Rui Damião em 2019-7-01

A FUNDO

Cloud XaaS - Acelerar a agilidade empresarial

No mundo do IT, o modelo de negócio passou do puramente transacional para o as-a-Service. IaaS, PaaS ou SaaS são apenas três exemplos de um mercado que passou a ter no ‘aaS’ um novo modelo de negócio. ALE, Atos, Claranet, Infor, InovaPrime, IP Telecom, Noesis e Wavecom discutem este mês o panorama atual do mercado XaaS em Portugal

 

Atualmente, tudo é um serviço. Infraestrutura, plataforma, software, armazenamento, segurança ou redes, entre muitos outros, podem ser adquiridas através de um modelo as-a-Service. 

A Research and Markets estimou em 2016 que o mercado global de XaaS – designação que significa tudo como um serviço – iria registar um crescimento de 38,22% até 2020. Mais recentemente, em 2018, a Gartner estimou que o mercado de BPaaS, PaaS, Saas, IaaS e serviços de segurança iriam crescer de 145,3 mil milhões de dólares em 2017 para 278,3 mil milhões de dólares em 2021. 

O XaaS evoluiu muito para lá das suas raízes como fornecedor de serviços de IT. Por vezes, os produtos estão a transformar-se em serviços. 

O mercado português “está um pouco atrás” de outros mercados mundiais, refere Vasco Afonso, Head of Public Cloud da Claranet. “Aquilo que temos sentido é que só agora é que algumas empresas estão a acordar para o mundo do PaaS”, refere. 

Alguns dos clientes da Claranet têm vindo a “fazer um processo de transformação” e a adotar soluções de Platform-as-a-Service porque “claramente veem vantagens”. No entanto, alerta, ainda há “um longo processo a percorrer” e onde “mais de 80% dos clientes portugueses ainda está muito agarrada ao IaaS”

Valter Miguel, Diretor Comercial da Wavecom, dá o próprio exemplo da empresa neste mercado: “o caminho que temos feito é adotar, enquanto clientes, os serviços SaaS. Depois, do ponto de vista de providers, fornecemos em SaaS, mas as nossas plataformas estão em clouds num modelo maioritariamente de IaaS, ou seja, temos a infraestrutura para depois oferecermos um serviço aos nossos clientes”. 

Enquanto fabricante mundial, a Alcatel-Lucent Enterprise convive com diferentes realidades. Henrique Amaro, Solution Architect, dá como exemplo o setor da saúde que “não gostam de ter muita coisa fora do controlo deles”. Falando de geografias, há mercados onde é necessário ter as duas soluções porque não será possível colocar tudo fora do controlo da própria empresa. 

 


“Se tivesse que dar um palpite, diria que mais de 80% dos clientes nacionais ainda está muito agarrada ao IAAS”

Vasco Afonso, Head of Public Cloud, Claranet


 

A porta de entrada 

Homero Figueiredo, Diretor de Low Code Solutions da Noesis, alerta que “nem todos os tipos de workloads são migráveis para um ambiente totalmente cloud”. 

Já há vários anos que se fala dos projetos de transformação digital e, de facto, há muitas coisas que podem ser migradas para a cloud, explica, mas ainda não é possível migrar absolutamente tudo. 

Luciano Almeida, Cloud Product Owner da InovaPrime, afirma que, na sua opinião, “a oferta ser cloud- hosted abre uma porta de entrada que torna mais fácil colocar o software dentro da organização”. Isto porque as empresas já compram software, não precisam de um projeto para implementar o software, o que facilita a entrada nesse mercado. 

Paulo Rosa, Senior Account Manager da Infor, explica que a empresa só tem clientes on-premises em Portugal, mas que nos Estados Unidos a quase totalidade dos clientes é apenas cloud. 

Com esse dado em mente, a empresa já desenvolve as suas soluções com base na cloud e só depois transpõe para on-premises. “Vemos o mercado português ainda nesta fase de IaaS, mesmo médias e grandes empresas”, afirma Rui Ribeiro, Diretor Geral da IP Telecom. 

A IP Telecom não produz software e permite que os seus Parceiros desenvolvam os seus negócios as-a-Service junto dos seus clientes. “Muitos deles têm registado crescimentos interessantes”, o que mostra, também, que o mercado português procura por este tipo de soluções. 

Carlos Gaspar, Head of IDM Portugal da Atos, refere que o que as PME pedem para gerir a relação com os providers de cloud porque “por vezes contratam serviços de plataforma ou infraestrutura como serviço e precisam de alguém que faça a integração”.  

Por outro lado, nos “clientes já maiores”, que utilizam mais do que um provider de cloud e têm um ambiente híbrido, o grande problema é a orquestração “onde o ambiente deixou de estar num local que controlam e passou a estar espalhados em vários ambientes que têm de gerir”. 

