2016-7-15

OPINIÃO

Hiperconvergência: todos na mesma causa

Segundo números da Gartner, o mercado para os serviços hiperconvergidos deverá atingir 2 mil milhões durante este ano e 5 mil milhões em 2019.

Troianos e Lícios e Dárdanos, prestos combatentes! Não cedais na batalha num aperto como este! Homero, Ilíada

Não há maneira de os contornar: os data centers definidos por software, que estão na origem da hiperconvergência, preparam- -se para transformar o IT como o conhecemos, em mais um passo para o IT as a Service (ITaaS).

Os sistemas hiperconvergidos podem ser definidos como uma plataforma oferecendo recursos de computação e armazenamento partilhados e definidos por software, com hardware e uma interface de gestão comum. Os sistemas hiperconvergidos entregam o seu principal valor através de ferramentas de software, tornando o hardware subjacente numa commodity e são hoje a área de mais rápido crescimento no campo dos data centers definidos por software (SDDC,software defined data centers).

As arquiteturas SDDC são um dos grandes potenciadores das clouds híbridas ao definirem uma plataforma comum às clouds públicas e privadas. Para definir de forma lógica todos os serviços infraestruturais, SDDC aplica os princípios da abstração, isolamento e pooling aos restantes serviços de infraestrutura.

A primeira aproximação que uma organização pode tomar no caminho para SDDC é criar de raiz o seu próprio sistema: adquirir hardware tradicional e software de SDDC, fazer a integração em casa por via de arquiteturas de referência. Esta aproximação traz consigo dois benefícios: primeiro, permite que as empresas se transformem gradualmente, ao fazer o deployment da virtualização de rede, armazenamento definido por software e a plataforma de gestão de cloud.

Em segundo lugar, porque os data centers definidos por software são agnósticos relativamente ao hardware, esta aproximação proporciona uma gama muito vasta de opções de hardware por onde escolher, e assim as empresas podem escolher as configurações que acreditam estar otimizadas para determinados workloads. A segunda aproximação é tirar partido de uma infraestrutura convergida, um modelo através do qual componentes de um data center tradicional, como arrays de armazanenamento partilhado, servidores e switches, são integrados e vendidos num único chassis.

Habitualmente, é instalado também um stack de software, frequentemente com virtualização de servidor. Esta aproximação simplifica a engenharia de hardware e os processos de integração e permite que clientes adotem os componentes SDDC remanescentes — virtualização de rede, por exemplo – ao seu próprio ritmo. A terceira e mais recente aproximação é utilizar as infraestruturas hiperconvergidas.

Estas, almejam alcançar três objetivos: em primeiro lugar, à pre-instalação e integração de todos os componentes – servidor, armazenamento e virtualização de rede, assim como gestão de cloud – de forma que o cliente imediatamente obtém os benefícios totais de SDDC. Em segundo lugar, corresponder de facto à implementação de uma arquitetura de referência, que reduza as complexidades do IT. Em terceiro lugar, automatizar a gestão do ciclo de vida da infraestrutura, quer seja atualizando a componente de software de SDDC, ou atualizando o firmware dos fornecedores de software.

Os críticos das arquiteturas hiperconvergidas dizem tratar-se de uma utopia, afirmando que tal nível de integração é impossível de alcançar e causador de fortes disrupções quando integrado num data center tradicional. Mas não é difícil de imaginar que estes sistemas auto-contidos, sejam o equivalente empresarial dos contentores de que são feitos muitos data centres de cloud. A estrada ainda não está acabada, mas os sistemas hiperconvergidas são, neste momento, um dos seus mais promissores elementos de construção.

 

Henrique Carreiro é docente nas áreas de Cloud Computing e Mobilidade Empresarial na Nova Information Management School

IT CHANNEL Nº42 Novembro de 2017

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