2017-9-28

NEGÓCIOS

Digital pode ajudar economia portuguesa a crescer 3,2 mil milhões de euros até 2020

A conclusão é do Índice de Densidade Digital da Accenture Strategy, que analisa a evolução de mais de 30 indicadores que representam o nível de competências digitais

O aumento do Índice de Densidade Digital (IDD) tem um impacto significativo na produtividade e no crescimento anual do PIB nacional, segundo a Accenture Strategy, que juntamente com a Oxford Economics, desenvolveu, pelo terceiro ano consecutivo, um indicador que identifica a real penetração das tecnologias nas economias de vários países. O IDD realça também que o impacto é tanto maior quanto menor a maturidade digital do país – pelo que o gap se traduz numa oportunidade para aumentar o ritmo de crescimento económico em Portugal.

Portugal surge entre as 25 primeiras economias do mundo analisadas pelo estudo, numa posição superior quando comparado com o PIB dos restantes países analisados.

A base deste estudo da Accenture Strategy centra-se no cálculo IDD dos países, analisando a evolução de mais de 30 indicadores que de forma ponderada representam o nível de competências digitais (i.e. profissões e competências individuais de natureza digital, exigidas para a execução de novas atividades), a utilização de métodos de trabalho digitais (e.g. acesso móvel aos sistemas das empresas), o investimento em novas tecnologias (e.g. robotics, inteligência artificial, analytics), as infraestruturas do país (e.g. disponibilidade e velocidade da internet), as políticas e estímulos ao desenvolvimento de uma economia digital (e.g. ease of doing business), entre outras variáveis.

O que há a fazer?

Para Portugal beneficiar do crescimento económico, o estudo da Accenture Strategy identifica as dimensões em que o país manifesta um maior distanciamento face aos casos de referência. São assim detetadas as áreas onde a intervenção deverá ser prioritária, onde se destaca a duplicação do peso dos especialistas de tecnologia na força de trabalho, de 2,5% para 5% e a proporção do investimento anual das empresas em analytics e em soluções de cloud devem aumentar em 35% e 250%, respetivamente;

No primeiro caso, segundo a Accenture, as competências tecnológicas digitais dominam a lista das mais procuradas pelas empresas – cloud, data mining, desenvolvimento mobile e cibersegurança – e o número de novos alunos formados pelas universidades nestas áreas não chega para responder aos empresários portugueses. A Accenture refere que a percentagem de diplomados no ensino superior na área de ciências, matemática e informática em Portugal é de 7% (na Alemanha, por exemplo, é de 14%) e que é crítico que Portugal ponha em marcha ações de capacitação digital.

Relativamente ao segundo vetor, é fundamental intensificar os esforços do desenvolvimento de analytics para obter um maior conhecimento do cliente e garantir serviços mais personalizados e simplificados. Com um investimento de cerca de 40 milhões de euros neste domínio (dados de 2016), Portugal utiliza apenas 0,6% do orçamento do software das empresas de tecnologia.
 
Ao nível de cloud computing, a Accenture diz que menos de 20% das empresas portuguesas utilizam este serviço - apesar de 71% dos executivos acharem ter uma estratégia digital bem definida, mais de 80% não tem a tecnologia nem as operações adequadas para a executar.
 
Estado tem papel fundamental

Em termos de aceleradores, o Estado desempenha um papel fulcral na potenciação de políticas e iniciativas que impulsionem as empresas e cidadãos na adoção do digital. Em Portugal, 26% dos indivíduos nunca usaram internet, comparativamente com 14% na UE28.
 
Esta investigação da Accenture Strategy realça que, estando ultrapassado o período de constrangimentos financeiros do país que levou ao congelamento de várias iniciativas de digitalização, é altura de se voltarem a promover iniciativas que garantam a desmaterialização continuada dos serviços da Administração Pública.
 
O IDD destaca também que a procura por capital e novos investimentos em Portugal pode ser acelerada através da captação de investimento estrangeiro.
 
“A solução nacional está na proatividade em inovar e evoluir a um ritmo superior, e na preparação das empresas para fazerem parte de um novo ecossistema: entre parceiros internacionais e de outras indústrias, startups e universidades. Deve aproveitar-se a qualidade das universidades portuguesas e estimular a competitividade das cidades, posicionando-as como hubs de atração de talento e investimento”, enaltece Luís Pedro Duarte, da Accenture.

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