 


“Nem todos os tipos de workloads são migráveis para um ambiente totalmente cloud”

Homero Figueiredo, Diretor de Low Code Solutions, Noesis


 

Crescimento do mercado 

Com o crescimento destes modelos de negócio, é expectável que o mercado tenha vindo a crescer. “O mercado de SaaS está ativo”, diz Luciano Almeida (InovaPrime). “Existe um valor acrescentado pelo software que acaba por ser suportado por um investimento em IaaS”. 

No ponto de vista de Homero Figueiredo é um pouco mais difícil fazer a análise porque a Noesis faz implementações de dois tipos. “O que vamos vendo, no entanto, é que vão existindo mais clientes a tirar partido de outros serviços de outros Parceiros de outros fornecedores, mesmo que o ritmo de adoção não seja tão alto quanto inicialmente previsto”. 

Segundo o representante da Noesis, a jornada para a cloud está, de facto, a existir, mas ainda há muitas organizações a preferir instalações on-premises. 

“Nós, com SaaS, oferecemos tudo o que está por baixo – IaaS e PaaS estão incluídos no pacote”, explica Paulo Rosa (Infor) que reconhece que ainda há alguma resistência na adoção destes serviços. “O que notamos é que as empresas desenvolveram durante uns anos nos sistemas legacy muito da sua propriedade intelectual, e mudar para um sistema multi-tenant cria alguma resistência. O que as empresas têm de perceber é que, ao passar alguma da capacidade que têm, também vão usufruir do que o modelo internacional em conjunto com clientes de todo o mundo”. 

A IP Telecom está mais focada no mercado de IaaS e, como tal, interage com as organizações que precisam de mudar a infraestrutura e não tanto as aplicações. “O nosso objetivo é que as empresas não tenham de pensar no cloud by design. Começámos a ter empresas e projetos que começaram a reestruturar as suas aplicações e a pensar numa ótica muito mais de serviços; é uma tendência relativamente recente”, diz Rui Ribeiro. 

 


“Existe um valor acrescentado pelo software que acaba por ser suportado por um investimento em IaaS”

Luciano Almeida, Cloud Product Owner, InovaPrime


 

Cloud pública a crescer 

No caso de Carlos Gaspar (Atos), aquilo que os clientes nacionais pedem é o desenvolvimento para saberem que aplicação irá trabalhar em ambientes de cloud. 

“É raríssimo o cliente que nos pede para fazer alguma coisa de raiz, nova, que não seja assim”, esclarece. “O ritmo do crescimento do nosso negócio em cloud pública versus a cloud privada é incomparável”, explica Vasco Afonso. “Este ano crescemos 170% em public cloud versus o ano passado; em cloud privada não vamos chegar a 20%”. Isto, refere, mostra que o mundo ainda é híbrido, mas que a cloud pública veio para ficar. 

No caso da Wavecom, Valter Miguel afirma que “há duas realidades” em termos de evolução.

No caso da infraestrutura, as organizações ainda tendem em manter on-premises. Por outro lado, na parte aplicacional, tendem a passar para a cloud “os serviços que não são tão críticos. Os serviços críticos, por causa da segurança, não são tão simples”. 

Henrique Amaro (Alcatel-Lucent Enterprise) explica que, enquanto fabricante, o desafio é um pouco mais complicado. 

“Temos de um lado os gestores a dizer que tudo o que se criar agora tem de ser para cloud, para modelos OpEx, com entradas fixas de dinheiro, mas isso é difícil quando se comercializa switches, access points ou centrais telefónicas”. 

O que a Alcatel-Lucent Enterprise está a fazer passa por ter os novos clientes a propor soluções e modelos. Por outro lado, as plataformas de gestão passam para a cloud e não dependm localmente de pessoas ou infraestruturas. 

 


“Começamos a ter empresas e projetos que começaram a reestruturar as suas aplicações e a pensar numa ótica muito mais de serviços; é uma tendência relativamente recente”

Rui Ribeiro, Diretor Geral, IP Telecom


 

Comunicação como um serviço 

“Ao nível das pequenas e médias empresas portuguesas, as barreiras nesta área são muito poucas porque alguém já fez esse trabalho”, refere Henrique Amaro. No caso da comunicação como um serviço, os operadores mostraram que é possível ter as comunicações e ter os terminais. “Por vezes, as barreiras são internas, por nós nos termos de adaptar, e não da parte dos clientes, que estão a ver isto como uma forma de simplificar”. 

“Os operadores não venderam a plataforma em si; tinham o objetivo de depois vender serviços adicionais e é por aí que estamos a entrar também, mas a criar mais negócio de segurança”, refere o solution architect da Alcatel-Lucent Enterprise. 

