2015-11-23

ENTREVISTA

“O maior investimento que a Huawei Portugal está a fazer é na área empresarial”

A Huawei pretende investir para ter uma unidade empresarial forte e dinâmica em Portugal e continuar a crescer sustentadamente no nosso mercado. A área de data center é uma das mais importantes na estratégia do fabricante, que quer posicionar-se como um coacher dos Parceiros ao nível do desenvolvimento dos seus negócios

Pedro Ferreira e Bruno Santo, country director e enterprise director da Huawei Portugal.

O último CIO Forum da Huawei realizou-se em Lisboa, no final do mês de outubro e
o IT Channel aproveitou a oportunidade para conversar com Pedro Ferreira, country director da Huawei Portugal, e Bruno Santo, enterprise director da subsidiária, sobre a visão e os planos para o mercado português.
 
IT Channel – Quais têm sido as prioridades da unidade empresarial da Huawei em Portugal?
Pedro Ferreira (P.F.) – Começámos a funcionar em 2012 e a nossa prioridade foi construir um ecossistema, no qual parte fundamental passa pelo Canal.
Identificámos os nossos Parceiros, que trabalhamos ao nível da distribuição e da integração. Numa outra fase privilegiámos a certificação. Neste momento, a
prioridade passa pelos verticais, depois pelos media e pelo setor público, nomeadamente o governo central.
No que diz respeito ao portfólio, estamos a dar prioridade a unified communications. O data center é uma área altamente estratégica para a Huawei, transversalmente. Apresentamo-nos com um portfólio, nesta área, que é end-to-end. Vai desde a infraestrutura até à solução completa – com plataforma de gestão e energia.
 
Este é o aspeto que mais vos diferencia na área do data center?
P.F. – Até aparecermos no mercado, tinha havido um ecossistema composto por
uma série de players com soluções para o segmento empresarial que se complementavam entre si. A diferença é que a Huawei realmente tem um portfólio vastíssimo, que nos permite endereçar a banca, os transportes, entre
outros setores.
 
Nesse caso, tratam-se de grandes empresas. E as PMEs, o que representam?
Bruno Santo (B.S.) – É um mercado muito interessante e na verdade representa um grande volume. de negócio que, naturalmente, os nossos Parceiros estão a endereçar.
 
Que vantagens traz a Huawei às empresas?
P.F. – No campo das unified communications o nosso portfólio vai desde uma solução completa, end-to-end, de telepresença, como por exemplo uma videoconferência autónoma, até à personal videoconference, na qual dispomos de uma solução altamente flexível, inovadora e competitiva. Por outro lado é muito prática, sendo autónoma até quatro pontos.
Também nos distinguimos pelos contentores de data center. Nas redes, temos um portfólio vastíssimo no que diz respeito a CPEs empresariais convergentes, ou seja, que têm interfaces que vão do fixo à fibra, 3G e 4G. A grande vantagem é que a Huawei não só tem a capacidade de endereçar as grandes contas, como também consegue de, cada vez que identifica umaoportunidade, desenhar soluções de acordo com a necessidade do cliente, independentemente da sua dimensão.
 
Os contentores de data center, enquanto solução chave-na-mão, são uma solução que o mercado português procura?
P.F. – O nosso setor não para e evolui diariamente. Cada vez mais exige reinvenção. Atualmente, os decisores, nas empresas, procuram cada vez mais soluções com flexibilidade, dinâmica e inovação, que lhes permitam crescer à medida que o negócio o possibilita. A solução do contentor assenta perfeitamente no modelo de implement as you go. Em Portugal ainda não foi nenhum implementado, mas existe procura e os clientes ficam muito agradados com a solução.
Posso dizer que existem algumas oportunidades reais que podem ser concretizadas em 2016.
 
B.S. – Uma das grandes vantagens do nosso portfólio, que é muito extenso, é o facto de termos apenas uma interface e, adicionalmente, a plataforma de gestão é a mesma para cada uma das product lines, não havendo necessidade, por parte do cliente final, de serem adquiridas segundas plataformas de gestão.
 
