2016-3-10

OPINIÃO

Da nuvem para o nevoeiro: a ascensão do fog computing

A cloud está a migrar para a periferia da rede, onde até equipamentos como routers poderão tornar-se infraestruturas de suporte a cloud e virtualização, numa evolução a que se dá o nome de the fog (o nevoeiro)

Dentro do nosso alcance está o ócio dos cidadãos da Grécia antiga, tornado possível pelos nossos escravos mecânicos, que ultrapassam largamente os doze a quinze por cada homem livre, lá. Estes escravos mecânicos vêm em nosso auxílio. Quando entramos numa sala, ao toque de um botão uma dúzia ilumina-nos o caminho. Outro escravo senta-se vinte e quatro horas por dia junto ao termostato, regulando o calor da nossa casa. Outro, senta-se noite e dia no nosso refrigerador automático. Fazem arrancar os nossos carros; funcionar os nossos motores; brilhar os nossos sapatos. Cortam-nos o cabelo. Praticamente eliminam o tempo e o espaço pela sua diligência.
Jay B. Nash, Spectatoritis, 1932

As plataformas petrolíferas geram cerca de 500 GB de dados semanalmente. Os aviões comerciais, cerca de 10 TB para cada 30 minutos de voo. Milhares de milhão de dispositivos que até agora não estavam ligados já geram mais de dois exabytes de dados a cada dia. A Cisco estima que 50 mil milhões de dispositivos estarão ligados à Internet em 2020. Mover os dados de todos estes dispositivos para a cloud, para serem analisados, exigiria vastas quantidades de largura de banda.

A IoT (Internet of Things) origina volumes gigantescas de dados, mas não é prático transferir tais quantidades de dispositivos da periferia para a cloud. Nem sequer é necessário, porque muitas análises críticas não exigem armazenamento e armazenamento de escala da cloud; por vezes, até, quando chega a altura de serem analisados na cloud, a oportunidade de agir sobre eles pode ter desaparecido.
Em resposta, a cloud está a migrar para a periferia da rede, onde até equipamentos como routers poderão tornar-se infraestruturas de suporte a cloud e virtualização, numa evolução a que se dá o nome de the fog (o nevoeiro).  Muitas outras tecnologias complementares estão a atingir um elevado nível de maturidade. A respetiva conjugação poderá mudar dramaticamente o panorama das tecnologias da informação e da comunicação nos próximos anos, trazendo áreas até agora separadas para um terreno comum.

Fog computing complementa a cloud por forma a processar estes dois exabytes de dados gerados diariamente pela IoT. Processando os dados mais próximo de onde são gerados e necessários resolve os desafios da explosão dos volumes de dados, da respetiva variedade e velocidade.

Acelera também a velocidade de resposta a eventos, eliminando uma viagem de ida e volta à cloud para análise. Evita a necessidade de largura de banda adicional, ao retirar o tráfego de rede do centro da rede. Aumenta também a proteção dos dados mais sensíveis, ao analisá-los dentro do perímetro da empresa. Em última análise, as organizações que adotarem fog computing, ganham uma visibilidade mais rápida e mais profunda do negócio, levando a uma agilidade de negócio incremental, níveis de serviço mais elevados, e melhores níveis de segurança.

Apesar do nome de nevoeiro, o objetivo do fog computing é, afinal, proporcionar maior visibilidade a aspetos dos negócios difíceis de medir, ou mesmo opacos. E esse é, provavelmente, um motivo para este nevoeiro ter vindo para ficar.

Henrique Carreiro

Docente de cloud computing e mobilidade empresarial na Nova Information Management School

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