Carlos Gaspar, da Atos, refere uma solução da empresa de comunicações unificadas que é disponibilizada apenas como um serviço. “Permite ter grupos fechados, tem um fee mensal por utilizador e o cliente tem acesso a vários serviços de voz, dados e vídeo em qualquer plataforma”. 

“A propriedade intelectual é um problema que existe com as comunicações unificadas”, explica Carlos Gaspar. “O colaborador utiliza os serviços até de maneira profissional, mas todos esses dados são perdidos quando sai da empresa”. 

Na experiência da IP Telecom, “o grande desafio de comunicações como um serviço, não só dentro do grupo, mas também para os clientes, é como é que integramos a gestão, como é que damos vídeo e integramos os sistemas de videoconferência em tudo isto. O desafio é como é que colocamos estes sistemas mais básicos, analógicos, até aos mais avançados na cloud”. 

 


“As empresas tendem a passar para a cloud os serviços que não são tão críticos. Ainda há algum receio com os serviços críticos em termos de segurança”

Valter Miguel, Diretor Comercial, Wavecom


 

Serviços e plataformas ‘Made in Portugal’ 

Durante muitos anos, Portugal foi ou comprador ou integrador de sistemas de informação. Pouco era desenvolvido no país e não existiu um grande foco no desenvolvimento de sistemas em Portugal. 

Nos últimos anos, o paradigma mudou. Portugal já tem serviços e produtos a serem desenvolvidos localmente. Mas será que há espaço para estas soluções? Será que os clientes procuram, de facto, estas soluções? 

Vasco Afonso é da opinião de que a cloud é “uma plataforma que permitiu acelerar a inovação”. “Há cada vez mais empresas a nascer, muitas delas a falhar, mas a questão é que elas estão a aparecer cada vez mais porque é mais fácil e mais barato inovar”, refere. 

Apenas há alguns anos, lançar uma empresa com um novo produto era algo para “alguém que tivesse capital e coragem”. Esta coragem, explica, deve-se ao facto de que seria fácil entrar numa guerra com um player mundial. “Há muita inovação a ser feita, há muitas startups interessantes a aparecer”. 

Luciano Almeida defende que as empresas nacionais olham para as soluções portuguesas por uma questão de proximidade. 

“As empresas pensam ‘se houver algum problema, está aqui perto, há uma maior facilidade para abrir um canal de comunicação’. Em Portugal é mais fácil ter este canal de comunicação do que, por exemplo, com um cliente holandês”. 

O representante da InovaPrime acrescenta que “a marca Portugal, em Portugal, é uma vantagem competitiva. No resto do mercado europeu é um pouco mais difícil”. 

Homero Figueiredo tem uma perspetiva um pouco diferente. “Aquilo que nós vemos é um foco muito grande das empresas para se virarem para o mercado internacional porque é onde há mais dinheiro, há mais pessoas, há mais capacidade”. 

No mercado nacional, por outro lado, “há algum ressentimento de as empresas não terem o mesmo nível para pagar de rate que praticamos com empresas estrangeiras e começam a olhar para a tecnologia para perceber como podem rentabilizar esse investimento”. 

A IP Telecom tem “claramente” uma vantagem competitiva por ter a sua infraestrutura em Portugal, partilha Rui Ribeiro. “A lógica é o serviço. Temos ativos e serviços. A tecnologia, maioritariamente, não é portuguesa. Colocamos a questão: qual é a capacidade, a dimensão, o esforço e o músculo financeiro das próprias software-house portuguesas”. 

Rui Ribeiro defende, também, que Portugal “é muito bom na criação das tecnologias e das soluções, mas maus na comercialização e por isso é que depois não temos a sustentabilidade” necessária. 

 


“Ao nível das pequenas e médias empresas portuguesas, as barreiras na área de comunicação são muito poucas porque alguém já fez esse trabalho”

Henrique Amaro, Solution Architect, Alcatel-Lucent Enterprise


 

Futuro do mercado 

O mercado de XaaS permite um pay-per-use e libertar as equipas de IT para outras funções, defende Valter Miguel. 

“A questão da cloud é um pouco como o tema da agricultura: no tempo dos nossos avós viviam da agricultura, ou seja, os sistemas on-premise. Os nossos pais faziam algum cultivo, mas se calhar queriam conhecer o mundo, a cloud híbrida. A geração futura, se calhar, já não cultiva nada, quer comprar tudo”. 

Luciano Almeida pegou, também, na analogia com a agricultura e explicou que começa a existir muitas pessoas que preferem cultivar os seus alimentos. Trazendo para a tecnologia, isto pode significar que há empresas que sentem que o produto que compram não serve os seus requisitos porque é algo mais genérico. 

