Inês Garcia Martins em 2026-10-15
Num setor cada vez mais dependente da tecnologia e responsável por dados particularmente sensíveis, a cibersegurança não se esgota na proteção dos sistemas. Na Escola Secundária João Gonçalves Zarco, um projeto-piloto desenvolvido pela Switch Digital Consulting, com tecnologia da WatchGuard, procura juntar pessoas, processos e tecnologia num modelo que possa servir de aprendizagem para outros contextos educativos
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Dados de identificação e de saúde, necessidades educativas especiais, avaliações e contactos familiares fazem parte da informação tratada diariamente pelas escolas, muita dela relativa a menores. A esta realidade juntam-se equipamentos institucionais e pessoais, redes utilizadas por centenas de pessoas e comunidades que se renovam todos os anos. A missão de ensinar “exige uma rede aberta, colaborativa e acessível”, razão pela qual “a grande diferença face a uma empresa tradicional é que a escola não se pode proteger fechando- se”, explica António Correia, Sales Manager Portugal da WatchGuard Technologies. Foi neste contexto que a Switch Digital Consulting desenhou um projeto-piloto e convidou a Escola João Gonçalves Zarco, em Matosinhos, a acolhê-lo. O diagnóstico incluiu processos, mecanismos de proteção e comportamentos de risco, recorrendo a simulações de phishing e exercícios com dispositivos USB. A intervenção ficou organizada em quatro fases, assentes em “diagnóstico, capacitação, proteção e validação”. As simulações de phishing e os exercícios realizados permitiram identificar comportamentos de risco na utilização da tecnologia. “Para mim, a principal conclusão é que utilizar tecnologia todos os dias não significa, por si só, utilizá-la de forma segura”, afirma José Paulo Santos, professor da Escola João Gonçalves Zarco. Pessoas, processos e tecnologia“Não olhamos para as pessoas como parte do problema; olhamos para as pessoas como parte da solução”, afirma Filipa Ferreira, Head of Marketing & Communication da Switch Digital Consulting. A abordagem procurou articular pessoas, processos e tecnologia, trabalhando práticas relacionadas com credenciais, autenticação e validação de mensagens e links em paralelo com os mecanismos técnicos de proteção. A proteção avançada de endpoint permite detetar e responder a comportamentos maliciosos, incluindo ransomware, enquanto a autenticação multifator reduz o risco associado ao phishing. A segurança wireless permite separar a rede por perfil de utilizador e detetar pontos de acesso ilegítimos. A gestão destas camadas ganha importância perante recursos técnicos limitados. “Numa escola não é realista pedir a uma equipa pequena que faça a gestão de várias consolas diferentes”, sublinha António Correia. A gestão centralizada permite uma visão única do estado da segurança e manter a proteção no dia a dia, procurando “reforçar a resiliência digital de toda a comunidade educativa”. Após as ações de sensibilização, as simulações de phishing registaram uma redução da propensão ao risco, com picos posteriores inferiores aos iniciais. Os exercícios com dispositivos USB mostraram igualmente uma evolução, numa lógica de formar, testar e voltar a medir. O Canal como ponto de ligação“O fabricante conhece profundamente a sua tecnologia; o Parceiro tem de compreender a realidade da organização, interpretar o risco e conseguir traduzir capacidade tecnológica numa resposta que faça sentido no terreno”, explica Filipa Ferreira. Na João Gonçalves Zarco, a Switch assegurou essa articulação entre tecnologia, capacitação e processos, com a WatchGuard a acrescentar capacidade tecnológica especializada e a Escola o conhecimento da sua realidade. Esta complementaridade ganha relevância à medida que cresce a complexidade tecnológica. “Quanto mais sofisticadas são as soluções, mais importante se torna o Parceiro”, afirma António Correia. A WatchGuard procura no Canal capacidade consultiva, competências técnicas transversais e acompanhamento contínuo. A mesma lógica está na base da possível extensão do piloto a outras escolas. “O que se replica não é um conjunto fixo de produtos; é uma metodologia que começa pelo diagnóstico, define prioridades, seleciona as respostas adequadas e valida o resultado”, explica Filipa Ferreira. Ao ajudar os alunos a “desenvolver critérios para viver, estudar e trabalhar num mundo digital”, a escola assume um papel que ultrapassa a sua própria proteção. Estas competências podem chegar às famílias e, mais tarde, às organizações onde os alunos vão trabalhar, colocando as escolas na linha da frente da cibersegurança e da preparação das próximas gerações, porque “preparar o futuro digital começa por proteger quem o vai construir”, sublinha António Correia. |