Qual a área de negócio que mais tem crescido dentro da Huawei?
B.S. – Uma das áreas em que temos estado a crescer bastante é o WiFi, o que está relacionado com a própria evolução tecnológica do país. A nossa vantagem em networking, no WiFi, no IT e em videoconferência é o facto de conseguirmos abranger o cliente final com várias oportunidades. A área de data center está em forte expansão e acreditamos que, em Portugal, será uma das áreas de grande crescimento e na qual nos vamos destacar a nível tecnológico. Todo o nosso portfólio tem uma grande componente de qualidade de produto e de inovação, porque sabemos que temos de ser diferenciadores e ter add value relativamente à nossa concorrência.
 
 
 
O valor acrescentado também advém da qualidade dos Parceiros. Como é que a Huawei os apoia na sua própria evolução?
B.S. – Sendo o Parceiro um grande responsável do nosso próprio sucesso, temos um programa de Canal, de certificação e formação, de pré-venda e venda. De momento, temos dez Parceiros a ter formação na China, ou seja, temos formação local e, com alguma regularidade, convidamos Parceiros estratégicos a terem formação dedicada e especializada. Motivamos os nossos Parceiros para terem a noção de que, além de terem abrangência geográfica, é importante terem especialização.
Muitos são focados apenas num tipo de tecnologia, uns em vídeo, outros em networking e outros em IT. Temos também Parceiros que detêm capacidades em todas as áreas, mas a Huawei tenta que exista uma especialização e certificação do
próprio Parceiro.
 
 
P.F. – Ao contrário de outros players, que se posicionam só como um trusted adviser
do Canal, a Huawei é muito mais que isso. Acaba por ser um Parceiro para a vida, um
coacher do ponto de vista do desenvolvimento do negócio, também muitas das vezes no design das soluções. Além de sermos parceiros de negócio, queremos ser um trusted partner.
 
De quantos Parceiros dispõe atualmente a Huawei?
B.S. – De momento temos cerca de 30 Parceiros. Futuramente apresentaremos uma segunda fase da maturidade de crescimento do Canal, no início do próximo ano. Neste momento, todos os Parceiros são authorized resellers. É uma evolução natural, porque felizmente temos Parceiros para os quais a Huawei é uma aposta.
 
Como vê a Huawei o mercado português?
P.F. – Além da retoma, existe um drive muito grande para a economia digital, para o machine to machine, para a IoT. Se a Europa, e Portugal, necessariamente, não aproveitar esta oportunidade, todo o setor empresarial vai ficar a perder. Qualquer empresa, independentemente do seu tamanho, tem que transformar-se, não só do ponto de vista processual mas também do ponto de vista de meios e plataformas.
A economia digital é fundamental para as empresas pequenas poderem evoluir e
chegar a outros mercados. Entendemos que, a partir das nossas soluções e estratégia, somos o parceiro ideal para que as empresas façam esse caminho.
 
As smart cities também são um foco da Huawei. As autarquias estão interessadas?
P.F. – Os Parceiros têm que estar devidamente despertos para podermos aproveitar essa oportunidade em conjunto. Os decisores das autarquias estão muito despertos para isso e também para proporcionarem uma melhoria contínua na qualidade de
vida dos seus cidadãos. Por outro lado, necessitam reduzir custos e tornar a autarquia mais eficiente.
 
A Comissão Europeia, atendendo ao que acontece nos EUA e na Ásia, está a acelerar ao máximo este caminho, para tentar recuperar o gap que existe em relação a estas duas geografias. Portugal está muito bem posicionado, porque existem uma série
de linhas disponíveis para apoiar essas iniciativas. Esperamos que os nossos Parceiros sejam os primeiros a identificar esses leads.
 
B.S. – Um dos grandes fatores diferenciadores das smart cities passará por dar mobilidade. Ter WiFi na cidade será um começo. Mas é apenas uma conectividade.
Há também a questão da partilha de informação entre todo o tipo de serviços que
uma autarquia poderá ter, para reduzir tempos de resposta.
 
Quais os objetivos da Huawei para o mercado empresarial em Portugal, em 2016?
P.F. – O maior investimento que a Huawei Portugal está a fazer é na área empresarial. Também é a que mais nos exige, porque queremos atingir o nosso milestone no menor tempo possível. Felizmente, temos já um ecossistema com Parceiros altamente qualificados e estamos cá para criar o valor, assessar o valor
e distribuir o valor.
 
À medida que a Huawei for crescendo, necessitará de mais parceiros?
B.S. – Não será propriamente uma necessidade. Os Parceiros que apostaram na Huawei vão crescer connosco.

P.F. – Estamos satisfeitos com os Parceiros que temos e não pretendemos crescer o Canal.
 
 

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