“A cloud torna-se uma commodity”, diz Rui Ribeiro.

“Em termos empresariais, daquilo que se percebe, o desafio é aquilo que é atividade core, que dão as vantagens competitivas, a personalização, aquilo que irá distinguir a empresa”

Aquilo que não é core irá passar para a cloud. O que é nuclear para a empresa continua na cloud, mas com uma lógica de maior controlo do seu lado. 

Na Infor, as clouds suites permitem a verticalização do produto, adaptado a cada indústria. Adicionando componentes que, dependendo do cliente, vão aproximar a solução das suas necessidades, afirma Paulo Rosa, defendendo que o futuro poderá passar por este tipo de soluções, onde as empresas poderão colocar a sua propriedade intelectual nos sistemas sem impedir a evolução. 

Homero Figueiredo olha para o lado da democratização do acesso. “Começamos a ver uma série de players de nicho, mais pequenos, com produtos focados numa solução específica, que de repente conseguem entrar no mercado mundial e competir com grandes empresas, algo que antes era completamente impossível. Acho que isto será cada vez mais o futuro. Acho que vamos ter espaço para as grandes empresas e também para as soluções de nicho, viradas para um negócio em particular”. 

 


“A propriedade intelectual é um problema que existe com as comunicações unificadas”

Carlos Gaspar, Head of IDM Portugal, Atos


 

Oportunidades para os Parceiros 

A procura por serviços tem vindo a crescer nos últimos anos. Este crescimento está a ser alimentado por muitos dos mesmos fatores que estão a impulsionar a mudança para modelos de utilização e assinatura em geral. 

Estes serviços oferecem aos fornecedores receitas previsíveis e incrementais e para os Parceiros não é diferente: existe, de facto, uma oportunidade de mercado, uma alteração de paradigma no modo de fazer negócio. 

No entanto, tudo depende de se os Parceiros estão ou não preparados para este tipo de modelos. Henrique Amaro diz que se as organizações “vierem do lado do software ou se forem empresas recentes estão preparadas, pelo menos para compreender toda a parte tecnológica”. 

Um dos desafios é, de facto, o modelo em si: será que os Parceiros estão preparados para “estar vários anos agarrados a um cliente, correndo o risco de ser pago mensalmente? Se houver algum problema e a empresa acabar, de quem é o risco?” 

Para a Alcatel-Lucent Enterprise esta é a grande diferença e desafio: perceber quais os Parceiros que trazem dinheiro, mas também aqueles que podem assegurar contratos de fidelização a vários anos e que podem garantir que não há nenhum risco caso a empresa termine. 

A IP Telecom está a apostar na sua rede de Parceiros e o que a empresa quer é “garantir que temos Parceiros certificados para aquilo que é a nossa infraestrutura e que invistam nas nossas tecnologias”. Estas tecnologias são de mercado e o risco é partilhado entre o Parceiro e a própria IP Telecom. 

Rui Ribeiro explica que a empresa que representa está a fazer é explicar aos Parceiros e outras empresas qual é o roadmap do ponto de vista tecnológico e como é que os Parceiros podem integrar e gerir a infraestrutura. 

“Queremos garantir que o negócio do Parceiro se mantém exatamente como até hoje, que nós vamos permitir escalar tendo em conta os serviços que vamos adicionando”, refere. 

Os Parceiros da Infor funcionam mais como integradores e aquilo que a empresa tem estado a fazer é mudar o modelo de negócio que têm com esses Parceiros. 

“Antes, os Parceiros vendiam, tinham uma comissão e implementavam. Hoje em dia não; com um modelo destes há uma continuidade e estamos a formar os Parceiros nas novas tecnologias e a dar a oportunidade de participar num modelo contínuo de receita”. 

Valter Miguel partilhou a experiência do lado do integrador. “Os Parceiros são fundamentais e têm de continuar a existir. Por outro lado, o tema do as-a- -Service veio criar desafios aos integradores porque, no limite, o fabricante pode viver sem o integrador. Os Parceiros têm de perceber as tendências e de se reinventar”. 

 


“Antes, os parceiros vendiam, tinham uma comissão e implementavam. Hoje, com um modelo destes, há uma continuidade”

Paulo Rosa, Senior Account Manager, Infor


 

Resumo

  1. Só recentemente é que as empresas têm vindo a apostar nas soluções as-a-Service; 

  2. Ainda há muitas empresas que mantêm sistemas on-premises; 

  3. Começam a aparecer várias empresas e soluções feitas em Portugal porque “é mais fácil e barato inovar”; 

  4. A ‘marca Portugal’ pode ser uma vantagem competitiva em termos nacionais, mas existe algum receio; 

  5. Os Parceiros podem encontrar no modelo as-a-Service uma fonte de rendimento mais constante

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