para trazer algo diferente e para estar sempre na vanguarda daquilo que é o negócio e o próprio desenvolvimento daquilo que vão sendo as tecnologias que estão a surgir. Como é que o mercado português está a reagir aos AI PC? A incorporação desta tecnologia, a par do fim do suporte ao Windows 10, são o grande motor para uma vaga de renovação de hardware nos próximos tempos? Espero, honestamente, que o caminho seja esse, isto é, quando renovarmos, que seja para uma solução com inteligência artificial. Acho que quem não o fizer vai atrasar-se muito. A IA pode dar-nos uma opinião sobre como decidir, mas a decisão é sempre nossa. Acho que é uma oportunidade excelente, efetivamente, para alavancar vendas na questão dos dispositivos IA. A Asus foi a primeira a trazer um notebook com inteligência artificial para o mercado empresarial, com o nosso ExpertBook. Percebemos a importância que tem a inteligência artificial e antes de se falar de IA já tínhamos partes desta tecnologia nos nossos dispositivos. É claro que são coisas muito pequenas – supressões de ruído, melhorias de imagem, estarmos numa call e passar alguém atrás e não se ver –, mas é feito por inteligência artificial. Queremos trazer para o mercado, mas o que esperamos é que o mercado comece a despoletar uma procura por este tipo de dispositivos. Nós oferecemos sempre a inteligência artificial e grande parte dos concursos que existem nesta área já vêm com o tipo de processador que pretendem. Quer dizer que a Asus também está a trabalhar junto da Administração Pública para investir e demonstrar junto do setor a importância da IA na digitalização? A Asus, através dos seus Parceiros, está junto da Administração Pública para tentar demonstrar as vantagens que a inteligência artificial tem, incluindo a incorporação da IA nos dispositivos. Penso que é um trabalho que vai demorar algum tempo. Espero que não seja muito, mas acho que vai demorar algum tempo. Temos aqui um fator importante neste tipo de situações: ainda se trata de uma tecnologia relativamente mais cara comparativamente à anterior, mas é o custo do avanço tecnológico. Como é que caracteriza a atual relação da Asus com os Parceiros portugueses? Existe alguma novidade, alguma mudança pensada para o Programa de Canal nos próximos tempos? Temos os nossos Parceiros que fazem parte de um Programa de incentivos da Asus. Em termos digitais temos o Asus Portal Alliance, um portal onde abrimos as portas de casa e onde os Parceiros conseguem ver tudo sobre os nossos produtos. Podem tirar os certificados de cada produto; conseguem perceber para onde se devem direcionar na oferta de determinado produto; podem fazer o seguimento do seu próprio negócio, do negócio que fizeram com a Asus e o seguimento dos incentivos que já acumularam. Queremos fazer mais, apostar muito na formação, que vai passar sempre pelo suporte e pela explicação do suporte que fornecemos pós-venda. Nós não vamos dizer a nenhum negócio que não vamos pelo suporte – iremos sempre. O produto nós temos, portanto temos de ter a formação para os nossos Parceiros, para que consigam interpretar o que é que têm, a forma como têm de atuar junto do cliente final e o que devem fazer para que os produtos Asus sejam valorizados por eles e, mais tarde, pelo cliente final. A grande mudança é melhorar tudo aquilo que já temos vindo a fazer, mas apostar muito na formação dos nossos Parceiros. Qual a mensagem que gostaria de deixar aos Parceiros? Quais as expectativas da Asus para o próximo ano? A Asus tem uma história enorme. O nosso ADN é a inovação; a tecnologia para nós é tudo e aquilo que procuramos é uma vida digital mais intuitiva. O que dizemos aos nossos Parceiros é que temos o produto, temos o serviço, mas queremos focar na solução, que passa por falarmos todos e encararmos o mercado de futuro. Temos de olhar para outras áreas de negócio. No caso dos próprios Parceiros, que estão a descurar outras áreas porque acham que não têm competências, a Asus está cá para ajudar. Vamos trabalhar em Parceria, não só com os nossos revendedores, mas também com o nosso headquarter para tentar trazer para o nosso mercado o melhor da Asus, endereçando as necessidades do cliente ao melhor preço possível. Em termos de Canal e de Parceiros, queremos estreitar as relações que temos. Os que estão connosco sabem que podem contar com isto. Para o ano vamos trazer ainda mais produtos com inteligência artificial. Eventualmente 80% dos produtos vão ter IA já incorporada. |
“A consolidação do mercado está a provocar uma grande pressão nas margens dos Parceiros”